NASCAR Sprint Cup Series – Can-Am 500

A penúltima prova da temporada da NASCAR Sprint Cup Series foi na oval de Phoenix, na segunda passagem por esta oval nesta temporada. Esta era a hora das grandes decisões, com apenas duas vagas disponíveis para a final em Miami na próxima semana, e seis pilotos em luta pela entrada na final e pela oportunidade de chegarem ao título de campeão nesta categoria.

Jimmie Johnson (#48) e Carl Edwards (#19) já estavam qualificados para a final e não tinham que se preocupar com as suas posições nesta corrida.
Joey Logano qualificava-se pelos pontos se terminasse no 2º lugar e com, pelo menos, uma volta na liderança. Kyle Busch estava numa situação semelhante, precisando do 2º lugar e com o maior número de voltas lideradas nesta corrida, mas estava exposto a uma vitória dos quatro pilotos que, à partida para esta corrida, estavam em luagres de eliminação. Esses pilotos eram Matt Kenseth (#20), que estava com apenas um ponto de atraso, Denny Hamlin (#11) tinha apenas dois pontos de atraso, Kevin Harvick (#4) tinha 18 pontos de atraso e estava numa situação complicada, mas Harvick era o grande favorito à vitória nesta corrida e tinha grandes hipóteses de vencer em Phoenix, porque o campeão de 2014 já tinha oito vitórias nesta pista, e Kurt Busch (#41) tinha tinha 34 pontos de atraso e, realisticamente, apenas a vitória lhe dava o acesso à final.

Alex Bowman (#88) surpreendeu tudo e todos ao assinar a sua primeira pole position na sua carreira, com Kyle Larson (#42) no 2º lugar. Na segunda linha ficaram Chase Elliott (#24) e o melhor “Chaser”, Joey Logano. Na terceira linha ficaram Denny Hamlin e Kevin Harvick.
Os restantes pilotos da Chase ficaram da seguinte forma: Matt Kenseth em 10º, Carl Edwards em 11º, Kurt Busch em 12º, Jimmie Johnson em 17º e Kyle Busch apenas em 19º.

Na partida, Bowman defendeu-se muito bem de Larson, que estava por dentro e consolidou a liderança, mas Larson fez um pião na curva 3 quando se envolveu num toque com Joey Logano, que tentou passar por fora. Ainda antes da primeira volta estar concluida, a bandeira amarela foi mostrada pela primeira vez nesta corrida.

No recomeço, na volta 6, Bowman manteve a liderança, apesar de levar um toque de Logano, que ficou na frente de Harvick.

Bowman mostrou bom ritmo desde o arranque e controlou a sua vantagem de mais de um segundo para Logano com relativa facilidade. Kevin Harvick estava a andar para trás, a ser muito cauteloso e foi ultrapassado por Chase Elliott, Denny Hamlin, Austin Dillon (#3) e Jimmie Johnson, que estava a andar muito depressa nas primeiras voltas da corrida, chegando ao 6º lugar.

A partir da volta 45, Logano começou a aproximar-se lentamente de Bowman, e a diferença reduziu mais depressa quando os líderes encontraram tráfego. Logano acabou por não conseguir encostar-se a Bowman, também por causa do tráfego e ficou sob a ameaça de Elliott, que fez uma bela ultrapassagem na volta 54 para subir ao 2º posto.
Jimmie Johnson começou a colocar pressão em Logano e acabou por chegar ao 3º lugar na volta 70.

As paragens em bandeira verde começaram a partir da volta 80, com Kyle Busch e Kevin Harvick a serem os primeiros a parar nas boxes, mas a bandeira amarela saiu imediatamente, na volta 82, quando Kyle Larson travou para entrar nas boxes e Ryan Newman (#31) bateu-lhe na traseira. Ambos continuaram sem grandes problemas.
Nas boxes, Bowman saiu na frente de Logano, Johnson e Matt Kenseth. Muitos pilotos receberam um segundo “free pass” porque já tinham parado, entre eles Elliott, Hamlin, Edwards, Kyle Busch e Harvick.
Depois de alguma confusão quanto à sua posição em pista, Martin Truex, Jr. (#78), que começou esta corrida no carro de reserva, não recebeu um “free pass” e teve que cumprir uma penalização por ter ultrapassado o Pace Car na sua paragem nas boxes.

