NASCAR Sprint Cup Series – Ford EcoBoost 400

Depois de trinta e cinco corridas de grande emoção e de grandes lutas, era finalmente chegada a hora de saber quem seria o campeão da NASCAR Sprint Cup Series de 2016, com a corrida que foi realizada na oval de Homestead-Miami Speedway.

Os quatro pilotos que iriam lutar pelo título eram Kyle Busch (#18), que partia como favorito por ter vencido no ano anterior e que defendia o título de campeão de 2015, Jimmie Johnson (#48), o seis vezes campeão, e que tentava igualar os recordes de Richard Petty e Dale Earnhardt com sete títulos, Joey Logano (#22), à procura do seu primeiro titulo e Carl Edwards (#19), que já tinha sido vice-campeão por duas vezes, e na última em 2011 perdeu o título em cima da meta para Tony Stewart (#14), que se iria retirar da NASCAR depois desta corrida. Para estes quatro pilotos a situação era muito simples: aquele que conseguisse o melhor resultado nesta corrida seria declarado campeão.

Kevin Harvick (#4) fez a pole position em Miami na última corrida da Stewart-Haas Racing com a Chevrolet, e tinha ao seu lado Brad Keselowski (#2), com Ryan Newman (#31) num excelente 3º lugar e Denny Hamlin (#11) em 4º. Chase Elliott (#24) foi 5º, depois de ser o meis rápido na primeira e segunda de três rondas de qualificação, e Martin Truex, Jr. (#78) em 6º.
Os quatro pilotos a lutar pelo campeonato não impressionaram na qualificação. O melhor à partida era Kyle Busch, em 9º, seguido por Carl Edwards, em 10º. Joey Logano foi 13º e Jimmie Johnson inicialmente iria partir de 14º, mas um ajuste não aprovado pela NASCAR fê-lo recuar para o final da grelha na partida para a corrida, o que nesta prova, com tanta coisa em jogo, não era a melhor maneira de começar.
Na sua última corrida na NASCAR, Tony Stewart qualificou-se no 11º lugar e tentava fechar com um grande resultado.

Pela última vez em 2016 a partida foi dada e Kevin Harvick assumiu imediatamente a liderança, na frente de Brad Keselowski.
Carl Edwards arrancou bem nesta corrida e rapidamente passou por Kyle Busch e mais alguns carros até chegar ao 4º lugar, e em 10 voltas, Jimmie Johnson passou de 40º para 20º.

Carl Edwards continuava a subir na classificação e passou por Denny Hamlin na volta 18 para chegar ao 3º lugar. Kyle Busch era agora o 6º classificado e Jimmie Johnson já vinha em 13º.

A primeira bandeira amarela surgiu na volta 30, quando Ryan Blaney (#21) bateu no muro na volta 25.
Todos pararam nas boxes pela primeira vez e Denny Hamlin saiu em primeiro mas foi em resultado de se ter perdido e não ter conseguido entrar na sua box, e teve que entrar novamente nas boxes na volta seguinte, saindo em 31º. Harvick ficou na frente, com Edwards em 2º, Keselowski em 3º e Kyle Busch em 4º.

A corrida recomeçou na volta 32. Harvick teve um ataque forte de Edwards, que tentou ser agressivo por dentro. Harvick tentou bloquear na curva 3 mas a traseira ficou instável, mas Edwards precisou de mais uma volta para concretizar a ultrapassagem. Edwards era o novo líder da corrida.
Harvick voltou à carga na volta 35, saindo bem da curva 4, entrando forte na curva 1 e fazendo um “slide job” na curva 2 para recuperar o comando.

Harvick não conseguia largar Edwards na frente da corrida. Joey Logano estava ao ataque e passou rapidamente de 8º no recmeço para o 3º lugar, na frente de Kyle Busch.

As paragens em bandeira verde começaram na volta 67, com Joey Logano, em 3º, a ser o primeiro a entrar, muito mais cedo do que todos esperavam, numa tentativa de ganhar tempo aos rivais.
Harvick respondeu na volta seguinte ao entrar nas boxes, juntamente com Jimmie Johnson, que rodava em 6º. Kyle Busch entrou na volta 69 e Carl Edwards decidiu ficar em pista até à volta 70, e quando voltou à pista manteve-se no 2º lugar, mas ficou longe de Harvick, com seis segundos de atraso, perdendo dois segundos por volta com pneus usados.

