F1 – Bate boca entre a Liberty e os organizadores do GP do Azerbaijão

É para já uma “saudável” troca de palavras através dos media mas quem sabe se no futuro não poderá ser algo mais. Greg Maffei, vice-director da F1 começou por criticar os promotores do GP do Azerbaijão. Porquê? Porque segundo ele “Não acrescentam nada ao desporto, nem ao negócio a longo prazo”. 

Estas declarações assim podem parecer um ataque directo e impensado ao mais recente GP do calendário do mundial de F1 mas a base faz muito sentido:

“Penso que é nosso dever ajudar os promotores a serem mais bem sucedidos. Honestamente a atitude de Bernie era  “Quanto posso eu lucrar com isto e quanto no imediato?”. Assim acabamos em lugares como o Azerbaijão onde foram pagas quantidades enormes de dinheiro para terem a F1, mas que não acrescenta nada ao desporto, nem ao negócio a curto prazo.”

“O nosso trabalho é arranjar parceiros que nos paguem bem mas que nos ajudem a desenvolver e construir o produto.”

Ora isto tudo faz muito sentido, mas já lá vamos… antes disso a resposta de Arif Rahimov, promotor do GP do Azerbaijão:

“Claro que isto nos aborrece! Trabalhamos arduamente durante 3 anos e neste momento temos mais experiência de F1 que ele. Acreditamos que a corrida foi um sucesso. Foi comentado por todos os intervenientes. Foi um sucesso para os pilotos, porque estavam numa pista desafiadora, que foi muito implacável e que foi muito interessante para os pilotos. Foi uma grande corrida, foi um grande espectáculo.”

 

Tenho alguma dificuldade em acreditar que alguém que trabalhe na F1 diga as coisas publicamente sem pensar e ponderar com atenção. O que Maffei fez, a meu ver tem dois significados… Primeiro um corte radical com o passado em que o que interessava mais era, quanto é que um promotor é capaz de pagar para ter a F1. No passado se têm proposto um GP da Atlântida a troco de 150 milhões por ano, Bernie não teria tido dúvidas em levar a F1 para lá… “desde que paguem bem tudo se arranja” pensava tio Bernie. Com esta nova administração parece haver um cuidado redobrado em manter pistas míticas e que atraem muitos fãs. E este é o segundo significado… Para a Liberty conta mais ter casa cheia do que receber muito e ver um circuito às moscas… é má publicidade e eles sabem bem isso.

Apontar o Azerbaijão como mau exemplo serve para mostrar o que esta nova administração não quer e, quem sabe, começar um conflito que pode no futuro ditar que a F1 não regresse à Baku, o que deixaria os novos responsáveis felizes da vida pois assim poderiam incluir outro circuito capaz de atrair mais gente.

 

 

Se o mundo da F1 é recheado de dinheiro, já a maioria dos fãs não e é muito difícil a um fã abdicar de parte considerável do seu rendimento para ir ao Azerbaijão ver uma corrida num traçado que embora seja interessante, não é o mais entusiasmante. Pelo que parece, a Liberty quer pistas onde os fãs acorram com facilidade e em grande número e por isso o exemplo do México está sempre a ser referido. Eu quero ir ver a F1 ao México onde as imagens que nos chegaram foram fantásticas… será que quero ir a Baku?? Meh, nem por isso. 

 

E esta nova visão agrada-me, pois graças a isso traçados de Silverstone e Monza ou Interlagos farão sempre parte do calendário e não terão de temer (nem nós) cada vez que chega a hora de uma negociação… a única coisa que têm de fazer é promover o evento de forma eficiente e encher a casa… a Liberty ganha dinheiro e mostra que a F1 é apetecível, o ponto fulcral para a esta nova administração. A F1 já não vai apenas onde há gente podre de rica… pelos vistos quer ir para onde há realmente fãs e isso é um passo importante para a retoma do grande circo. O promotor azeri pode não ter gostado (com razão) mas eu gostei desta postura. E não significa que o GP em Baku vai deixar de existir… terá de ser feito um esforço extra para encher bancadas… senão pistas como Zandvoort. Magny-Cours, Imola, Brands Hatch e Estoril (porque não!) poderão ter hipótese de receber a F1.

 

fontes: autoracing.pt, autosport.com
fotos: f1.com, redes sociais das equipas de F1

Fábio Mendes

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