F1 – GP do Brasil: Análise às equipas

Uma corrida para a história. Resumidamente foi o que aconteceu no circuito de Interlagos. O traçado brasileiro brindou-nos novamente com uma corrida emocionante e é uma pena não ter sido esta a última prova do ano. Quando se diz que Interlagos pode sair do calendário dá-nos uma dor no coração. Não só por ser a “casa” de grandes nomes da F1, mas por ser uma das pistas que melhores corridas nos dá. Não só havia de se manter no calendário indefinidamente, como deveria ser a última corrida do ano. Em pista tivemos drama, emoção, e uma mostra de talento indiscutível por parte da maioria dos pilotos do grid. Naquelas condições de aderência e visibilidade, eu tinha saído do carro com dores nas costas… ou nas unhas. Tudo seria boa desculpa para evitar aquelas condições, mas os pilotos não enfrentaram a água como deram um tremendo espectáculo.

 

Mercedes – Hamilton venceu no palco do seu ídolo

Se Hamilton precisava de ser perfeito para levar a luta pelo título para a última prova do ano, o britânico conseguiu isso mesmo. Foi imperial durante todo o fim de semana e em corrida esteve perfeito. Não correu riscos, porque também não foi obrigado a tal mas as condições climatéricas eram tão difíceis que qualquer um podia ter metido o “pé na poça”. Nos recomeços de corrida, Hamilton esteve sempre muito melhor e nunca foi surpreendido. Mereceu inteiramente a vitória e se não fosse um tal de Verstappen, toda a gente estaria a elogiar a compostura de Lewis. Quanto a Rosberg, a postura cautelosa ia-lhe arranjando problemas. Verstappen não estava interessado em lutas pelo titulo e queria o melhor lugar possível e colocou Rosberg em apuros. A corrida acabou por lhe correr de feição embora tenha apanhado um grande susto quando o carro lhe fugiu, conseguindo o alemão controlar a máquina. estrelinha da sorte e trabalhos redobrados na lavandaria pois a roupa interior não deve ter ficado em grande estado. O líder manteve-se líder e apenas precisa de fazer o costume para levar o caneco.

 

Lewis Hamilton: Nota 9

Nico Rosberg: Nota 8

Mercedes: Nota 9

 

Red Bull – Verstappen fez história!

Uma mistura de Senna e Schumacher dizem alguns… outros comparam a prestação de Verstappen a Donigton 1993, onde Senna deu um baile a toda a gente. Não iria tão longe mas Verstappen fez história! Einstein deve estar a fazer contas de cabeça no seu túmulo, questionando as regras da física. Adrian Newey deve estar na frente do seu quadro com o desenho do RB12 com as cabeça entre as mãos e a dúvida ” este carro não era suposto fazer isto”. Verstappen deixou ficar mal toda a gente. Um miúdo de 19 anos enfrentou uma das corridas mais difíceis desde talvez Canadá 2011 e fez o que quis da concorrência. Deu na boca a toda a gente e só por falha na estratégia não desafiou Hamilton. Aquelas últimas 15 voltas são um regalo de assistir. Ultrapassou pela esquerda, pela direita, onde os outros iam em bicos de pés ele arriscou e foi até onde ninguém esperava. Ricciardo, que não é manco nenhum e fez um par de excelentes ultrapassagens, foi colocado para canto com a exibição monstruosa de Verstappen. Quem assistiu à corrida de ontem poderá contar a história de quando Verstappen calou definitivamente os críticos. Pode não se gostar do estilo, da forma como está fora de pista, mas num F1, Max é de outro mundo. Não é normal um miúdo com 2 anos de experiência fazer o que ele fez. Desta vez merecidamente foi o piloto mais votado para melhor em pista. Que nos desculpem os outros pilotos mas Verstappen roubou o espectáculo a toda a gente e foi o melhor. Vimos história a ser escrita pela mão de um dos mais talentosos pilotos de F1 da actualidade. Senna, de lá de cima, viu e sorriu.