A bandeira amarela voltou na volta 80. quando Jeffrey Earnhardt (#83) fez um pião na curva 4.
Todos voltaram a parar nas boxes, apesar de ter sido um turno muito curto, e Harvick saiu na frente, com Logano a passar Edwards para o 2º lugar, e Busch em 4º.

Recomeço na volta 86. Logano atacou Harvick sem hesitar e chegou à curva 1 na frente da corrida, passando a ser o novo líder, e Edwards era o 2º classificado.
Edwards pressionou Logano, saiu bem da curva 4 e passou-o na reta da meta na volta 93, recuperando a liderança da corrida.

Kyle Larson (#42) rodava no 7º lugar e decidiu passar para a trajetória superior. Com isso foi passando vários carros, incluindo Johnson, Busch, Harvick e Logano, até chegar ao 2º lugar, e ganhava tempo a Edwards, o líder. Entretanto Logano caiu para 4º, atrás de Harvick. Busch era 5º e Johnson era 6º e com dificuldades com a afinação do seu carro.

Na volta 118, Kyle Busch passou Logano para o 4º lugar e Kyle Larson, que continuava extremamente rápido, passou Edwards por fora nas curvas 3 e 4 com uma grande facilidade e chegou à liderança da corrida, e no final dessa volta, Logano foi o primeiro a entrar nas boxes.
Kyle Busch parou na volta seguinte, tal como Harvick. Johnson parou na volta 121 e fez uma paragem lenta pela segunda vez nesta corrida, a primeira foi quando um mecanico escorregou ao pisar as porcas. Johnson caiu para o 11º lugar. Edwards também parou nesta volta.
O líder, Larson, parou na volta 122 e voltou à pista atrás de Edwards. Uma volta fez toda a diferença.

Larson chegou rapidamente a Edwards e usou o tráfego para se colocar em boa posição no meio da pista na curva 1 e não deu hipóteses ao piloto da Joe Gibbs, voltando à frente na volta 126.
Larson cometeu um erro entre as curvas 3 e 4 mas conseguiu controlar o seu Chevrolet. Edwards viu uma oportunidade e voltou à frente na volta 137. Nesta volta, Kyle Busch teve problemas e entrou para as boxes com um furo lento. A sua paragem não programada atirou-o do 5º para o 21º lugar, perdendo uma volta. Busch estava com grandes problemas mas iria tentar usar os pneus novos para recuperar a volta de atraso ou ficar na posição do “lucky dog” para voltar à volta do líder numa bandeira amarela.

Larson voltou à carga a Edwards e mantinha-se sempre na linha superior, encostado ao muro, e atacou na volta 144 na reta da meta e passou novamente para a frente.

Mais uma ronda de paragens a partir da volta 153, com Joey Logano a inaugurar mais uma vez as paragens. Edwards parou juntamente com Larson, na volta 155, e as posições não se alteraram.
Kyle Busch não parou e chegou temporariamente ao 2º lugar, mas tinha agora pneus mais usados e estava a perder posições, e agora esperava que chegasse uma bandeira amarela rapidamente para se manter na volta do líder.

A bandeira amarela voltou na volta 171 por detritos na curva 1. Para Kyle Busch, que ciu para 5º, foi a situação perfeita porque assim ficava em boa posição e em igualdade de circunstância em pneus e combustível para os outros. Jimmie Johnson também teve sorte porque estava perigosamente perto de perder uma volta para o líder, em 10º.
Nas paragens nas boxes não houve alterações nos quatro primeiros e a ordem era: Larson, Edwards, Harvick e Logano.

Recomeço na volta 179. Enquanto Larson deixava para trás Edwards, Keselowski e Martin Truex, Jr. (#78), por dentro e por fora, atacaram os líderes. Logano saiu bem da curva 2 e passou Edwards para chegar ao 2º lugar.

Larson afastou-se de Logano, ganhando mais de dois segundos. Edwards manteve-se sempre perto de Logano e depois de uma série de ataques, finalmente passou para o 2º lugar na volta 206.