A corrida recomeçou na volta 91. Bowman resistiu ao ataque de Logano e manteve a liderança da corrida, com Kenseth a subir para 3º e Brad Keselowski (#2) para o 4º lugar.
Na volta 93, Logano atacou Bowman por fora, saiu bem da curva 4 e chegou à curva 1 em vantagem, passando a ser o novo líder da corrida. O objetivo de Logano, de conquistar um ponto por liderar uma volta, estava feito, e “bastava” agora terminar a corrida no 2º lugar para assegurar a sua presença na final.

Jimmie Johnson recuperou de um arranque algo lento e chegou ao 3º lugar, reduzindo a diferença para Bowman, que por sua vez estava mais perto de Logano. A batalha intensificou-se na volta 119, com o carro de Michael McDowell (#95) no meio. Bowman atacou por dentro na curva 1, Logano resistiu por fora e Johnson depois executou uma grande dupla ultrapassagem nas curvas 2 e 3, passando Bowman por fora e, depois de sair bem da curva 2, passando Logano por dentro. Jimmie Johnson era o novo líder.

Kyle Busch continuava com dificuldades em ganhar posições e lutava para entrar nos 10 primeiros, rodando em 12º, um pouco prejudicado com a sua paragem nas boxes antes da bandeira amarela, tal como Harvick, que era 16º.

A bandeira amarela voltou a surgir na volta 132 por detritos na pista.
Nas boxes, Jimmie Johnson cometeu um erro e seria penalizado. Tal como Martin Truex, Jr., ao entrar nas boxes, Johnson ultrapassou o Pace Car, e a NASCAR atribuiu-lhe logo a penalização, que foi a perda de uma volta, e não uma simples passagem para o final do pelotão. Logano foi o primeiro a sair das boxes, seguido por Bowman, com Kenseth e Keselowski em 3º e 4º no recomeço.

Bandeira verde na volta 140. Logano arrancou bem por fora e controlou Bowman, mantendo-se na liderança.

Logano tentou descolar de Bowman mas o piloto da Hendrick Motorsports estava realmente inspirado nesta corrida e não largou Logano. Na volta 157, Bowman avançou para a ofensiva e passou Logano com classe. Bowman podia estar a fazer corridas selecionadas em substituição de Dale Earnhardt, Jr., mas estava a deixar o seu nome marcado e estava determinado a mostrar que tem direito a um lugar no campeonato na próxima temporada.
Logano perdeu andamento para Bowman e foi depois passado por Kenseth, que subia ao 2º lugar, e Kasey Kahne (#5), que subia ao 3º lugar.

A bandeira amarela voltou na volta 212 por detritos na curva 1. Nas paragens nas boxes, Bowman saiu na frente de Kahne, Kenseth e Logano.

Recomeço da corrida na volta 218. Logano empurrou Bowman e ajudou-o a manter-se na frente da corrida. Na curva 2, Austin Dillon travou, Greg Biffle (#16) e Jimmie Johnson embateram num efeito concertina e fizeram sair a bandeira amarela. Johnson acabou por perder 24 voltas em reparações e foi o mais prejudicado nesta situação.

Novo recomeço na volta 229. Logano atacou Bowman mas este acabou por se defender muito bem.
Kenseth passou ao ataque para o 2º lugar e Logano defendeu-se como pôde, mas a resistência durou até a 65 voltas do fim. Kenseth passou Logano e deixou-o à mercê de Kyle Busch. Este atacou-o para o 3º lugar mas Chase Elliott intrometeu-se na luta e passou para o 4º posto.

A 56 voltas do fim acontece outro acidente na curva 1. Ryan Newman envolveu-se num toque com Martin Truex, Jr. e fizeram sair a bandeira amarela.
Denny Hamlin não parou e ficou na frente da corrida, com Kenseth em 2º, e o primeiro a sair das boxes. Kasey Kahne saiu em 3º e Kurt Busch saiu no 4º lugar, trocando apenas dois pneus.

