Pedro Salvador: O último dos bravos.

 

Isto do Chicane já leva mais de 3 anos e durante este tempo todo tivemos o privilégio de falar com vários pilotos nacionais. As conversas foram sempre muito interessantes e recheadas de informações, algumas das quais não tiveram a autorização para serem divulgadas, mas dessas conversas, quando perguntávamos pelos melhores pilotos nacionais da actualidade, um nome apareceu quase sempre no top 3… Pedro Salvador. E somos obrigados a concordar com a escolha.

 

Antes de avançarmos com o texto devemos ressalvar que este texto não foi encomendado por ninguém, nem sequer pretende bajular o piloto. É apenas a nossa opinião sincera, que não pretende rebaixar a imensa qualidade dos outros pilotos que militam nos campeonatos nacionais (para não falar dos internacionais pois desses ninguém duvida), mas sim apenas realçar o talento de um piloto que nem sempre viu o seu nome ter o devido destaque (o que infelizmente acontece frequentemente no nosso país).

 

Nascido em 1977, a carreira de Pedro Salvador no automobilismo iniciou-se em 1994 na Formula Ford. A partir daí começou a ascensão, sendo duas vezes vice-campeão nacional na mesma categoria, tendo ainda participações em provas internacionais como o Europeu de Formula Ford em Spa e o Festival Mundial de Formula Ford em Brands Hatch (6º e 13º respectivamente).

2000 foi o ano da consagração, sendo finalmente campeão de Formula Ford. Ainda permaneceu na competição mais 2 anos (voltou a ser vice-campeão) fazendo também provas esporádicas em Espanha (Formula 3)

De 2002 a 2006 o piloto teve programas menos activos, o que o impediu de lutar por melhores resultados, mas foi nessa fase que se iniciou no campeonato nacional de Montanha, competição onde  voltou a sorrir  com o título na categoria 5 em 2006 e o título absoluto em 2007, façanha que repetiria em 2008, 2009, 2012 e 2016.

Não só de rampas se faz a carreira de Salvador, tendo também brilhado nas pistas, onde foi campeão de GT´s e Sport-Protótipos  de Portugal, vencedor da Taça de Portugal de Sport-Protótipos (2010), campeão na Transit Trophy (2011), e 2 vezes vice-campeão no CNV, além de ter participado em provas no estrangeiro, nomeadamente no V de V (2014 e 2015).

É também Recordista Absoluto do Circuito da Boavista e das Rampas da Penha, Caramulo, Bragança, Figueiró, Murça e Paços de Ferreira.

Mas não só de números que se fazem carreiras e se nos ficarmos por aí, o talento de Salvador poderá ser menosprezado… Mas quem sabe e quem gosta de automobilismo, admite que Salvador tinha qualidade para ter ido mais longe ainda, mas nem sempre o desporto motorizado premeia os melhores. Muitas vezes, em tom de brincadeira, imaginamos o que faríamos com o Euromilhões e a ideia de montar uma equipa de Endurance aparece sempre, sendo que no nosso line up está inevitavelmente Salvador (Lobato e Albuquerque são os outros escolhidos).

A versatilidade é provavelmente o ponto mais forte do piloto. É competitivo em qualquer veículo que lhe seja entregue. Seja num sport-protótipo, num GT ou até mesmo num carrinho de rolamentos, espera-se sempre que o piloto esteja na luta pelos lugares cimeiros. Mas onde a sua qualidade é mais clara é nas provas de montanha onde o risco é constante e onde os rails estão a milímetros do carro. Talvez por isso Salvador tenha também um excelente registo nas provas citadinas como Vila Real por exemplo.

 

 

Nas últimas conversas que tivemos com o piloto, ficou claro que o foco está agora em fazer crescer sua equipa, que em pouco mais de 2 anos de vida, tem conquistado excelentes resultados até agora. Uma estrutura que dá os primeiros passos mas que já se começa a impor no panorama nacional e que permitiu, por exemplo, a Manuel Pedro Fernandes vencer no ETCC, com Salvador a ser o maestro da operação. O seu projecto é ambicioso e se tudo correr bem, teremos a Speedy Motorsport a dar que falar.

No entanto isso significa que teremos menos hipóteses de ver Salvador em pista. Este ano fez o CNM, que certamente usou como montra para o seu Norma e acreditamos que para se divertir também. É um piloto à antiga, que gosta de sentir a adrenalina e o risco. Num mundo cada vez mais higiénico e pouco dado a essa forma de estar, as rampas são provavelmente os últimos sítios onde os pilotos estão no “fio da navalha” e onde cada erro se paga caro e é aí que ele gosta de estar. Basta ver que os registos no CNM para entender é nos traçados mais técnicos e exigentes que se sobressai. Este ano, numa Falperra encharcada, foi dos poucos a não ter medo de molhar o capacete e subir, ao contrário dos grandes nomes do Europeu de Montanha que não acharam que a pista tivesse “condições de segurança”. Pedro Salvador deu um recital e a sua subida teve tanto de espectacular como de artística. Se tivéssemos de resumir Pedro Salvador em poucas imagens, os onboards da subida da Falperra ou a da Serra da Estrela em 2007 seriam as escolhidas.

 

Num país que teima em esquecer-se do desporto motorizado, abraçando uma futebolite cada vez mais aguda  e que mesmo assim  tem a felicidade de ter tantos pilotos de topo a brilhar nos campeonatos nacionais e por esse mundo fora (dos quais teremos de certeza mais motivos para falar, pois tanta qualidade só pode dar em vitórias), tiramos o nosso chapéu a um dos melhores e mais versáteis pilotos da sua geração e provavelmente a um dos últimos bravos que andam pelas nossas pistas… Pedro Salvador.

 

 

Fábio Mendes

2 pensamentos sobre “Pedro Salvador: O último dos bravos.

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