F1 – Um novo rumo que, por enquanto, agrada

A entrada da Liberty Media e a saída de cena de Ecclestone terá sido a maior mudança na F1 nos últimos 10 anos. Esqueçam as revoluções técnicas, a entrada do grupo americano na F1 poderá moldar definitivamente a face do desporto.

 

A maior mudança para já está na chefia. Chase Carey e o seu imponente bigode serão a partir de agora quem impõe as regras no Grande Circo. Mas ao contrário de Bernie, que usava um estilo mais ditatorial, Carey pretende fazer as coisas de maneira diferente… de uma forma mais moderna. Para isso tem a ajuda de Sean Bratches, que será responsável pela parte comercial e pelas redes sociais. Este será o homem que poderá trazer o “pay per view” à F1. Grande parte das receitas provêm dos direitos televisivos, que valem muito milhões, mas com a nova era digital, o pagar para ver directamente na net começa a ser cada vez mais aliciante. Se me propuserem um pacote de 21 corridas para ver online (directo ou diferido) a um preço competitivo e com qualidade garantida, acreditem que prefiro pagar assim do que ter de instalar um operador de tv em casa, pagar muito mais para ver  canal caça e pesca, o big brother 24h por dia e os desfiles de moda. É o segredo do sucesso de Netflix e Amazon e poderá muito bem trazer de volta os fãs. Sempre defendemos que o problema maior da F1 nestes anos foi o distanciamento dos fãs que se iniciou com o aparecimento dos canais fechados. Disponibilizar os conteúdos online irá desvalorizar os valor dos contratos com as TV, é certo, mas se trouxer mais fãs será que não vale a pena?

Para a parte técnica e para a FOM entrará Ross Brawn. Para mim é a chave do sucesso desta nova filosofia. O rumo da F1 tem sido muito confuso e basta ver em 2016 a borrada com as novas qualificações que foram abandonadas logo a seguir, para entender que há vontade de mudar e melhorar mas por vezes não se sabe bem como o fazer. Brawn é um homem que tem muitos anos de F1 e por onde passou foi bem sucedido… muito bem até. O seu currículo é impressionante e graças a ele Benetton, Ferrari e Mercedes tiveram épocas de ouro. É inteligente, é sensato, sabe como as equipas operam e como a tecnologia funciona. Além disso passou estes últimos anos como um mero fã e tentou entender o que estava mal. É esta mistura que me faz ter muita esperança no futuro. Finalmente teremos alguém respeitado em todo o paddock a dar um rumo certo e definido, numa estratégia a médio/longo prazo.

 

E a nova filosofia para já agrada: há vontade de manter os Grandes circuitos, já se falam em novas negociações com Silverstone que está na corda bamba, há vontade de fazer mais corridas nos States (obviamente) mas nem por isso retirar as grandes provas europeias. Há vontade de ter um calendário com 21 provas mas parece haver sensibilidade para não ultrapassar esse numero, para não obrigar as equipas a repensar as suas operações (Brawn quer o aumento da qualidade das provas e não do seu número). Quer-se acabar com o DRS, muitas vezes criticado por adulterar as corridas, já se fala num aligeirar das penalizações este ano para promover mais acção na pista. Quer voltar-se ao debate do controlo de custos (a meu ver desnecessário pois ou será negado ou as equipas maiores arranjaram forma de dar a volta a isso. É necessário que se criem ferramentas de apoio às equipas mais pequenas, sem que as grandes sejam demasiado prejudicadas ou injustiçadas… no fundo distribuir melhor o muito dinheiro que circula no paddock). O único receio que tenho é que o espectáculo fique demasiado americanizado e que se criem subterfúgios para tornar as corridas interessantes à força toda, perdendo assim a essência, que é fundamental para manter a chama do desporto.

Há vontade de fazer de cada GP um SuperBowl, com inúmeros espectáculos extra, à imagem do que se faz em Austin ( a ideia poderá atrair mais pessoas mas se isso implicar um aumento dos preços não sei se será a melhor ideia. Por muito que goste de ver a Taylor Swift a abanar o rabo, que até gosto, se pagar para ver F1 não tenho muito interesse em pagar mais para ver um espectáculo que não me interessa).

Até 2020 este triunvirato não poderá exercer todo o seu poder até porque o Pacto de Concórdia das equipas está em vigor até essa data. Mas quem sabe se até lá não são tomadas medidas que permitam a F1 crescer, que façam as pequenas equipas ter mais hipóteses de prosperar, que façam os fãs voltar.

Ao contrário do que se sente no mundo, o ambiente na F1 agora é de esperança. Ainda há trabalho a fazer e o caminho é longo. Mas sentem-se ventos de mudança e para já a sua direcção agrada. Só há um pormenor… a Liberty quer incluir as equipas e quer que todas elas estejam envolvidas de forma igual nos processos de decisão e na divisão de lucros. Mas o segredo de Bernie foi exactamente a postura do “posso, quero e mando” pois as vezes lidar com as equipas é o mais parecido com lidar com um grupo de crianças mimadas que quer bolo. Cada equipa vai fazer de tudo para não perder a vantagem que tem e isso nem sempre vai de encontro aos interesses do desporto. Será que esta postura mais aberta e equitativa irá funcionar? Espero sinceramente que sim.

 

Fábio Mendes

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