Ryan Blaney voltou a provocar uma bandeira amarela a 61 voltas do fim quando bateu no muro na curva 1.
Todos pararam nas boxes mais uma vez nesta corrida. Larson saiu novamente na frente, Logano passou para 2º, Kyle Busch para 3º e Harvick para 4º. Edwards caiu três posições e Johnson era 6º.

Recomeço a 55 voltas do fim. Logano encostou-se a Larson para tentar peturbar a aerodinâmica mas Larson avançou confiante por fora nas curvas 1 e 2 e manteve a liderança. Kyle Busch tomou a iniciativa e passou Logano, ficando no 2º lugar e nesta altura era o melhor piloto dos quatro a lutar pelo título.

Busch conseguiu afastar-se de Logano, ganhando cerca de dois segundos ao piloto da Penske, que era pressionado por Harvick e Edwards. Harvick deixou passar Edwards e este foi à caça de Logano, passando-o a 34 voltas do fim, e agora iniciava uma perseguição ao seu colega de equipa, Kyle Busch. Mais atrás, Johnson rodava em 6º mas não tinha carro para chegar mais longe, e precisava de algo especial para chegar ao título.

Em oito voltas, Edwards chegou à traseira de Busch e rapidamente passou ao ataque, chegando ao 2º lugar a 25 voltas do fim. Busch tentou ripostar entre as curvas 3 e 4 mas sem sucesso. Edwards era o campeão virtual.

Dylan Lupton (#32) trouxe mais emoção à Chase quando rebentou um pneu e trouxe a bandeira amarela a 15 voltas do fim.
A pressão estava nos mecânicos para fazerem sair os seus pilotos na melhor posição possível. Todos pararam e Larson saiu na frente, com Edwards em 2º. Logano subiu ao 3º lugar, Harvick era 4º, Johnson era 5º e Kyle Busch caiu para o 6º lugar com uma paragem lenta. Busch estava em maus lençóis.

A bandeira verde foi mostrada a apenas 10 voltas do fim e… um grande acidente. Tudo começou quando Logano veio para baixo atacar Edwards. Este fechou a porta com agressividade mas leva um toque já no “apron” e bate violentamente contra o muro. Logano voltou à pista na curva 1, Brad Keselowski tenta evitá-lo mas vai contra Ryan Newman e Martin Truex, Jr., que fica com o carro em chamas. Ainda envolvidos neste acidente ficaram Chase Elliott, Ty Dillon (#95), Kasey Kahne (#5), que deu uma pancada muito violenta no carro de Edwards, Regan Smith (#7) e Austin Dillon (#3). Com isto a NASCAR optou por mostrar a bandeira vermelha.
Neste acidente, Logano escapou mas ainda ficou com alguns danos no carro e um pouco atrasado, no 9º lugar, o grande beneficiado foi Busch, que passou para o 3º lugar e era nesta fase o campeão virtual. Johnson ficou em 4º e Edwards ficou fora de prova e acabou ali o seu sonho de vencer pela primeira vez o título.

Depois de mais de 30 minutos, a corrida voltou à bandeira amarela mas os trabalhos de limpeza ainda continuavam.
Os líderes ficaram em pista e Logano parou nas boxes, e atrás dele todos pararam. Era a única hipótese de Logano chegar ao título, que tinha agora pneus novos e o carro em melhor estado, e não perdeu posição, estando no 8º lugar.

A corrida recomeçou a cinco voltas do fim. Larson partiu bem, Johnson foi agressivo e passou Busch na reta da meta e Harvick por fora na curva 1, subindo ao 2º lugar, mas ainda mais espetacular foi Logano, que veio de 8º para 3º. Logano a fazer um milagre.
Ricky Stenhouse, Jr. (#17) fez um pião na curva 2 e fez sair a bandeira amarela.
Kyle Busch tomou uma decisão que o deixou fora do título, ao parar nesta bandeira amarela. Poucos pilotos pararam e Busch caiu para o 13º lugar.

A corrida e a decisão do título foi para prolongamento, em modo NASCAR Overtime. No recomeço, Logano empurrou Johnson mas este bloqueou miito bem a manobra e ganhou tanta velocidade que acabou por ficar na frente de Larson e na frente da corrida. Logano teve problemas na saída da curva 2 e caiu para o 4º lugar.

Larson tentou por fora encostar-se a Johnson só que o piloto da Hendrick Motorsports não facilitou e conseguiu fugir ao jovem da Ganassi.

