WEC – 6h de Xangai: Análise

Estamos perto do final da temporada do WEC, com apenas o Bahrain na agenda onde se vai decidir o campeonato de pilotos nos LMP1-H e os títulos nos GTE. Uma coisa é certa, o Bahrain vai ser o último circuito do Mundo a receber a Audi em competição no WEC. Relativamente a esse facto, o director da Joest Racing, Ralf Juttner, parceiros da Audi no WEC afirmou que a estrutura estuda a hipótese de competir nos LMP1 com o chassis do Audi R18 nos não-híbridos. Juttner em conferência de imprensa avisou que ainda têm que estudar alguns pormenores e que saber no final de Outubro que não competem em 2017 é muito tarde. Muito brevemente deveremos ter notícias da Joest.

LMP1

Foi mais uma vitória inequívoca da Porsche, que para já garantiu o campeonato de construtores, no entanto a tripulação do #2 perdeu novamente pontos para a Toyota na luta pelo campeonato de pilotos. Será possível ainda a Toyota vencer um dos campeonatos? Seria merecido, já que a Porsche parece não querer ganhar mais um título, dando constantemente primazia ao seu #1 em relação ao #2, que nunca mais subiu ao pódio desde Le Mans. Em Xangai aconteceu o mesmo, com os dois Toyota a acompanharem o carro #1 da Posche no pódio. Os nipónicos ganharam um novo fulgor desde Fuji, tendo passado por momentos infelizes principalmente nas 24h de Le Mans e em Nürburgring. Quem nunca aproveitou o momento mau da Toyota foi a Audi, que agora têm motivos para se sentirem desmotivados.

Já referimos ontem isso, mas voltamos ao mesmo: o incidente entre o #7 e o #8 parece sintomático daquilo que se passa fora das pistas. O #8 teve problemas no reabastecimento e perdeu tempo muito precioso e como se não bastasse, Jarvis ainda bateu no carro #7, obrigando a uma paragem do carro-irmão para recuperar o sistema de macacos do carro, já que não era possível efectuarem os pit stop sem esse sistema. Mau demais para uma equipa que merece todo o nosso respeito, com profissionais de excelente nível que têm agora que procurar outras paragens, como é o caso de Jorg Zander.

Em relação ao futuro mais próximo da classe, para se sagrarem campeões do WEC, Jani, Dumas e Lieb precisam de terminar em pelo menos 5º as 6h do Bahrain, ou garantir a pole e até podem ser 6º. Não parece difícil e possivelmente, apenas um problema com o Porsche #2 tirará o título das mãos dos pilotos. Para a Audi, apenas a vitória na sua última prova depois de 18 anos ao melhor nível, serve de consolação.

Nos não-híbridos, pela primeira vez no ano a ByKolles venceu, levando a melhor sobre o carro da Rebellion que teve de desistir com problemas mecânicos. Como já sabemos, a Rebellion também fará a última corrida na principal classe do campeonato no Bahrain, mas têm o regresso anunciado para os LMP2 já na próxima temporada. A Bykolles poderá ter a companhia da Joest, caso estes consigam montar o projecto a tempo de 2017.

LMP2

Foi uma das lutas pelo campeonato mais aguerridas do ano e onde claramente puxamos pela RGR Sport de Felipe Albuquerque. Infelizmente para nós, a Alpine garantiu com o 4º lugar ontem, o troféu nos LMP2, no entanto, a forma como a equipa francesa conseguiu o título foi meritória. Venceram 4 das 8 provas realizadas até ao momento e foram os primeiros da classe nas míticas 24h de Le Mans. Em relação à RGR, que foi também uma equipa regular, mas que apenas venceu 2 provas no ano. Ficam com o mérito de fazer melhor que o chassis da Oreca, sendo este mais rápido que o Ligier que a RGR utiliza. Resta agora defender a 2ª posição no Bahrain e festejar uma época brilhante por parte de um dos melhores trios da classe. Um pormenor da vitória da Signatech Alpine no campeonato: Gustavo Menezes foi o primeiro americano a vencer um campeonato do mundo de sportscar em 35 anos.

Em Xangai, a G-Drive voltou a vencer, repetindo o 1º lugar alcançado em Fuji. Brundle esteve muito bem na corrida e foi dele o melhor stint da equipa. Rusinov pode agradecer ao britânico esta vitória conquistada com uma volta de vantagem sobre o 2º da classe, o carro da ESM. Filipe Albuquerque foi o último piloto da RGR a pilotar o carro, conseguindo, no braço, garantir o 3º lugar da prova. Foi um braço de ferro fantástico entre o português, que tentava adiar a festa da Alpine, e Nicolas Lapierre no carro francês.

A Manor, que tinha garantido a pole, perdeu um dos seus carros logo na primeira volta e não conseguiram dar a volta à situação. A equipa que até apresentou Alex Lynn como piloto para as 3 últimas rondas e reactivou o segundo carro em competição, não conseguiu até ao momento revelar nada de extraordinário. É certo que é uma equipa estreante no WEC, mas aquando da sua apresentação parecia que queriam mais do que realmente atingiram durante o ano.

 

GTE-Pro

Temos competição até ao fim nos Pro. Se no início do ano esperávamos batalhas intensas entre Ferrari e Ford, a Aston Martin respondeu presente e não se fez de rogada. Com um carro que apenas sofreu as alterações necessárias, assim como o Porsche, a AMR tem dado água pela barba aos senhores do dinheiro. Ontem perderam um carro e perderam pontos para a Ferrari, num dia em que poderiam fechar o campeonato. Não subiram ao pódio e com o único carro em prova, ficaram no meio dos dois Ferrari, no 4º lugar. Quem precisou de reestruturar os planos a meio da época foi Ford, mas parece que as mudanças surtiram efeito. Tornaram a vencer e melhor, conseguiram o 1-2 no final das 6h. Se para o carro #67 foi um passeio no parque, ao terminar em 1º com mais de 50s de vantagem para o 2º classificado, o Ford #66, já este carro teve que se impor em relação ao Ferrari #51 de Calado e Bruni. Foi até ao fim, mas garantiram a melhor prestação para a marca americana desde o início do ano.

Em relação à Porsche não temos muito a relatar, apenas que esperamos ansiosamente pelo novo 911 RSR que felizmente, escapou aos cortes no grupo VAG e vai mesmo ser o novo carro GTE-Pro em 2017.

 

GTE-Am

A “nossa classe”. Duas tripulações em discussão pelo campeonato e as duas têm pilotos portugueses. Pedro Lamy levou a melhor a Rui Águas em Xangai, mas com a penalização pós corrida ao Porsche da KCMG, retirando-lhes o 2º lugar na corrida e entregando essa posição ao Ferrari #83 de Águas, Collard e Perrodo, a Ferrari fica em óptimas condições para vencer o campeonato na corrida final. Apenas precisam de completar 70% da prova no Bahrain para vencerem o campeonato, num ano em que o Aston Martin #98 venceu 5 provas em 8 possíveis até ao momento, mas valem os 50 pontos da vitória em Le Mans para a AF Corse e a desistência nessa prova do trio da marca britânica.

São dois carro à parte do resto da classe, onde é preciso haver mais concorrência, sendo que o Ferrari e o Aston Martin quase sempre discutem a vitória entre eles.

Pedro Mendes

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