Na primeira pessoa: WRC de pernas para o ar!

Andávamos todos em êxtase em relação à temporada que se avizinha no WRC. Carros novos, com mais cavalos, mais leves, mais rápidos, mais agressivos em termos estéticos, o regresso da Citroen a tempo inteiro e com um novo modelo, a entrada da Toyota dando mais alguns “assentos” no mundial de ralis e o regresso de uma marca histórica que durante muitos anos arrastou e apaixonou milhares de fãs em todo o mundo.

O que ninguém esperava era levar um “soco no estômago” desta maneira. A Volkswagen depois de quatro anos a vencer e sem que nada o fizesse apontar para esse caminho, vai mesmo abandonar o WRC. As razões parecem simples. A marca ficou afetada com o escândalo das emissões de gases que rebentou no último ano e certamente teve repercussões financeiras gigantescas do seio do grupo Volkswagen, que recentemente anunciou também a sua retirada do projeto Audi do WEC a partir de 2017 também.

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O que fica? O desenvolvimento do Golf GTI TCR, o projecto de ralicross com apoio e desenvolvimento do Beetle GRC e também a grande novidade desta história toda, a criação e desenvolvimento do Polo R5 para ser vendido a privados a partir de 2018.

E nós? Nós, amantes e apaixonados por rally, ficamos “na mão”! A entrada da Toyota em cena, os novos modelos dos WRC para a temporada de 2017, fizeram-nos sonhar. Sonhar com o que podia vir ai em termos de mais equilíbrio entre as equipas, sonhar em ver um duelo entre Ogier e Meeke em luta direta pelo titulo, sonhar em ver estas “bestas” passar à nossa frente ainda mais rápidos e mais espectaculares. De repente tudo isso se foi. Apenas termos a novidade Toyota não chega. Não chega para os fãs e não chega para o próprio campeonato, que fica órfão de uma das suas maiores cartadas e motivos de interesse, tendo aqui uma perda enorme. Perda essa que pode custar muito a um campeonato que já por si precisava de algum sangue novo, e vê-se assim privada de um dos melhores e mais vitoriosos projectos que o mundial de ralis alguma vez viu.

Depois do abandono de Loeb, este é para mim a maior perda que o WRC já viu neste século.

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E os pilotos? Qual o seu futuro em 2017? Este acaba por ser o assunto que entra logo na conversa quando se fala deste assunto, “e para onde vai Ogier?”. No meu ponto de vista, poucos caminhos tem a escolher o francês. Eu acho que ele não vai abandonar o WRC, ele quer bater todos os records de Loeb, esse é o seu objetivo e o “fantasma” com quem ele compete verdadeiramente. Ora bem, para se ganhar não basta ser bom, tem de se ter um bom carro e uma boa equipa. Eu descarto logo a Citroen! Já lá esteve, não gostou, saiu de lá “amuado” com Matton, e regressar a marca francesa logo para fazer dupla com Meeke(!), duvido. Capoeira pequena para dois galos grandes e o “boss” francês já teve a experiência de ter Loeb e Ogier a correr na mesma equipa e a coisa não foi famosa. Com isto, por aí acho que não vamos.

Hyundai. Nada separa o francês de lá. Até teria um carro competitivo pelo que temos visto deste Hyundai ao longo do ano. Mas o que fazer com Neuville, Sordo e Paddon todos acabadinhos de renovar? Pois é, afinal existe alguma coisa que pode separar Ogier de uma possível ida para a Hyundai Motorsport. Era um bom destino para ele mas desta forma fica complicado.

Mikkelsen Rally Polonia

Sobra a M-Sport e a “rookie” Toyota. Uma equipa nova é sempre um risco, veja-se a história difícil entre a Hyundai e Neuville ao longo de dois anos. “Ah, mas o Ogier quando entrou na Volkswagen também era uma equipa nova e ele foi para lá”: pois foi, mas teve uma ano a desenvolver o carro, a conhecer os cantos à casa e pôr a máquina a andar para chegar, ver e vencer! A hipótese Toyota que pode ser viável, já tem Lappi, tem Hanninen e teria um terceiro carro com Ogier. Mais investimento por parte da equipa chefiada por Tommi Makinen, mas certamente mais patrocinadores a querer “entrar nas contas”. Para isso acredito que o Ogier tenha de ter certezas quanto à valia do carro, pois ele quererá ganhar como sempre quer todas as provas onde entrar.

Podem chamar-me louco, mas no fundo no fundo eu acredito na hipótese M-Sport. Para Malcolm Wilson é a grande hipótese de voltar a ter gente capaz de discutir vitórias e o campeonato, colocando de novo a marca “oval” num patamar onde deixou de andar de forma regular, entre os mais rápidos. A dupla actual nem aquece nem arrefece e com muita certeza deverão saltar fora depois da temporada desastrosa que estão a efectuar. Os problemas financeiros que podia causar esta contratação poderiam ser influenciados com um bom patrocinador (touro vermelho?). Veremos! A minha costela “M-Sporteana” faria uma dupla Ogier/Tanak, só não sei se este sonho pode ser realista ou é influenciado pelo gosto pessoal pela equipa de Malcolm Wilson. Pedi ajuda aos meus colegas do Chicane Motores, fiquei na mesma, vem um diz uma coisa, vem outra diz outra. Conclusões, zero! Mas talvez não seja tão irrealista quanto isso, este Ford Fiesta RS WRC é competitivo. Se Tanak consegue fazer “segundos” à geral, Ogier ao volante deste mesmo carro podia andar um pouquinho mais. Digo eu! Mas haverá tanta coisa que pode influenciar a escolha e resolução deste enigma que nunca se saberá.

Mais! Alem deste ainda temos Mikkelsen e Latvala para resolver. Não acredito em ver uma temporada sem Latvala e Mikkselsen a correr. Isso não vai acontecer, mas o grande factor de decisão quanto à equipa onde irão prosseguir as suas carreiras é mesmo Ogier. Esta será a pedra crucial, quando Ogier tiver “assento” as pedras “Latavala” e Mikkelsen também se encaixarão nos lugares que restem.

@world

Latavala ficava bem nesta Toyota e Mikkelsen assentava como uma luva dentro de um “Citro”.

Confusos? Pois, eu também! Com esta ninguém contava e logo ainda antes do final da temporada de 2016, é de 2017 que já se fala e não é pouco. Tinta, muita tinta a correr dentro de algumas semanas ou mesmo dias, é que as férias no WRC não são muito grandes, em Janeiro há um Monte Carlo para correr e antes disso um época para preparar!

Obrigado à Volkswagen pelos quatro anos de espectáculo que nos deu. Foi um prazer comer do vosso pó e da vossa lama. Fizeram-nos vibrar e arrepiar a cada passagem.

Para trás as recordações pessoais em Fafe, no troço do Marão e os testes em Mondim de Basto do Volkswagen Polo R 2017, o carro que vi testar mas jamais o verei correr!

Até sempre!

Na primeira pessoa, Carlos Mota!

 

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