Max Verstappen: Nota 10

Daniel Ricciardo: Nota 8

Red Bull: Nota 7

 

Force India: 4º lugar no bolso…

A Force está de parabéns. Assegurou praticamente o 4º lugar e só uma hecatombe poderá retirar a equipa desse posto. O melhor resultado da história da equipa está prestes a ser carimbado e é com muita satisfação que o vemos. Sempre tivemos um fraquinho por esta equipa e sempre achamos que fazem muito com pouco. Desta vez a diferença esteve na peça que fica entre o banco e o volante. Pérez e Hulkneberg mostraram que investir em bons pilotos compensa sempre. Pérez ainda cheirou o pódio, mas um super-Verstappen não lhe permitiu tal. Hulkneberg também sonhou com o 3º mas o azar voltou a trama-lo com um furo na segunda metade da corrida o que o atirou para o fundo da tabela conseguindo ainda assim recuperar até ao 7º. Somos fãs desta dupla e é com pena que a vemos desfazer-se. Mas para a Force India valeu a pena e os milhões que entrarão no final da época serão muito bem vindos. Queremos mais um passo em frente.

Sérgio Pérez: Nota 9

Nico Hulkenberg: Nota 9

Force India: Nota 9

 

Ferrari – Nem a chuva lavou a desilusão

A chuva tem sempre a tendência para diluir as vantagens das máquinas e dar ao talento dos pilotos o relevo maior. E nestas condições pensávamos que Kimi e Vettel iriam tentar lutar por algo mais, mas infelizmente Raikkonen sofreu o mal de muitos e a praga das aquaplanagens atirou-o contra o muro. Vettel teve mais sorte e quando perdeu o carro não sofreu nenhum mal maior. Lutou muito, recuperou várias posições mas ficou novamente no papel de chorão quando Verstappen o “convidou” a experimentar os limites da pista. Queixou-se pela radio mas esqueceu-se que fez o mesmo a Alonso, que já avisou que para a próxima vai contra ele. Foi mais um fim de semana fraco por parte da Ferrari e não se espera nada de mais na última prova do ano. 2016 foi mais uma desilusão.

 

Sebastian Vettel: Nota 8

Kimi Raikkonen: sem nota

Ferrari: Nota 7

 

Toro Rosso: O novo milagre de Sainz

O homem tanto pediu chuva que ela finalmente apareceu. E não há fome que não dê em fartura diz o ditado popular. O espanhol afirmou que as condições da pista eram perigosas no final da corrida, mas ainda assim conseguiu um excelente 6º lugar, prova do seu talento e da valia do chassis. O espanhol fez uma excelente corrida e merece o 6º lugar conquistado… só foi pena ter facilitado tanto a ultrapassagem a Verstappen. Já Kvyat teve azar, quando sofreu o toque de Palmer, que não conseguia ver nada a sua frente. O Toro Rosso ficou danificado e o russo teve de sobreviver a uma pista difícil, num carro nada recomendável. Um esforço louvável mas que não deu resultados práticos-

Carlos Sainz: Nota 8

Daniil Kvyat: Nota 7

Toro Rosso: Nota 7

Sauber: Nasr, o salvador!

Só em condições destas é que a Sauber poderia sonhar em marcar pontos. E o sonho quase virou pesadelo com o acidente de Ericsson. A equipa ficava dependente de Nasr, e o brasileiro passou 2016 a desiludir. Mas ontem Nasr foi guerreiro. Aguentou como pôde com a estratégia delineada e conseguiu no final 2 pontos para a equipa que coloca a Sauber no 10º lugar do campeonato. Ainda não se sabe se o brasileiro tem o lugar garantido e falou-se que o seu patrocinador iria diminuir o prémio do piloto, mas Nasr arranjou maneira de compensar isso e já arranjou dinheiro para a equipa. Excelente corrida do brasileiro que, não nos cansamos de dizer, nos parece bem melhor que Ericsson, mas que por algum motivo não o mostrou este ano. Guardou o melhor para o final.

