F1 – GP do Brasil: Antevisão

Penúltima jornada do campeonato do mundo de F1. O grande circo caminha para o final e restam apenas 2 provas para a cortina descer. Brasil é a paragem neste fim de semana, um dos GP mais aguardados pela mística que o país tem, tendo dado ao mundo campeões que ficaram na memória de todos e pelos fãs apaixonados pela modalidade que enchem invariavelmente as bancadas com cor, emoção e muita alegria.

 

O autódromo José Carlos Pace em São Paulo foi inaugurado em 1940 e faz parte do calendário durante as últimas 4 décadas, com excepção de 9 anos em que o GP migrou para o circuito de Jacarepaguá. Também é conhecido como Interlagos pela proximidade ao famoso bairro, localizado entre dois lagos artificiais, Guarapiranga e Billings. Tal como o circuito COTA, é realizado no sentido anti-horário, obrigando os pilotos a um período de adaptação a diferentes forças G laterais.

Tentando manter-se a par da modernização introduzida pelos circuitos mais recentes do calendário, o autódromo tem sido alvo de sucessivas remodelações. No ano passado tivemos um acesso à box mais amplo, infra-estrutura remodelada no paddock e uma nova escapatória no “S do Senna”. . Para ajudar nas contas, a imprevisibilidade da meteorologia poderá ser determinante na estratégia adoptada pelas equipas, que em situações normais deverá passar por 2 a 3 paragens. O clima tropical pode determinar uma chuva repentina – a previsão atual indica que tal pode acontecer. A carga aerodinâmica é condicionada pela altitude do circuito, que apesar de não atingir os mesmos valores que no México, situa-se a uns respeitáveis 785m de altura.

Foto: Facebook Red Bull
Foto: Facebook Red Bull

 

O circuito é constituído por 15 curvas: 5 à direita e 10 à esquerda. A maior parte das curvas são feitas em alta velocidade, sendo a pista composta por dois sectores rápidos (S2 e S3) e um relativamente mais técnico (S1). O S1 requer alguma perícia entre as zonas da “Descida do Lago” e o “Pinheirinho”, bem como no gancho que se situa antes da zona do “Mergulho”. A partir da “Junção” até ao “S do Senna”, as condições são as ideais para extrair a potência máxima do monolugar, rodando em média sempre acima dos 250km/h. Não será de espantar que as unidades Mercedes se encontrem mais à vontade neste tipo de circuito, ao contrário da Honda e da Renault.

 

Com algum saudosismo, os fãs mais antigos recordam as performances dos motores V10 e V8 nos seus tempos áureos, referindo que “nessa altura é que os carros eram rápidos”. Apesar de essa verdade estar a ser cada vez mais diluída, as condicionantes da pista influenciam muito essa afirmação, deixando algumas excepções à regra.Os actuais V6 mostraram-se muito mais inabalados pela altitude do que qualquer motor atmosférico de 8 ou 10 cilindros. Basta ver as velocidades que se atingiram no México este ano para ver que estas unidades motrizes podem não cantar bem mas andam muito.

 

Pontos de interesse:

Rosberg com uma mão no título: O alemão pode cumprir o sonho de criança já no próximo domingo. Se vencer será coroado campeão do mundo. E mesmo que não vença, tem muitas hipóteses de o conseguir já este fim de semana. Hamilton não tem tido propriamente um registo famoso nos últimos tempos em Interlagos, embora tenha sido aí que conquistou o primeiro titulo em 2008. Será que Rosberg continuará com a postura cautelosa ou tentará fechar já as contas do título para não ter de ir “à negra” em Abu Dhabi.

 

Red Bull em modo relax: A época está feita, o 3º lugar no campeonato de pilotos está entregue a Ricciardo e o 2º no campeonato de construtores não deve fugir. Assim a Red Bull entra sem pressão e com vontade de estragar a festa à Mercedes. Num circuito com curvas médias e rápidas em apoio, os Bull´s poderão ter uma palavra a dizer, agora que a unidade motriz francesa já consegue acompanhar a potência dos adversários germânicos. E claro temos Verstappen que não foge a uma boa polémica. O rapaz gosta de andar nas bocas do mundo e com ele em pista a probabilidade de falatório aumenta. Depois da polémica do México veremos como reage Max em pista.

 

Ferrari em busca de soluções: Já se sabe que o monolugar da Scuderia é muito sensível às variações de temperatura. A equipa sabe-o e tem estado a estudar soluções. Arrivabene disse que já chegaram ao cerne da questão mas provavelmente já será tarde para fazer o que quer que seja ao chassis este ano. Dependendo das condições climatéricas poderemos ter uma Ferrari a lutar pelo pódio ou a tentar um lugar no top 5. Muita curiosidade para ver a reacção de Vettel depois da desclassificação do México que deverá ter sido um golpe duro de aceitar, assim como se a equipa lhe colocou algum travão na língua afim de evitar males maiores.

 

Meio da tabela: A luta Williams vs Force India ainda e sempre. Vai ser até ao ultimo metro e é uma das boas lutas que queremos seguir. Massa joga em casa pela última vez e quer fazer um brilharete, Pérez e Hulkenberg querem um bom resultado e Bottas quer agradecer o novo contrato. Ao nível motivacional este quarteto está nos píncaros e deverão proporcionar boas lutas. Na Toro Rosso está se a rezar para que chova e assim a equipa possa aproveitar o excelente chassis que tem, na McLaren espera-se que Alonso não tenha trazido a cadeira de praia e que a equipa lute por bons pontos, na Haas teremos um Gutierrez de malas feitas e pelos vistos sem lugar para 2017 (golpe na moral ou motivação extra para sair em grande?) e na Renault teremos um Magnussen com vontade de sair o mais rapidamente possível e um Palmer feliz da vida por saber que se vai manter na equipa em 2017.

Fim da tabela: Nasr deverá querer mostrar mais do que tem feito ultimamente. Ainda não é certa a sua permanencia na F1 e a Sauber parece agora a única solução, numa altura em que a F1 corre o risco de não ter um piloto brasileiro em 2017, algo raro. A Sauber procura marcar o primeiro ponto este ano e tem mostrado sinais de que poderá conseguir. A Manor terá de gerir bem Wehrlein que estará frustrado por não ter sido ele o escolhido para a vaga da Force India. Ocon chegou e já vai partir para uma equipa maior e o alemão ficará mais um ano na Manor ao que tudo indica.

 

Num fim de semana muito quente ao nível das emoções , ha pilotos com vontade de mostrar serviço, outros mais relaxados com a definição do seu futuro e outros empenhados em lutar pelos seus objectivos. Está tudo ao rubro!

Dados da pista:

Sentido: Anti-horário

Comprimento: 4.309 km

Distância de corrida: 305.909 km

Curvas: 15 (5 à direita; 10 à esquerda)

G-Force máxima: 5.0 G

Meteorologia típica: Possibilidade de chuva

Temperatura média da pista: 26º

Voltas: 71

Volta record em corrida: Nico Rosberg, 2014, 1:10.023

Volta record: Rubens Barrichello, 2005, 1m09.822s

 

Passagens de caixa por volta: 42

Nível aerodinâmico: Médio-Alto

Pneus: Médios e Macios e duros

Horários

 

Traçado da pista

Sem Título

 

Onboard da Pista:

No ano passado foi assim:

 

 

 

Fábio Mendes

Marcos Gonçalves

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