WRC 2017 – Uma nova era!

 

Estamos a poucos dias do início de mais uma temporada do Campeonato do Mundo de Ralis que, como tem sido habitual nos últimos anos, tem a sua primeira etapa nos Alpes, com a realização do mítico Rally de Monte Carlo.

A temporada de 2017 era muito aguardada por muitos: pilotos, marcas e principalmente pelos adeptos e fãs da modalidade, pois aqui começa mais uma geração de carros, com os conhecidos 1.6 turbo a receberem um “upgrade”, tendo sido tornados mais rápidos. Com um acréscimo de 80cv comparando com a anterior geração, tornaram-se mais leves, logo a comparação peso/potencia faz crer que estamos perante um “grupo B” do século XXI, com as devidas distâncias!

Outros dos motivos de interesse, que já vinha sendo anunciado, era a entrada da Toyota em cena, marcando assim o regresso de um dos mais carismáticos construtores e com um passado fortemente ligado aos ralis, ao panorama do Mundial de Ralis.

Mas se há quem entre, infelizmente também houve que tivesse abandonado! Foi a grande bomba do final da temporada de 2016: o anúncio do abandono da Volkswagen Motorsport marcou de forma muito intensa o defeso da presente temporada que agora se inicia. Ninguém contava com este fim da equipa que foi a grande dominadora dos últimos quatro anos do WRC, onde venceu quatro títulos individuais com Sebastien Ogier e mais quatro de construtores, sempre com a mesma “fórmula” de pilotos. Ogier, Mikkelsen e Latvala foram os rostos de um dos projectos mais vitoriosos que o Mundial de Ralis já algum dia viu, “aniquilando” toda a concorrência ao longo destes quatro anos dourados para a marca alemã.

Por isto tudo a notícia do abandono da equipa oficial em 2016 caiu como uma bomba no seio do WRC e fazia de Ogier, Mikkelsen e Latvala os desempregados mais “cobiçados do mundo”.

Aqui começava uma das grandes novelas da “pre – season”, com as incertezas quanto ao futuro dos três pilotos, sendo que obviamente seria em Sebastien Ogier que todas as atenções se concentravam e ele seria o “desbloqueador” deste imbróglio.

Latvala era o primeiro dos três a dar “seguimento” á sua carreira e sem surpresa assinava pela equipa de Tommi Makinen, responsável pelo desenvolvimento do novo Toyota, mas com base na Finlândia, por isso mesmo acabava por ser um desfecho natural.

De seguida era mesmo Ogier, que depois de tantos rumores acabava por assinar pela M-Sport, um desejo antigo de Malcolm Wilson que via desta forma o sonho de trabalhar com o francês cumprido.

O único dos três a não conseguir ainda encaixar-se numa equipa do WRC foi mesmo Andreas Mikkelsen que inicia a temporada de Skoda Fabia R5 da equipa oficial checa, regressando assim a uma casa que tão bem conhece. Mas é um revés para a sua carreira e acaba por ser uma perda grande para o Mundial de Ralis, acreditando que estará para breve o seu regresso à categoria máxima dos ralis.

Ficamos então com os “line up” fechados em todas as estruturas, sendo que a primeira a fechar a equipa foi mesmo a Hyundai mantendo toda a sua equipa das últimas temporadas: Neuville, Paddon e Sordo.

A Citroen, depois de um ano onde apenas se concentrou em desenvolver o carro para 2017, embora com algumas aparições esporádicas, tem em Meeke o seu “ponta de lança”, tendo depois Craig Breen e Setephane Lefebvre como segundos pilotos, alternando ao longo do ano no segundo carro da marca francesa.

A TOYOTA GAZOO Racing já tinha nas suas fileiras Juho Hänninen, um dos pilotos responsáveis pelo desenvolvimento do novo Yaris WRC, viu acrescentar no staff da equipa o experiente Jari Matti Latvala, vindo da extinta Volkswagen Motorsport e ainda o jovem Esapekka Lappi que deverá entrar na equipa já no decorrer da presente temporada.

Por fim na M-Sport encaixava o alvo a abater por toda a concorrência, Sebastien Ogier, e promoveu o regresso de Ott Tanak à sua equipa principal, além de colocar o jovem Elfyn Evans na DMack World Rally Team, depois de um ano no WRC2, fazendo da equipa da “marca oval” numa das mais entusiasmantes da temporada de 2017.