Recomeço na volta 261. Kenseth optou por atacar na curva na reta oposta entre as curvas 2 e 3 e, com mais aderência nos pneus, saiu na frente. Kurt Busch tentou atacar Hamlin, mas sem sucesso.

Nova bandeira amarela a 47 voltas do fim, e novamente por detritos à entrada da curva 3.
Nesta altura, Kenseth estava qualificado para a final porque estava a liderar a corrida, e Hamlin e Logano tinham os mesmos pontos, com o desempate favorável a Hamlin.

Recomeço na volta 269. Kenseth arrancou bem por fora e não deu hipótese a Hamlin. Com melhores pneus, Logano pressionou Hamlin e passou-o por fora para subir ao 2º lugar e colocou-se em posição de entrada para a final. Kurt Busch aproveitou a boleia e subiu para o 3º lugar.
Kevin Harvick estava a recuperar posições e rodava em 7º quando se queixou à equipa de ter problemas no motor, mas apesar de tudo continuava a andar bem, mas estava a ficar sem tempo para vencer a corrida.
Hamlin tinha agora mais problemas com a borracha desgastada nos seus pneus e não tinha grandes hipóteses de defesa. Hamlin estava agora em 6º e tinha seis pontos de atraso para Logano, que ocupava o 4º lugar do campeonato, rodando em 2º na corrida, e tinha três pontos de vantagem para Kyle Busch, que era o 4º classificado na corrida.

Kurt Busch rodava em 3º e ainda tinha uma réstia de esperança de vencer a corrida, e não facilitou muito a tarefa ao seu irmão Kyle, que acabou por o ultrapassar a 30 voltas do fim. Kyle era 3º e o seu próximo alvo era Logano, mas para entrar na Chase por pontos tinha que passar Logano e esperar que este perdesse outra posição.
Alex Bowman era o piloto que podia dar uma ajuda a Kyle Busch. Depois de recomeçar a corrida do 7º lugar, Bowman era o piloto mais rápido em pista e chegou ao 4º lugar a 26 voltas do fim. Kyle Busch aproximava-se de Logano e Bowman aproximava-se de ambos. Na frente, Kenseth mantinha uma vantagem segura de dois segundos.

Bowman apanhou Busch a 19 voltas do fim e aproveitou um carro atrasado para ganhar vantagem posicional. Kyle defendeu-se bem durante duas voltas mas o ritmo de Bowman era demasiado forte e o piloto da Hendrick passou para o 3º lugar e ia à caça de Logano. Atrás deste trio, Harvick dava um último esforço para se chegar à frente da corrida e aproximava-se rapidamente.
A 15 voltas do fim, Logano deixou Bowman passar, tomando uma ação prudente. Logano caiu para 3º mas continuava dentro da Chase com dois pontos de vantagem para Kyle Busch.

Kyle Busch fez uma manobra muito importante a 13 voltas do fim ao passar Logano, subindo para o 3º lugar, mas ainda não era suficiente para passar Logano na Chase. Ambos tinham os mesmos pontos mas Logano tinha vantagem no desempate.
Kyle Busch tinha mais uma oportunidade de ter ajuda com Kevin Harvick, que estava colado a Logano. A sete voltas do fim, Harvick fez a primeira tentativa de ultrapassagem a Logano, mas o piloto da Penske agora tinha que defender a sua posição com tudo o que tinha.

Incrivelmente, para aumentar ainda mais o drama, Michael McDowall rebentou um pneu e bateu no muro a apenas duas voltas do fim. A corrida iria ter o recomeço em modo “NASCAR Overtime”, e a tensão era alta.
Os cinco primeiros não pararam nas boxes e a partir de Denny Hamlin, quase todos pararam. Hamlin foi o primeiro a sair das boxes e estava no 10º lugar, a oito pontos de Logano, que ainda ocupava o lugar de acesso à final.