Johnson aguentou-se na frente até à linha de meta e quando a cruzou, venceu a corrida em Miami. Esta vitória foi a sua primeira vitória nesta oval, foi a sua 80ª vitória da carreira e foi o primeiro piloto nesta temporada a vencer uma corrida depois de arrancar do último lugar, mas mais importante, Jimmie Johnson sagrou-se campeão de 2016 da NASCAR Sprint Cup Series. Jimmie Johnson é agora uma lenda do desporto e conquistou um incrível sétimo título de campeão. Johnson fez um milagre em Miami, uma vez que nunca esteve em posição de poder bater os seus três adversários durante quase toda a corrida, mas as bandeiras amarelas e os constantes ajustes no carro (num grande trabalho do chefe de equipa, Chad Knaus, e dos seus mecânicos) permitiram fazer uma recuperação improvável. Jimmie Johnson está no topo do mundo com este título, e a partir de agora o seu objetivo é chegar ainda mais longe e tentar ser o primeiro piloto na história da NASCAR a vencer oito títulos. A sua caminhada começa a partir da próxima temporada.

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Kyle Larson dominou grande parte da corrida e merecia a vitória mas foi surpreendido com a velocidade de Johnson no último recomeço. Larson terminou uma grande corrida no 2º lugar, e Kevin Harvick acabou em 3º.

Joey Logano terminou esta corrida no 4º lugar, nunca desistindo depois do acidente com Edwards até ao fim, mas quando não conseguiu passar Johnson no último recomeço, ficou imediatamente sem carro para ganhar o campeonato. Logano é o vice-campeão.

Jamie McMurray (#1) foi o 5º classificado, Kyle Busch recuperou no último recomeço do 13º para o 6º lugar, mas no penúltimo recomeço, quando teve demasiada derrapagem, e perdeu posições para Johnson e Logano, viu as suas hipóteses de vencer reduzidas, mas a sua paragem já no final foi a pior decisão que podia ter tomado. Busch ficou assim no 3º lugar dos pilotos da Chase.
A fechar o Top 10 ficaram Matt Kenseth (#20), A. J. Allmendinger (#47), num excelente 8º lugar, Denny Hamlin e Michael McDowell (#59) num fantástico 10º lugar.

Carl Edwards, que admitiu o seu erro ao bloquear Logano em demasia e a ir contra o muro, ficou classificado no 34º lugar, mas mostrou ser um senhor ao passar nas boxes de Logano, assumir as culpas do acidente e a dar um aperto de mão ao chefe de equipa de Logano, Todd Gordon.

Para terminar, Tony Stewart fez uma corrida muito apagada e acabou a sua carreira na NASCAR com um 22º lugar. Não foi a melhor forma de acabar uma carreira ilustre nesta categoria, onde venceu três títulos, mas Stewart agora terá certamente outras corridas para fazer noutras categorias do desporto motorizado, e terá também mais tempo para gerir a sua equipa, que terminou a sua relação com a Chevrolet com o 3º lugar de Harvick, o 13º de Kurt Busch (#41), o 19º de Danica Patrick (#10) e o 22º de Stewart, que vai deixar saudades aos fãs. No próximo ano a equipa terá carros e motores da Ford, e o substituto de “Smoke” será Clint Bowyer (#15), que acabou a sua temporada no 23º lugar, mesmo atrás do seu futuro patrão.
Resultados finais: http://www.jayski.com/stats/2016/pdfs/36hms2016results.pdf
Classificação do campeonato de pilotos: http://www.jayski.com/stats/2016/pdfs/36hms2016points.pdf
Classificação do campeonato de donos de equipa: http://www.jayski.com/stats/2016/pdfs/36hms2016owners.pdf
A próxima temporada terá um novo patrocinador que irá substituir a Sprint. Será em Fevereiro que máquinas e pilotos começam mais uma longa temporada. Primeiro temos duas corridas de exibição, o “Unlimited” e o “Can-Am Duels” e a 26 de fevereiro temos a primeira corrida a contar para o campeonato, as 500 Milhas de Daytona. Para a história ficará esta corrida, em que Jimmie Johnson se juntou a um clube exclusivo de pilotos com sete títulos, onde estavam Richard Petty e Dale Earnhardt.

 

Jorge Covas

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