Estrada – Isto sim é Top Gear!

Depois do fiasco da primeira temporada da já mítica serie da BBC, cujas criticas foram… pouco positivas, a produção foi revista, as arestas foram limadas e o grande calcanhar de Aquiles do programa foi retirado. Chris Evans teve muita vontade mas tinha um perfil demasiado diferente do que as pessoas estavam habituadas. E como era a face mais visível do projecto levou por tabela e saiu, sem honra nem glória.

 

Para esta nova temporada, a produção fez aquilo que todos pediram: Passar Chris Harris e Rory Reid para a equipa titular e simplificar processos. E para já o resultado é… fracamente positivo. Foi com grande satisfação que vi o Top Gear (TG) finalmente tornar-se num concorrente sério ao The Grand Tour (TGT).

Para começar o estúdio foi repensado e está muito melhor que o anterior. Não têm a magia do estúdio anterior, que tinha mesmo aspecto de garagem desorganizada onde os amigos se juntam para beber umas cervejas e mexer no carro (o estúdio era o registo histórico do programa), mas está bem mais agradável e sóbrio em relação ao anterior. O trailer de apresentação deixou-nos e água na boca e parece-nos que tem um line up bem mais interessante ao nível das máquinas que o escolhido pelo TGT.

A temporada começou com o ensaio ao FXX K na pista de Daytona. O carro é fantástico, a pista é mítica e Chris Harris apresentou o carro de forma simples e eficaz, bem diferente da forma muito técnica e exaustiva a que estávamos habituados na net. E logo aí o Top Gear começa a ganhar alguma vantagem pois este ensaio terá sido tão bom ou se calhar melhor que os feitos por Clarkson e companhia no TGT.

Depois veio a estrela do episódio. Aqui a produção está a insistir num formato que sinceramente não resulta. Se o anterior formato com Evans era péssimo, este faz ainda pouco sentido com a estrela escolhida a ficar durante o programa todo ao lado dos apresentadores, tornando o ambiente algo estranho. No entanto o segmento em que as estrelas tem de ir para a pista está muito melhor. O carro escolhido é excelente (Toyota GT86) e vai exigir aos convidados muito mais. Dada a exigência do carro Harris faz de tutor e é provável que venha a manter esse esse papel. A pista está de volta e aquela ideia do ralicross foi esquecida e ainda bem.

A outra agradável surpresa foi o regresso dos bons velhos desafios. Os desafios da temporada anterior não foram grande coisa mas este foi um doce de assistir. 3 carros que tenham feito a distância da Terra à Lua (ida e volta) a percorrer o Cazaquistão. Prémio? Assistir ao lançamento de um foguete a partir da estação de lançamento russa, em Baikonur. Claro que até lá houve uma inevitável corrida que foi entretida de seguir, um desafio que embora pouco elaborado não foi mau e no final a cereja no topo do bolo: o lançamento.

Para já esta nova temporada tem nota muito positiva. Continuo a achar que Le Blanc ainda não é a solução certa para figura central e Harris ainda está a ambientar-se a esta nova realidade onde o entretenimento é mais importante que o ensaio (embora continue a achar que pode ser ele a peça essencial deste puzzle). Reid por seu lado está nas suas 7 quintas e esteve impecável. O trio começa já a mostrar algum entrosamento, embora não haja a química que existe entre Hammond, May e Clarkson. Mas pedir isso era injusto pois o trio do TGT tem anos de trabalho e amizade conjunta enquanto que o trio do TG tem meses. Mas o potencial está lá e pelo que vimos só podemos ter motivos para ficar optimistas.

Comparação entre Top Gear e The Grand Tour? Sou suspeito para falar disso pois sou um fã acérrimo do estilo de Clarkson Hammond e May. A forma como reinventaram a forma como se fala de carros está a fazer escola por todo o mundo, mas se compararmos o primeiro episódio de TGT e do TG… gostei mais do Top Gear.

No TGT notou-se que havia vontade de fazer diferente e entreter com grandiosidade… e nem sempre funcionou bem na primeira temporada. Acredito que as coisas melhorem mas sinceramente fiquei algo desiludido com a primeira metade da temporadas e só os últimos 3 episódios foram sim dignos da qualidade que o trio nos apresentou no passado. O primeiro episódio tinha um cenário fantástico ( a pista de Portimão fica bem de qualquer forma) mas a forma como se falou dos carros… deixou um pouco a desejar. Foi grandioso é certo, e teve muita coisa boa, mas faltou algo… e nos episódios seguintes notou-se ainda mais isso e só no final respiramos de alívio e sentimos que afinal era um processo evolutivo que pode ainda dar grandes frutos.

O TG  fez um primeiro episódio excelente, nada de demasiado rebuscado. Foram simples e competentes e o resultado foi bem conseguido, com um ensaio de nível e um desafio que foi crescendo até ao final, ao bom estilo TG. A interacção entre os 3 apresentadores já foi boa de ver e há potencial para melhorar ainda. É notório que este tipo de programas vive das personagens que nos apresentam o conteúdo e para já, nesta nova versão já houve muitos pontos positivos.

A forma como avaliava o TG era simples… o episódio era bom se no dia seguinte a ver a primeira vez, tinha vontade de rever. No TGT isso não aconteceu na primeira metade e só no final é que essa vontade reapareceu. Com este episódio do TG… acho que vou voltar a ver mesmo e isso é bom sinal.

Só podemos estar felizes com este novo cenário. Antes tinhamos apenas Top Gear para nos entreter… Depois até isso deixamos de ter e  agora temos Top Gear e The Grand Tour. Não há fome que não dê em fartura… e ainda bem!

 

Fábio Mendes

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