 

Calendário:

Sem grandes novidades face a 2016, o WRC em 2017 tem ainda algumas mudanças relativamente à temporada passada. O Rally da China sai do programa após um ano em que nem por lá passaram. A prova asiática estava agendada para 9,10 e 11 de Setembro, mas não se realizou devido ao mau tempo que danificou muitos dos troços e estradas de ligação a usar na prova. Não havendo tempo (nem vontade) de se arranjar uma solução para este entrave, o rally foi mesmo cancelado e este ano fica mesmo de fora do calendário.

Muda também a calendarização do rally da Argentina que por norma se realizava depois do México. Desta vez a caravana do WRC tem de voltar ao velho continente para correr o rally francês, na Córsega e só depois irão “dançar o tango argentino”.

O rally de Portugal mantem a mesma ordem no calendário, sendo corrido de 18 a 21 de Maio.

20-22 Janeiro Monte Carlo

10-12 Fevereiro Suécia

10-12 Março México

7-9 Abril França/Córsega

28-30 Abril Argentina

19-21 Maio Portugal

9-11 Junho Itália/Sardenha

30 Junho – 2 Julho Polónia

28-30 Julho Finlândia

19-20 Agosto Alemanha

6-8 Outubro Espanha

27-29 Outubro Grã-Bretanha/Gales

17-19 Novembro Austrália

 

Alterações nos regulamentos

Para além de carros novos, o WRC em 2017 terá alguns ajustes nos regulamentos, começando pela polémica ordem de partida, tão falada na temporada passada, sendo Ogier um dos mais críticos ao facto de o líder do campeonato ter de abrir a estrada no dois primeiros dias de rally. Esta temporada o líder da classificação do campeonato apenas terá de o fazer no primeiro dia de prova, passando os restantes dias a ser definida a ordem contrária à classificação geral do rally entre os carros prioritários (WRC).

Outra das mudanças é a pontuação da power stage, que esta temporada dará pontos aos cinco melhores tempos na derradeira especial e não aos três melhores como era desde que foi implementada esta “competição extra”. Desta forma o mais rápido recebe 5 pontos, o segundo 4 e assim sucessivamente até ao quinto classificado que recebe 1 pontos extra para o campeonato.

Quanto às contas nos construtores, as equipas podem eleger três carros para pontuar para o campeonato de construtores, sendo que somente os dois melhores marcam pontos para a equipa.

 

Equipas

M-Sport Rally Team

 Este será o grande alvo a abater, ou se preferirmos, aqui corre o grande alvo a abater. Malcolm Wilson apostou para esta temporada como já há muito não o fazia. Foi quem soube melhor aproveitar o abandono na Volkswagen do WRC, resgatando para a sua “esquadra” aquele que tem dominado o Campeonato do Mundo de Ralis nos últimos quatro anos, Sebastien Ogier. Era um desejo antigo, mutuo, trabalharem juntos e 2017 será o ano de cumprir esse sonho de Malcolm Wilson e de muitos fãs de M-Sport que podem assim ver de novo a equipa da marca “oval” estar de novo nos holofotes da fama depois de tantos anos na sombra de quase “toda a agente”.

A Ogier junta-se ainda Ott Tanak que regressa desta forma á equipa principal da M-Sport, depois de já lá ter passado, a temporada passa correu pela DMack Rally Team, vê assim a sua notória evolução no último ano premiada com esta chamada á “equipa titular” de Malcolm Wilson, sendo esta uma das duplas mais entusiasmantes e que mais interesse está a gerar para a temporada de 2017.

Ogier: Este será de todo um ano muito especial para Ogier. Terminou a ligação com o Volkswagen por forças maiores e arriscou na entrada numa equipa que não sabe o que é vencer há muito tempo. Risco calculado? Pensamos que sim! O Ford Fiesta de 2016 não seria um carro assim tão mau, até pelos resultados aqui e ali que Tanak ia conseguindo, apenas podia estar a ser mal conduzido por quem lá estava, sendo a dupla de 2016 não de todo forte. Ogier tem assim este ano a possibilidade de provar que pode ser campeão sem ter um “Polo” como base do sucesso. Se anteriormente podíamos dizer que o francês ganhava porque tinha o melhor carro do mundial, este ano tem uma oportunidade de mostrar, se é que é necessário, que é um grande piloto, independentemente do carro que conduza. Será uma temporada muito desafiante para o francês e veremos se estará á altura das exigências, bem como se o carro acompanha o talento inegável de Ogier.

