WRC – Rally da Suécia: Este Latvala vai dar que falar. Análise às equipas

Chegou ao fim o Rally da Suécia e temos todos os motivos para ficar satisfeitos com a prova. O WRC parece estar de regresso aos bons velhos tempos da incerteza e do equilíbrio. Segunda prova do mundial em 2017 e segunda vez que temos um volte-face nos últimos km de prova. Este ano tem tudo para ser uma excelente colheita e para já os fãs tem motivos para sorrir.

 

Toyota: Um Latvala frio e um Yaris com muito potencial

De todos os carros de 2017, o Yaris deverá ser o menos apelativo a nível estético. A sua base curta e aspecto compacto contrastam com a asa gigante traseira, numa combinação que primeiro se estranha e que demora tempo a entranhar-se. Sabia-se à partida que o Toyota iria apostar forte na componente aerodinâmica mas essa aposta poderia ser de risco afinal os troços de rally não permitem o controlo milimétrico que se exige para ter o rendimento que se pretende… havia motivos para duvidar. Mas a formula resulta! Resulta e já está a dar frutos pois o pequeno Yaris está-se a intrometer no meio dos grandes e está a provar que o trabalho duro compensa. Makinen testou até a exaustão a nova máquina e tem agora motivos para sorrir.

Um rali muito bem conseguido por parte da equipa e acima de tudo por parte de Latvala.  O finlandês esteve irrepreensível, andou sempre pelo top 3 e mostrou um excelente andamento. Mas isso não era novidade, pois Latvala é conhecido por ser capaz disso. A novidade foi o último dia, em que aguentou a liderança,que lhe foi entregue de bandeja, e não tremeu face aos ataques dos homens da M-Sport. Um Latvala frio, que não errou e que conseguiu assim uma vitória muito saborosa. Onde estava este Latvala na VW? Aparece em 2017 com a moral em alta, motivado e acima de tudo mais calmo e menos propenso ao erro. Foi assim que subiu ao pódio em Monte Carlo e foi assim que venceu na Suécia. O segredo dos ralis não é ser muito rápido. É ser rápido mas chegar ao fim.

Já Hanninen está a ter um início de ano difícil, com um acidente a voltar a hipotecar as hipóteses de um bom resultado. Tem apresentado um bom andamento mas os erros têm sido fatais às aspirações do finlandês. Seria injusto relegá-lo já para segundo plano fazendo subir Lappi que nos parece ter mais potencial mas a Toyota ambiciona agora mais vitórias e precisa de dois pilotos em forma e não apenas um.

 

M-Sport – Um Tanak soberbo

Se no ano passado um duplo pódio da M-Sport seria motivo para festa rija este ano encara-se o facto com uma certa normalidade (como as coisas mudam depressa no desporto motorizado). O Fiesta tem-se revelado uma máquina muito competitiva (embora a fiabilidade ainda mereça umas melhorias) mas com uma grande diferença em relação às máquinas anteriores… está a ser pilotado de uma forma excelente.

Ogier é provavelmente o melhor piloto de ralis da actualidade e espera-se dele pódios de forma consistente, mas o piloto sabe que este ano não será como os anteriores e que terá de lutar muito mais para ser campeão. O 2º dia não lhe correu de feição e deixou escapar muito os homens da frente (o terreno não ajudou), quando era ele o primeiro em pista. Recuperou o ritmo no 3º dia e teve novamente a sorte do seu lado que lhe permitiu subir ao pódio. Vai ser um ano muito mais duro pois a concorrência também está muito mais forte e será provavelmente um dos maiores desafios dos últimos anos … provar que é o melhor com concorrência à altura. Para já está tudo bem encaminhado.

Mas quem merece nota de destaque é Tanak. O estónio esteve perto de ver a sua carreira ir por um troço pouco recomendável mas a despromoção em 2016 permitiu que crescesse e está agora numa forma notável. Andou sempre na luta pelos primeiros lugares, teve de recuperar o tempo perdido devido a um problema técnico e volta a terminar no pódio. Estamos rendidos à actual forma de Tanak e este piloto ainda vai dar muitas alegrias à M-Sport e aos fãs de rally.

