F1 – O fim de uma era: Bernie Ecclestone deixa os comandos da F1

Era uma questão de tempo… mas finalmente aconteceu. Bernie, o nosso tio Bernie largou os comandos da F1 e deixou de ser o CEO da maior competição motorizada do mundo. A Liberty Media começa assim o seu novo reinado colocando de lado a figura central da modalidade, alguém que esteve mais de 40 anos aos comandos da F1.

O casamento entre Bernie e a Liberty nunca pareceu ser feito para acontecer. Ecclestone tem um feito e uma forma muito própria de estar e de gerir a F1. Essa mesma forma transformou o desporto e fez dele um dos produtos mais rentáveis do mundo. Bernie era conhecido nas negociações como sendo implacável e nunca foi dado a sentimentalismos. O que ele queria era os contratos assinados e os cifrões a brilhar. Se calhar esta postura chocava com a de Chase Carey, um homem destacado pela Liberty Media para gerir o futuro da modalidade. Isso foi notório no início quando Carey sempre apareceu distante de Bernie. Foram raras as vezes que apareceram juntos.

 

Chega assim ao fim uma história longa… muito longa. Passou praticamente por quase todos os postos que a F1 tinha para lhe oferecer. Foi agente, dono de equipa (Brabham), formou a associação de construtores, tendo graças a isso conseguido negociar os direitos televisivos pelas equipas dividindo os lucros com as equipas,a FIA e ele próprio, começando aí a ganhar muito poder e em 1997 com  o Pacto da Concórdia. Nesse pacto foram negociados os termos para tornar a F1 cada vez mais profissional e claro…lucrativa. Uma das medidas implementadas foi a obrigação das equipas participarem em todas as provas. Os direitos televisivos, os prémios de final de época, as obrigações e os direitos das equipas… tudo ficou negociado com as equipas a FIA e Bernie.

A figura de Bernie ultimamente tinha uma conotação negativa. Nunca foi envergonhado e nunca fugiu a uma boa dose de polémica. Foi ele um dos responsáveis pela ida para o continente asiático e muitas pistas foram feitas a pedido dele, com a desculpa de levar lá a F1. Algumas nunca chegaram a ver um monolugar sequer. A prioridade de Bernie era o lucro, embora não escondesse a paixão pelo desporto. Os últimos donos da F1 compraram o grande circo por 1000 milhões de dólares e venderam por quase 4.5 mil milhões de dólares… um retorno 4 vezes superior. Frases como ” a F1 não precisa das redes sociais” ou admitir que lhe interessava mais ter um velho rico a ver a F1 que ver novos fãs, ou até elogiar Putin pela forma autoritária como gere o país marcaram o início do fim. Esteve envolvido em vários processos judiciais fazendo capa de jornais nem sempre pelos melhores motivos.

Mas Bernie não pode ser olhado apenas como o bicho papão sedento de lucro. Foi graças a ele e ao seu esforço que a F1 começou a ser mais segura, foi ele que profissionalizou um desporto que estava francamente mal organizado em tempos. Foi graças a ele que a F1 tem a dimensão que tem. Bernie é um dos pais da F1 moderna. 

Todos os reinados têm um fim e o de Ecclestone acabou hoje com a confirmação do britânico. Ele disse que ficou como presidente honorário mas que nem ele sabe o que isso significa. Mas a sua posição será ocupada por Casey.

A F1 precisava de um novo rumo, de uma nova filosofia. Esperemos que a Liberty Media traga esse rumo. Se temos pena de ver Bernie sair? Vamos ter saudades das polémicas  sim mas se calhar foi uma mudança para o melhor. E ele ganhou muito tem agora tempo para gozar o que angariou. Resta dizer… Obrigado Bernie! Deixaste-nos uma F1 muito melhor do que a que encontraste.

 

Fábio Mendes

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