Álvaro Parente: O rei dos GT ´s

É muito fácil acusarem-nos de sermos facciosos e de colocarmos os nossos pilotos num pedestal. A quem nos poderá acusar disso, só temos a dizer que temos um enorme orgulho pela qualidade e capacidade dos nossos pilotos e não temos vergonha de o afirmar publicamente… várias vezes se for preciso.

 

Posto  isto, é tempo de falar agora de um dos melhores pilotos de GT´s do mundo… Álvaro Parente. O piloto do Porto é um nome incontornável dos GT´s e a sua qualidade é reconhecida por todos… E mesmo que não o fosse, os resultados que obtém obrigariam a isso.

Nascido a 4 de Outubro de 1984, no Porto, começou o seu percurso nos karts onde começou a brilhar ao mais alto nível. Em Portugal foi uma limpeza, sendo campeão de Cadetes 3 vezes e campeão de juniores. Lá fora o ritmo de conquistas foi o mesmo, com a conquista do titulo no  Karting Championship ICA em 1998 e 1999. Não restavam dúvidas que o talento de Parente ia dar que falar.

Em 2001 ingressou na F3 espanhola, aos 16 anos, competição onde se manteve em 2002, conquistando o 4º lugar final e a sua primeira vitória. Entrou em 2003 na F3 europeia pela Team Ghinzani, mas o fraco motor Mugen-Honda não lhe permitia lutar contra os poderosos Mercedes. Teve participações esporádicas na F3 Italiana e britânica, onde deu novamente nas vistas, principalmente nas suas participações com a Carlin, equipa para onde se mudou em 2004 e onde conseguiu o título de F3 britânica em 2005. Participou também na A1-GP a partir de 2005 até 2007 e em 2006 ingressou na Fórmula Renault 3.5, sendo 5º no seu ano de estreia e melhorando o seu registo no ano seguinte em que conquistou o título.

 

Nesta fase Parente era um dos “wonder boys” que poderia ter lugar na F1. Subiu para o GP2  em 2008 e venceu a sua primeira prova, tornando-se o primeiro português a vencer no GP2. Acabou a época em 8º, lugar que repetiria no ano seguinte.

A partir daqui a história torna-se mais sombria. O problema dos patrocinadores começou a atormentar a carreira do jovem português, que esteve às portas da F1 e chegou a ser dado como certo na Virgin Racing. Mas um problema com os patrocinadores fechou a porta do sonho ao português. Continuou a ter algumas participações no GP2, onde substituiu alguns pilotos, passando até brevemente pela GP2  asiática mas o mundo dos monolugares começava a fechar-se para Parente.

Foi em 2009 que começou nos GT´s, no campeonato espanhol, com 2 aparições. Em 2010 foi 3º no campeonato. Nesse mesmo ano estreou-se no International GT Open e no LeMans series.

2011 foi o último ano de Parente nos monolugares, correndo pela Carlin em 4 rondas. Em 2012 passou a ser piloto McLaren na divisão dos GT´s, sendo piloto para equipas clientes da marca. Nesse ano competiu pela Hexis Team, no GT1 World Championship e em 2013 foi companheiro de equipa de um tal de Leob, com o qual conseguiu o 4º lugar final no FIA GT Series. Em 2015 foi campeão do GT Open ao lado de Miguel Ramos e em 2016 venceu  a mítica prova das 12h de Bathurst e o novíssimo e muito disputado campeonato de GT´s americano Pirelli World Championship um campeonato com enorme potencial.

 

Na altura que foi anunciado como companheiro de equipa de Loeb, o mítico piloto afirmou que estava a fazer equipa com um dos melhores pilotos de GT´s do mundo, opinião partilhada por Andrew Kirkaldy, chefe do programa de GT´s da McLaren. A marca britânica apresenta um line up fortíssimo e não é por acaso que o piloto portuense se mantêm há tantos anos ao serviço da marca. (http://www.autosport.pt/velocidade/pistas-2/diretor-da-mclaren-diz-que-alvaro-parente-e-um-dos-melhores-pilotos-de-gt-do-mundo/)

 

O sonho da F1 ficou hipotecado pelos motivos de sempre… A falta de dinheiro fez com que o piloto tivesse de encontrar uma alternativa para a sua carreira mas a opção foi a certeira. É agora um dos nomes mais respeitados dos GT´s e terá ainda muitos títulos para vencer. A capacidade que tem de levar o carro aos limites  e ser instantaneamente rápido faz a diferença e basta ver a sua prestação em Bathurst para entender a capacidade do piloto. E mesmo no PWC, num campeonato novo, com pistas novas e adversários novos, o piloto sagrou-se campeão logo na estreia.

 

Parente é um dos melhores valores da sua geração. O seu talento não chegou à F1 porque infelizmente o dinheiro não lhe chegou. Mais uma vez é a velha história do “o problema dele é ser português”. O grande problema é que não se investe na qualidade dos pilotos nem se acredita que possa haver retorno. A McLaren não acha o mesmo e não se importa nada de ter Parente a pilotar as suas máquinas. É preciso ainda um longo caminho até que este país saiba valorizar os seus atletas e não apenas aqueles que correm com a bola no pé. Infelizmente não parece ainda haver gente capaz de transformar  e melhorar o desporto motorizado nacional. Até lá teremos talentos que se perdem e outros, como Parente que se sabem reinventar e que mostram o seu talento.

 

Parente é daqueles predestinados que sempre que tenha um volante à frente terá sucesso, o que por certo orgulha a familia. No capacete ostenta as cores de uma nação, as mesmas cores que o seu pai usava e as mesmas cores que representa ao mais alto nível por esse mundo fora. Com Parente em pista as probabilidades de ouvir a portuguesa são grandes… O espectáculo na pista esse é garantido. Para muitos é um dos melhores do mundo nos GT´s. Para nós, nos GT´s, é o melhor.

 

 

 

Fábio Mendes

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