Robert Kubica – Quando o azar ultrapassa um talento enorme

Muitas vezes damos por nós a pensar em pilotos que poderiam ter sido Reis no desporto motorizado mas que por vários motivos nunca conseguiram atingir o brilhantismo que o seu talento antevia. A lista é bem grande e muitos dos escolhidos fariam ainda as maravilhas dos fãs, mas há um nome que poderia ter sido um dos maiores de sempre… um homem que mostrou tanto potencial que ainda hoje chega a ser comparado aos melhores da actualidade: Robert Kubica.

 

Kubica foi sem sombra de dúvidas um dos maiores talentos da sua geração. Nos Karts mostrou logo ao que vinha, vencendo com facilidade na Polónia, onde não tinha concorrência à altura, passando depois para Itália onde venceu também, seguido dos campeonatos europeus onde também deixou a sua marca. O nome começava a ganhar fama e depressa chegou à Formula Renault 2.0, onde continuou a impressionar. Passou pela Formula 3, conseguiu bons resultados, sendo o mais significativo a pole position no GP de Macau, ficando com o record de pista em seu nome. Nunca venceu no Circuito da Guia ficando por 2 vezes em 2º. Venceu também a Formula Renault 3.5 até chegar à tão desejada F1.

Entrou no grande circo pela BMW em 2006, como piloto de testes. A sua entrada na equipa estava prevista para 2007, mas um acidente de Villenneuve obrigou o polaco a mostrar serviço mais cedo. Na sua primeira corrida fez 7º, depois de se qualificar em 9º, fazendo melhor que um tal de Heidfeld, seu colega de equipa.

À 3ª corrida conseguiu o seu primeiro pódio, no GP da Itália, confirmando o seu talento perante os melhores pilotos do mundo. O seu nome já estava escrito na F1 mas haveria ainda mais para contar. Conseguiu um 6º no final do campeonato em 2007 e 4º em 2008, ano da sua primeira vitória, no GP do Canadá. Em 2009 o ano começou mal para o piloto, com um BMW Sauber pouco competitivo. O carro sofreu melhorias e os resultados também começaram a surgir mas não era suficiente para voltar aos pódios, ele que tinha alcançado 7 no ano anterior. A BMW anunciou a saída da F1 e isso fez que Kubica ficasse livre para procurar outros caminhos.

 

O destino levou-o até a Renault, marca que lhe deu as primeiras oportunidades (fez parte do programa de jovens pilotos da marca antes de entrar na F1). A equipa vinha de uma fase terrível, depois do “Crashgate” e o piloto sempre teve a noção que não tinha um contrato a longo prazo com a equipa, dada a instabilidade. A entrada da Genii e de Eric Boullier amenizou a situação e o piloto foi confirmado até 2012.

Robert manteve um nível elevado, tanto que no final de 2010 foi considerado por Mark Hughes, um dos maiores jornalistas da modalidade, o melhor piloto de F1 naquele tempo, baseando a sua opinião nos desempenhos do piloto nas pistas onde o talento do piloto faz a diferença… Monaco, Spa e Suzuka, onde conseguiu pódios à excepção de Suzuka, onde foi obrigado a desistir sem culpas. Mas ainda assim mostrou nesse fim de semana que era o mais rápido dos pilotos atrás dos Red Bull e que só ele os poderia colocar em sentido.

 

Kubica foi falado para a Ferrari, numa altura em que Massa estava pressionado pela Scuderia. Se o brasileiro não melhorasse, Kubica seria o escolhido, mas a equipa acabou por manter Massa.

2011 foi o ano em que tudo mudou. A Renualt tinha agora o nome de Lotus, uma base mais estabilizada e os sinais eram animadores nos primeiros testes… Kubica tinha sido o mais rápido da última sessão em Valência. Mas o mundo do piloto foi virado de cabeça para baixo, depois de um grave acidente no rally Ronde di Andorra. O piloto teve uma saída de pista, acabando com um rail enfiado pelo Skoda Fabia S2000 dentro. Sofreu fracturas múltiplas e uma amputação parcial do braço direito. A reabilitação iria ser demorada e a Renault, que manteve o contrato do piloto em 2011 (Heidfeld foi o seu substituto), foi obrigada a recorrer a Grosjean e Raikkonen para enfrentar 2012. Começava-se a entender que dificilmente voltaríamos a ver Kubica num F1… tal suspeita revelou-se verdadeira.

Kubica regressou em 2013, quando começou a fazer ralis, primeiro no ERC e depois no WRC2, onde foi campeão. Mas a transição para o WRC não foi a melhor. O piloto teve muitos erros de pilotagem e acabou várias vezes de cabeça para baixo, com o carro capotado. 2015 foi o último ano em que competiu a sério no WRC onde nunca conseguiu impor-se verdadeiramente.

 

O azar pautou a carreira de Kubica. A sua estreia na Formula 3 foi adiada devido a um acidente que lhe afectou o braço direito, que ficou literalmente preso por parafusos. Mesmo assim foi capaz de vencer! Em 2007 sofreu um terrível acidente no Canadá, onde embateu a mais de 300Km/h contra um muro de protecção. Ficou apenas fora de combater durante uma corrida por precaução, sendo substituído por Vettel. Foi no Canadá que venceu a sua única corrida na F1.

A sua atitude “pé na tábua” valeu-lhe alguns problemas e dissabores mas nem por isso desistiu e continuou sempre a lutar por aquilo que achava seu por direito. O acidente de 2011 poderia ter acabado com a moral do piloto, mas Kubica foi o primeiro a dizer estava disposto a tudo para regressar à F1. Mas até na sua recuperação teve azar, quando sofreu uma queda à porta de sua casa que lhe voltou a fracturar a perna à qual tinha sido operado por altura do seu acidente.

 

Kubica era bravo. Era um piloto que dava tudo e que não tinha medo de arriscar. Era rápido como um raio e o seu talento era enorme… quanto a nós, tão grande quanto o de Alonso ou Hamilton. Os seus números na BMW Sauber reflectem um pouco do que poderia ter feito: 1 vitória, 12 pódios e 1 pole. Nos ralis conseguiu adaptar-se mas arriscou sempre em demasia e o seu braço provavelmente não lhe dava capacidade para responder a todas as situações. A 100% não temos dúvidas que teria capacidade para lutar pelos lugares cimeiros. O seu talento ainda é útil às equipas de F1 e no ano passado o piloto trabalhou para a Mercedes no seu simulador. Testou este ano o simulador da Renault mas no que a F1 diz respeito deverá ser o máximo que conseguirá… afinar a máquina para outros.

O futuro de Kubica é incerto mas parece-nos que poderia ser feliz nos GT`s. Zanardi mostrou que mesmo com adaptações especificas, pode vencer na categoria, como tal Kubica poderia também  ser feliz aí. Mas custa ver um dos homens com mais talento que passou na F1 não ter oportunidade de lutar pelo título. Era um sonho ver Hamilton, Alonso e Kubica a lutarem entre si, agora acompanhados dos novos grandes talentos da F1. O desporto motorizado merecia que Kubica não tivesse aquele acidente em 2011.

 

Fábio Mendes

 

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