F1 – GP do México: A culpa foi do árbitro

 

Avançamos para uma análise preliminar do GP do México, focando a grande polémica que se instalou no paddock no final da corrida. Vertappen foi punido por ter arranjado um atalho quando se defendia de Vettel. Tudo seria muito fácil de resolver mas o holandês tem o dom de apimentar tudo o que acontece em pista e a história ficou muito mais complicada.

 

Verstappen não cedeu o lugar a Vettel, esperando pela decisão oficial dos comissários (algo que faz sentido). Mas Vettel ficou mais vermelho que o seu carro e explodiu, sentindo que o lugar deveria ser seu. Com isso Ricciardo aproximou-se e atacou o alemão que defendeu como pôde… à margem das leis. Os 3 cruzaram a linha de meta nas posições em que se encontravam e parecia que Max era o 3º classificado. No entanto, Verstappen foi convidado a sair da sala que antecede o pódio pois o 3º lugar não era seu e para o substituir foi chamado Vettel, que fez a festa e respirou de alívio tal como Arrivabene. O pior estava para acontecer quando os comissários resolveram penalizar também Vettel pela manobra defensiva sobre Ricciardo, entregando assim o ultimo lugar do pódio ao australiano. Uma novela mexicana que muito dará que falar.

 

De quem a culpa nisto tudo? Dos comissários pois claro. A tendência dos dois peso duas medidas,  desta vez correu mal e ficaram entre a espada e a parede… preferiram corajosamente a espada.

Vamos por partes: No início da corrida Hamilton falhou completamente a travagem para a curva 1 e resolveu testar as capacidades do seu monolugar na relva. Com isso ganhou vantagem sobre os adversários, Rosberg e Verstappen. Logo a seguir Rosberg foi também à relva para evitar um toque mais violento com o Red Bull de Max, ficando no entanto também com vantagem em relação ao holandês. Decisão dos comissários: Nenhuma. Diz-se que a tolerância na primeira volta é maior e ambos os pilotos Mercedes escaparam… Sainz não teve tanta sorte e foi penalizado por ter empurrado Alonso para fora de pista. O meu  veredicto? Hamilton devia ter sido penalizado. Foi um erro não forçado e o britânico não estava sob pressão. Se em vez de relva fosse gravilha o campeonato tinha ficado decidido ali. Mas Hamilton escapou sem penalização e com alguma vantagem, o que quanto a nós é um erro. Rosberg também escapou mas tem um alibi… o toque que levou de Max desencadeou a saída de pista. Mas se fosse gravilha? Teria o alemão feito o que fez? Neste caso até entendemos a decisão. No caso de Hamilton era simples… uma penalização de 5 seg .

 

O caso Vettel teria sido resolvido de forma muito simples: Max encurtou caminho e ia ser penalizado… estava mais que visto. Se os comissários têm aplicado logo a sanção de deixar passar Vettel, tudo teria ficado resolvido. Assim deixaram o holandês em pista, que atrapalhou muito Vettel, o legitimo dono do 3º lugar naquela altura. E aí entra Ricciardo: o ataque final aconteceu porque Vertappen estava na frente do alemão. Se Max tivesse dado logo a posição, dificilmente Ricciardo apanharia Vettel. Tem Vettel motivos para se sentir prejudicado? A meu ver sim. A manobra pela qual foi penalizado só aconteceu porque os comissários resolveram adiar a penalização de Verstappen. Quase parece que quiseram castigar Max, colocando-o perto do pódio para logo a seguir o retirar de lá, tirando o doce ao menino mimado. A penalização foi aplicada logo que a corrida acabou, o que dá a entender que a decisão estava tomada na cabeça de todos os comissários e que apenas adiaram o que não devia ser adiado, levando a um problema maior que foi entregar o troféu de 3º lugar ao piloto que foi prejudicado pelo adiamento da decisão e que depois por causa disso também jogou sujo.

Para o espectáculo foi óptimo e a F1 já há muito não tinha um final deste género. Mas fica no ar que os comissários tem o gatilho leve para penalizar os pilotos de equipas mais pequenas e que pensam 3 vezes antes de fazer o que quer que seja aos pilotos da frente. E esta dualidade de critérios não é boa. Vettel provavelmente já se arrependeu de ter pedido desculpa a Charlie Whiting, a quem mandou merda por duas vezes. Se antes tinha motivos para isso agora continua a ter.

Não é nada fácil ser comissário e decidir estes casos. E como as regras muitas vezes permitem segundas interpretações a tarefa fica ainda mais dificultada. É preciso bom senso e muita experiência para lidar com a pressão e com os acontecimentos. Muitas vezes vimos aquele que foi considerado o melhor arbitro do mundo ( aquele sr careca italiano que metia medo só com o olhar), errar e isso não lhe tirou o mérito que conseguiu. O mesmo acontece neste caso com os comissários. Mas desta vez parece-me que fizeram asneira da grossa e a tendência para ser mais benevolente com os nomes fortes do grid foi de novo patente. E no final a regra que foi pedida para impedir Max de manobras agressivas na defesa da posição, acabou por beneficiar a equipa do holandês e o próprio piloto. Oh a ironia! Resta ver qual a posição que a Ferrari irá tomar sobre este assunto ou se deixará tudo como está, embora pouco haja a fazer. O certo é que Max está a arranjar um grupo de pessoas que não o apreciam a um ritmo semelhante ao que coloca em pista.

 

 

 

Fábio Mendes

4 pensamentos sobre “F1 – GP do México: A culpa foi do árbitro

  1. E claro que a culpa e dos comissarios, criam-se regras estupidas que estragam o espectaculo e depois nao as aplicam????? O unico prejudicado neste caso foi o Vettel como e obvio!!!!

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