Tanak: Pode ser uma das grandes surpresas da temporada de 2017. O piloto Estónio tem evoluído não só a sua condução, bem como a sua forma de correr, mais calma, mais consciente e com muito mais consistência o que o levou a bons resultados na temporada transacta. Este ano, tendo como colega de equipa o tetra-campeão, sobe a exigência mas piloto estónio tem rapidez suficiente para rodar no topo, pelo menos no que toca a ralis de terra onde é mais forte.

Evans: Volta ao WRC o jovem piloto do Pais de Gales! Depois de uma temporada a correr o WRC2, onde foi preterido em virtude da entrada de Eric Camilli na equipa M-Sport, Elfyn Evans regressa este ano ao Mundial de Ralis, pela mão da equipa DMmack World Rally Team, onde vai ocupar o lugar do promovido Tanak. Evans conhece o campeonato, conhece os ralis, tem muita qualidade e por isso mesmo, se tudo correr normalmente o piloto apoiado pela M-Sport tem tudo para realizar uma temporada “vistosa”, veremos o que valerá o seu Fiesta WRC 2017.

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Citroen TOTAL ABU DHABI WORLD RALLY TEAM

 Depois de um ano a desenvolver o seu novo modelo, C3 WRC, a marca francesa vem para ganhar. O seu ano sabático não pode ter sido em vão e por isso preparem-se pois teremos uma Citroen forte, muito forte, com um Kris Meeke rápido e perfeitamente conhecedor do carro que terá em mãos, sendo ele o principal cabeça de cartaz da equipa. A equipa terá ainda mais outro carro ao longo do campeonato que será dividido entre Lefebvre e Breen. Estreando um novo modelo poderemos contar em ver aqui uma das grandes candidatas a vencer em todas as provas, naquele que será um dos “duelos” mais esperados da temporada, “Meeke VS Ogier”.

Meeke:  À procura do sucesso! Estamos perante aquele que à partida será o grande adversário de Ogier. Ele sabe como bater o francês pois já o fez. Ele sabe como vencer ralis pois também já venceu, mas ainda não sabe o que é vencer um titulo de campeão do mundo, mas acreditamos que tenha qualidade para isso. Rápido, agressivo e sempre espectacular, Meeke enfrenta a temporada de 2017 com optimismo e uma motivação extra, pois esta será decerto a sua grande oportunidade de juntar ao seu curriculum o ceptro de campeão do mundo de ralis. No ano de todas as mudanças no WRC, não tendo o “bicho papão” Volkswagen pela frente, Meeke tem um objectivo bem claro… vencer!

Breen: O jovem piloto da Citroen terá uma temporada a meio gás, irá partilhar o segundo carro da marca francesa com o seu colega Lefebvre. Tendo mais algum conhecimento sobre os ralis e o carro, Breen já provou que tem andamento parta rodar perto dos mais rápidos, pode ser que ainda vejamos o Irlandês a realizar alguma surpresa esta temporada. A qualidade e maturidade está lá.

Lefebvre: Ainda falta algum estofo ao jovem francês. Apesar das suas qualidades em asfalto o jovem das “escolas da Citroen” tem ainda um longo caminho a percorrer para chegar a ser competitivo o suficiente. Falta “calo” e acima de tudo, saber medir onde deve e não deve arriscar. Veremos se aprendeu a lição e onde se posicionará no pelotão do WRC.

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HYUNDAI MOTORSPORT

Aposta da prata da casa! A equipa Hyundai Motorsport mantem a confiança nos seus três pilotos que vêm das temporadas transactas, mantendo assim uma estrutura sólida, conhecedora de todos os processo de evolução do novo carro na versão 2017, sendo os mesmos que irão correr este ano com o novo I20 WRC.

A equipa coreana, sediada na Alemanha, aposta na evolução dos seus pilotos mais jovens, Neuville e Paddon para atacar esta nova geração do Munida de Ralis, sendo Sordo a terceira unidade, mas já numa fase descendente da carreira, conta ainda assim com uma vasta experiência que pode ser uma mais valia. O Hyundai I20 WRC de 2016 foi sem duvida um bom carro, competitivo e que pôde bater-se com as outras marcas. Por isso mesmo e se o trabalho desenvolvido mantiver a continuidade, teremos também em 2017 uma Hyundai forte em busca de vitórias.