Evans voltou a repetir o 6º lugar final e ao contrário do que aconteceu em Monte Carlo não deu tanto nas vistas, apresentando no entanto um resultado sólido. Tem claramente qualidade para voos mais altos e Malcolm Wilson merecia um castigo por ter atirado este jovem para o WRC2 no ano passado.

 

 

Hyundai –  A Maldição Neuville abateu-se de novo sobre a equipa

Embora a tabela do campeonato não o reflicta, a combinação Neuville/ Hyundai tem sido a mais forte em 2017. Se não fossem os dois erros fatais que o belga cometeu em Monte Carlo e na Suécia, estaria agora na liderança do campeonato com todo o mérito. Mas os ralis são cruéis e Neuville ainda não materializou o seu andamento fortíssimo. Voltou a dominar a maioria do rali e controlou à distância a concorrência, numa prova que o belga tem qualidade para lutar pelo título. Quando o azar acabar e se Neuville mantiver este rimo, será um candidato muito forte. Este Hyundai nas mãos do belga tem asas para voar alto.

Sordo em 2017 é sinónimo de experiência e a experiencia diz que quando não se pode fazer mais, não se inventa. Fez uma prova serena, apresentando um andamento conservador mas que garante pontos. Já o tínhamos dito que Sordo já “não tem vida” para entrar em lutas loucas, mas tem a qualidade e a sabedoria para assegurar o que a equipa precisa… pontos de forma consistente. Cumpriu isso de forma irrepreensível.

Paddon por seu lado não impressionou. Talvez ainda algo afectado pelo último rali, não se entendeu com a afinação do seu I20 e perdeu muito tempo com isso, com o resultado que está à vista. Vale mais que um 7º lugar na geral e ainda vai a tempo de provar o seu talento, em terrenos que o favoreçam mais.

Citroen – Um início para esquecer

Esperávamos uma Citroen muito mais presente nos lugares cimeiros do que o que se tem visto. Não nos parece que seja um problema com a máquina que, pelas indicações que tem dado, está ao mesmo nível da concorrência… o problema está nas mãos que seguram o volante.

Meeke tem acumulado erros e saídas de pista a uma velocidade assustadora para um candidato ao título e não o pode fazer. Tal como em Monte Carlo, voltou a comprometer um bom resultado, embora não tenha mostrado andamento capaz de assustar os lideres.

Já Breen optou por uma abordagem cautelosa e isso rendeu-lhe um novo 5º lugar. O irlandês está ainda numa fase de adaptação à nova máquina e preferiu chegar ao fim em detrimento de correr riscos não calculados, numa prova de maturidade que se saúda.

Lefebvre foi 8º com a máquina do ano passado e para já começa a ficar para trás na luta pelo 2º carro.

 

Ostberg em clara fase de adaptação ao novo carro teve alguns erros que lhe custaram um melhor resultado, sendo que num deles perdeu a asa traseira (tendo inclusive a equipa feito um pedido nas redes sociais para devolverem a asa) e foi obrigado a seguir assim mesmo, perdendo muito tempo com um carro praticamente impossível de conduzir segundo o piloto. No entanto tem motivos para sorrir pois venceu o prémio Colin´s Crest deste ano, tendo voado 44 metros, menos um que o recorde actual, conseguido na segunda passagem.

 

Resumo do 1º dia – https://chicanemotores.wordpress.com/2017/02/09/wrc-rally-da-suecia-j-latvala-vence-ss1/

Resumo do 2º dia – https://chicanemotores.wordpress.com/2017/02/10/wrc-rally-da-suecia-thierry-neuville-domina-na-neve/

Resumo do 3º dia – https://chicanemotores.wordpress.com/2017/02/11/wrc-cambalhota-no-final-do-3o-dia/

Resumo do 4º dia – https://chicanemotores.wordpress.com/2017/02/12/wrc-latvala-vence-e-toyota-volta-ao-primeiro-lugar-17-anos-depois/

 

 

Fábio Mendes

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.