A corrida recomeçou para o prolongamento e Kenseth arrancou bem, mas Bowman foi para o interior da pista para se proteger de Kyle Busch, levou um toque na traseira do campeão em título, o carro desequilibrou um pouco e tocou em Kenseth, obrigando-o a um pião e a um embate no muro. Kenseth não iria passar à fase seguinte da Chase, e Kyle Busch, que começou este acidente, era o grande beneficiado e passava para o 2º lugar, com Logano a liderar a corrida, e ambos dentro da Chase! A bandeira amarela voltava a surgir e teríamos mais uma tentativa de recomeço da corrida.
A situação da Chase era: Logano qualificado por liderar a corrida, Kyle Busch em 2º e qualificado, Hamlin era o próximo adversário, no 8º lugar, com sete pontos de atraso. Kenseth caiu para o 20º lugar.

Na segunda tentativa de recomeço, Logano estava na frente de Kyle Busch, com Harvick ainda com uma hipótese de vencer, em 3º, e Kyle Larson em 4º.
Na bandeira verde, Logano arrancou bem e conseguiu escapar a Kyle Busch, que teve que se defender de Larson.

Logano aguentou-se na última volta e venceu em Phoenix. Logano sobreviveu e com a vitória qualificou-se imediatamente para a final em Miami.

Kyle Busch resistiu a tudo e ainda teve benefício ao iniciar o acidente entre Bowman e Kenseth. O seu 2º lugar foi suficiente para passar à final de Miami pelos pontos. Kyle Larson acabou em 3º.

Kevin Harvick não esteve nos seus dias nesta pista e não foi além do 4º lugar, e o campeão de 2014 foi eliminado da final. Kurt Busch também foi eliminado, o seu 5º lugar a ser insuficiente. Só a vitória lhe dava a passagem.
Alex Bowman fez uma boa corrida e teve azar no acidente com Kenseth. Depois de liderar 194 voltas, o piloto da Hendrick foi 6º, seguido por Denny Hamlin, que foi eliminado por seis pontos da final, Ryan Blaney (#21) foi um excelente 8º classificado, Chase Elliott foi 9º e Paul Menard (#27) fechou os 10 primeiros.

Quanto aos outros pilotos na Chase, Carl Edwards andou apagado, com um 19º lugar, mas estará em Miami para tentar chegar ao título, Matt Kenseth, o piloto mais azarado e frustrado do dia, esteve a poucos metros de conseguir a qualificação, mas o toque de Bowman arruinou a sua temporada e Kenseth terminou em 21º, e Jimmie Johnson, também a pensar em Miami, ficou algum tempo na garagem para reparar o carro e terminou em 38º.

Classificação da Chase for the Sprint Cup

Pilotos qualificados para a final em Miami:

1º: Jimmie Johnson (#48) (Chevrolet) (Hendrick Motorsports) – 1 vitória (qualificado)
2º: Carl Edwards (#19) (Toyota) (Joe Gibbs Racing) – 1 vitória (qualificado)
3º: Joey Logano (#22) (Ford) (Team Penske) – 1 vitória (qualificado)
4º: Kyle Busch (#18) (Toyota) (Joe Gibbs Racing) – 4113 pontos

Pilotos eliminados da final em Miami:

5º: Denny Hamlin (#11) (Toyota) (Joe Gibbs Racing) – 4107 pontos (6 pontos abaixo do 4º lugar)
6º: Matt Kenseth (#20) (Toyota) (Joe Gibbs Racing) – 4094 pontos (19 pontos abaixo do 4º lugar)
7º: Kevin Harvick (#4) (Chevrolet) (Stewart-Haas Racing) – 4093 pontos (20 pontos abaixo do 4º lugar)
8º: Kurt Busch (#41) (Chevrolet) (Stewart-Haas Racing) – 4076 pontos (37 pontos abaixo do 4º lugar)
Resultados finais: http://www.jayski.com/stats/2016/pdfs/35phx2016results.pdf

A grande final na oval de Homestead, em Miami será no próximo domingo. Jimmie Johnson, Carl Edwards, Joey Logano e Kyle Busch. Destes quatro, aquele que ficar melhor classificado será o campeão da NASCAR Sprint Cup Series, A título de curiosidade, um deles será o último campeão da “Sprint Cup Series”, uma vez que a Sprint, que é uma empresa de telecomunicações, não vai renovar o acordo de patrocínio da categoria máxima da NASCAR e o contrato atual acaba no final deste ano.

 

Jorge Covas

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