Felipe Nasr: Nota 8

Marcus Ericsson: sem nota

Sauber: Nota 7

 

 

McLaren: Alonso podia ter conseguido mais

Se não fosse aquele pião no último terço da corrida, Alonso poderia ter conseguido mais alguns pontos para a sua carteira e para a da McLaren. Mas no geral foi uma corrida algo discreta por parte do espanhol que soube gerir bem os acontecimentos e que estava bem dentro do top 10 quando o azar lhe bateu à porta. Já Button teve um dia para esquecer e tudo correu mal ao britânico. Ele insiste que algo está mal no carro e nunca conseguiu colocar temperatura suficiente nos pneus. Button é dos melhores neste tipo de condições mas nunca conseguiu mostrar a sua valia. Vivem-se tempos conturbados na equipa com Ron Dennis a tentar tudo para ficar na equipa. O ainda chefe da McLaren arranjou um investidor para comprar a maioria das acções mas os accionistas principais recusaram a propostas e colocaram as malas de Dennis à porta de casa. O britânico iniciou um processo jurídico mas o futuro da equipa parece agora cada vez mais incerto.

 

Fernando Alonso: Nota 7

Jenson Button: Nota 5

McLaren: Nota 5

 

Williams: acabou o sonho do 4º lugar

Um ano que se esperava melhor e que acaba de forma negativa para a equipa. A Force India tem o 4º praticamente assegurado e fica a desilusão da Williams, de quem esperávamos mais. Bottas acabou em 11º e Massa acabou no Muro. Ainda assim teve direito a uma salva de palmas do público e dos mecânicos de várias garagens num momento emocionante para quem viu. Massa merecia uma despedida em grande. 

 

Felipe Massa: Sem nota

Valtteri Bottas: Nota 6

Williams: Nota 5

 

 

Manor:  Ocon a justificar a escolha da Force India

Para quem, como nós levantou algumas dúvidas sobre a escolha de Ocon para o lugar de Hulkenberg, em detrimento de Wehrlein a prova foi dada ontem. O francês teve um desempenho muito maduro e inteligente e por pouco não conseguia ficar nos pontos. Wehrlein foi uma desilusão e a mensagem que recebeu de que tem de melhorar começa a fazer sentido. Foi um fim de semana triste para a equipa que viu os milhões do prémio de 10º lugar irem pelo cano abaixo.

Esteban Ocon: Nota 7

Pascal Wehrlein: Nota 5

Manor: Nota 6

 

Renault: Tudo correu mal

Palmer foi contra Kvyat e acabou logo aí a corrida dele, com danos consideráveis no carro e Magnussen tentou de tudo para inverter a tendência mas não foi bem sucedido. Colocou os pneus intermédios muito cedo e os extremos muito tarde. O resultado está à vista.

Jolyon Palmer: Sem nota

Kevin Magnussen: Nota 6

Renault: Nota 4

Pirelli – Melhores pneus exigem-se

E se os comissários usam o SC para começar as corridas, não porque gostam de ouvirem criticas, mas porque sabem que os pneus de chuva da Pirelli são fracos e que não evitam as aquaplanagens. Se calhar é esse o segredo da questão e que não é muito falado porque a Pirelli investe muito na F1 e para publicidade negativa já basta quando as borrachas rebentam. Para 2017 esperam-se pneus de chuva melhores e que evitem ao máximo as aquaplanagens.

 

Comissários – Assobiados com alguma razão.

Começar com o SC é sempre alvo de críticas mas tendo em conta as condições da pista pareceu me indicado. Toda a actuação do comissários foi boa a meu ver excepto a última bandeira vermelha que foi desnecessária. Aí sim meteram os pés pelas mãos e mereceram os assobios. Até aí tinha concordado com as decisões. É que correr à chuva é bom e todos gostam, mas ninguém quer ver cenas como as que vimos em Suzuka de novo. Sou contra demasiadas cautelas mas nem 8 nem 80.

A grande final está marcada para dia 27 em Abu Dhabi.

Classificação geral:

 

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Fábio Mendes

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