Neuville: Resolveu os problemas internos a equipa e resolveu ficar por lá. Foi dado um voto de confiança mutuo, entre a equipa e o piloto, que poderá dar resultados em breve. Neuville tem o que é preciso para ser um vencedor: piloto versátil, anda bem em todos os tipos de pisos, sendo mais forte em asfalto, mas igualmente competitivo em terra, sentindo-se por isso  à vontade em todos os ralis. Assim a sua motivação e confiança estejam em alta pode ser um dos grandes animadores da temporada.

Paddon:  Uma das maiores revelações dos últimos dois anos,  foi sendo dos jovens pilotos que mais evoluiu. É capaz de rodar para ganhar nos ralis mais duros da temporada, como México, Argentina, Itália ou mesmo Austrália, mostrando fibra de piloto. Tem ainda como handicap, o asfalto, embora com algumas melhorias notórias. Nunca poderá ser um candidato ao título se não melhorar este aspecto tão essencial. Com a experiência acumulada, uma evolução continua e a qualidade demonstrada, teremos em Paddon um dos animadores da temporada.

Sordo: A experiência ainda é um posto. O espanhol pode já não ter a rapidez de outrora, mas a sua experiencia é sem duvida uma mais valia. Sordo é dos mais entusiasmantes pilotos para os fãs que estão junto à estrada, dá tudo o que tem e o que o carro pode. É certo que nos dias que correm já não chega para acompanhar os da frente, mas nem só de vencedores se faz um WRC, também tem de haver que dê espectáculo. Uma preciosa ajuda também para os seus colegas mais jovens nas afinações do carro e no desenvolvimento do mesmo.

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TOYOTA GAZOO RACING WRC

O regresso da histórica Toyota! 2017 trará de novo às estradas do mundial de ralis uma das marcas com mais carisma nesta modalidade, a Toyota regressa assim ao WRC depois de ter abandonado de forma oficial o Mundial de Ralis em 1999.

Num projecto sediado na Finlândia e desenvolvido pela equipa de Tommi Mäkinen, a marca nipónica aposta no Yaris WRC como arma para atacar esta nova geração de carros de rally, com um modelo arrojado e forte em termos estéticos, onde se pode ver uma forte aposta no aspecto aerodinâmico.  O que valerá o carro? Não sabemos! E tão cedo também não será fácil saber, pois a temporada abre com ralis muito específicos, onde conta mais o factor “piloto”, Monte Carlo e Suécia não serão os melhores locais para se perceber o que valerá para já o Toyota Yaris WRC.

A aposta de Makinen recaiu sobre dois pilotos finlandeses, Juho Hanninen e a grande novidade, Jari Matti Latvala, que tem assim um dos grandes desafios da sua carreira… além de ter ainda nas suas fileiras o jovem Esapekka Lappi, que poderá realizar algumas provas no decorrer da temporada, num terceiro carro.

Latvala: Depois de ter ficado desempregado, o finlandês tem aqui um dos maiores desafios de toda a sua carreira. As últimas temporadas têm sido complicadas para Jari, com muito azares ou erros a fazê-lo ficar bem cedo fora da luta pelo campeonato que, nunca o negou, é o seu grande sonho. Depois da Volkswagen fechar portas, assinou pela Toytoa, numa aposta arriscada, mas lógica, pelo envolvimento finlandês neste projecto, mas que ninguém sabe ao certo o que irá render. Vilão ou herói? Será um ano complicado para Latvala, pois alem de ter de combater a sua falta de “sorte” ou excesso de “azar” ainda terá de contrariar a juventude deste projecto.

Hanninen: Foi ele que desenvolveu grande parte deste projecto, quase desde o seu inicio e como prémio tem a temporada completa pela Toyota Gazoo Racing WRC. A sua experiência adquirida ao longo dos anos poderá ser uma vantagem para o desenvolver do carro no decorrer da temporada. Não sendo um piloto extremamente rápido, é regular, o que lhe pode valer uns pontinhos aqui e ali, importantes para a afirmação da equipa do seio do WRC. Merece este prémio de uma temporada completa, num projecto que em muito lhe é próximo e é sem dúvida um dos melhores pilotos para desenvolver novos carros. Correr sem pressão também lhe trará vantagens, nada lhe é cobrado!

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Este será o ano de mudança no WRC, com os novos carros a criar uma expectativa enorme nos fãs da modalidade, a repartir as atenções com Ogier, que este ano corre pelas cores da M-Sport, numa aliança em tudo excitante para o Mundial de Ralis, que pode estar a iniciar a sua melhor e mais equilibrada temporada dos últimos anos, assim os esperamos!

“Gentlemen, start your engines!”

 

Carlos Mota

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