WTCC – Citroen: Uma saída apoteótica

 

No desporto motorizado só faz sentido competir para vencer. E a Citroen com 10 anos de sucesso no WRC quis experimentar os turismos e provar que era capaz de vencer nas pistas, tal como fez nos troços de rali. O desafio era grande mas os franceses colocaram os recursos todos à disposição do projecto e usaram a sua enorme experiência no WRC para ganhar vantagem sobre os rivais.

Logo a escolha dos pilotos não deixou margem para dúvidas… Muller e Loeb eram dois nomes sonantes que dispensavam apresentações, aos quais se juntaram Jose Maria Lopez, que tinha mostrado enorme potencial na prova argentina de 2013, onde venceu mesmo contra uma concorrência com mais argumentos. Ao nível da peça fundamental que fica entre o volante e a baquet, a Citroen tinha o assunto resolvido e com garantias de sucesso. A entrada no WTCC não era apenas uma jogada de marketing e a marca apostava as fichas todas desde início.

 

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Faltava afinar a máquina e o programa de desenvolvimento dos franceses foi exaustivo. Tudo foi testado e afinado ao mais ínfimo pormenor. Todas as condicionantes dos turismos foram tidas em conta e pelos vis. Mesmo ao nível da substituição de peças a equipa usou a filosofia do WRC para que a troca de peças danificadas fosse o mais rápida possível. A uma marca que apenas estava habituada a trabalhar em terrenos difíceis como os que o rally proporciona, o desafio de não deixar nada ao acaso nesta nova etapa era tremendo e tudo foi pensado ao pormenor e testado até ao limite. Desde a mecânica à aerodinâmica que levou a  testes de maquetes no túnel de vento da equipa. Desde o anúncio da entrada para o WTCC até  à estreia foram quase 2 anos de ponderação e testes (que se iniciaram em 2013 a ritmo alucinante com muitos km feitos).

A Citroen entrou em grande e investiu muito. Os rumores afirmam que os franceses investiram mais que a Honda e a Volvo juntas. Mas o resultado está à vista:

foto: rtl.nl
foto: rtl.nl

Em 2014 foram 17 vitórias em 23 possíveis (74% de vitórias) o que deu o campeonato a Lopez e o campeonato de construtores à Citroen, sem contar com 10 poles em 12 possiveis.

Em 2015 o domínio foi ainda mais avassalador com 21 vitórias em 24 (87,5% de vitórias) possíveis e 11 poles em 12 possíveis.

Em 2016 para já e quando falta apenas uma ronda ( se se confirmar o cancelamento da ronda da Tailândia) para o final do campeonato a equipa tem 11 vitórias em 20 possíveis (55% de vitórias para já) e 8 poles em 10 possíveis. Um ano em que os franceses tiveram de lidar com uma Honda mais competitiva e um lastro de 80Kg que tornou os C-Elysée mais lentos mas mesmo assim melhores que a concorrência.

Mais ainda, em 2016 o C-Elysée permitiu que Bennani se sagrasse campeão no Troféu WTCC, segundado por Chilton também ele com um Citroen e que está à frente dos Lada e Volvo. 

 

Ao fim de 3 anos a equipa decide retirar-se porque já provou que é a melhor estrutura e os lucros provenientes das vitórias já são reduzidos. O impacto perdeu-se e a Citroen vencer no WTCC deixou de ser notícia e como tal já não desperta o interesse dos responsáveis pela marca.

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Para o WTCC é uma grande perda pois basta ver que a marca resolveu dar um passo no Formula E com a DS em vez de se manter no mundial de turismos. Além disso é menos uma marca oficial que compete no campeonato embora os C-Elysée fiquem disponíveis para quem os quiser adquirir (quem tiver a máquina francesa tem a certeza que tem material para vencer e fazer frente aos carros oficiais das restantes marcas que ficam em 2017). Para a Citroen foi mais uma prova de competência, vencendo de forma inquestionável numa categoria completamente nova e ficou claro que onde quer que seja, a Citroen entra para ganhar. Ao nível de marketing foram 3 anos absolutamente fantásticos e que no fundo compensaram os anos menos bons que a marca viveu no WRC. A prova do Qatar será a última do ano e a última da Citroen Racing Team.  3 anos repletos de sucesso que ficarão para a história do WTCC.

 

 

Fábio Mendes

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