F1 – Génios felizes

A F1 é rica em heróis e figuras de grande relevo. Poderia pensar-se que os pilotos seriam os únicos alvos desta adoração mas outros homens conseguiram lugar de destaque na F1 longe dos volantes dos monolugares. Falamos por exemplo de chefes de equipa e engenheiros. Neste ultimo caso é fácil encontrar nomes que são admirados por muitos… Chapman, Murray, Barnard e mais recentemente Brawn, Newey e Lowe.

Ora para Newey os últimos anos na F1 foram algo aborrecidos. As regras restringiam muito o seu trabalho e o britânico começava a desencantar-se da F1, querendo apostar noutros mundos, como os desportos náuticos e os automóveis. A Red Bull, claro não podia perder a sua “galinha dos ovos de ouro” e tudo fez para manter Newey satisfeito. Mas agora o cenário é bem mais positivo e segundo Horner, director da Red Bull, Adrian Newey é agora um homem feliz. Primeiro tem um projecto paralelo à F1 com a Aston Martin cujo o primeiro fruto já é conhecido e deixou todos de boca aberta e segundo as novas regras da F1 são mais do agrado de Newey.

Newey já não precisava de fazer mais nada para ficar na história da F1. É um dos maiores génios que passou pelo paddock e 10 carros que venceram o campeonato de construtores têm o seu nome. Mas nos últimos anos andou desencantado com a F1 demasiado restrita. Agora com estes novos regulamentos, Newey pode dar mais largas ao seu génio e pode fazer a diferença. Estamos ansiosos para ver o resultado final em pista.

“Eu acho que  ter mais liberdade permite uma abordagem mais interessante e esta é a primeira vez em alguns anos que temos um pouco mais de liberdade nos regulamentos no que diz respeito às restrições no chassis. A coisa mais óbvia é um carro mais largo com carroçaria mais larga… acho interessante que a remoção das caixas de exclusão em torno da área em frente e nas laterais das entradas de ar é uma área que permite novas oportunidades.”

 

Já Paddy Lowe começa agora uma nova etapa da sua vida. Regressa a uma casa que bem conhece e onde começou a trabalhar na F1, tendo sido ele um dos grandes responsáveis pela suspensão activa da Williams na altura que a equipa roubou o domínio à McLaren. Depois passou para a McLaren e a sua saída deixou marcas pois a equipa demorou a reencontrar o rumo certo e na Mercedes pegou no trabalho de Brawn e potenciou tudo de forma a termos o domínio que se viu nos últimos anos. Ansioso por dar um novo rumo à sua carreira e com vontade de assumir um papel ainda mais importante no seio de uma equipa, não chegou a acordo com a Mercedes e rumou à Williams onde para além de novo director técnico da equipa passará também a ser accionista. Para a Williams é um trunfo tremendo! Lowe é dos melhores engenheiros da actualidade e trará uma dose de experiência e conhecimento brutais, depois de estadias prolongadas na McLaren e principalmente na Mercedes.  A equipa beneficiou muito da visão prática de Pat Symonds e graças a ele ressurgiu em 2014 depois de anos de resultados pouco condizentes com a história da equipa. Agora com Lowe a equipa poderá dar mais um passo em frente e quem sabe começar a ameaçar mais os primeiros lugares da tabela com regularidade. Não será a curto prazo mas não duvidamos que vá acontecer.

 

Ross Brawn, outro grande génio da F1 que agora tentar dar um rumo mais claro e melhorado à F1 vai criar um grupo de trabalho cujo o objectivo é encontrar soluções para melhorar o espectáculo. As equipas tiveram reuniões com o grupo Liberty e foi-lhes dito por parte dos novos donos que a vontade é fazer apenas mudanças que proporcionem um incremento na qualidade e não tentativas mal ponderadas como o caso das qualificações no ano passado. Brawn está convencido que será possível encontrar soluções para melhorar a F1 mas que estas têm de ser muito bem pensadas e estudadas.

Uma das vontade de Brawn é melhorar as ultrapassagens, um tema critico nos últimos anos. Carros com muita aerodinâmica não permitem que sejam seguidos de perto pois quem vem atrás não consegue ter os mesmo níveis e apoio que quem vai na frente e assim as ultrapassagens são mais difíceis. Foi criado o DRS para contrariar este problema mas isso dá um ar artificial às corridas. Brawn quer acabar com o DRS e este é um dos temas centrais que o grupo de trabalho irá estudar.

“O que eu quero ter certeza é que, ao longo do tempo, haverá sempre consideração pela qualidade do espectáculo, da corrida e pelos custos.”

Em relação às ultrapassagens:

“É um problema complexo. Não queremos que os carros sejam lentos,  como tal queremos os níveis de aderência que temos, mas queremos que isso não prejudique o carro que segue. Então, há uma solução para isso?

“Se colocarmos as pessoas certas nessa tarefa e lhes dermos um ano ou 18 meses, para encontrar uma solução, podemos projetar carros de Fórmula 1 de uma maneira que um carro por trás poderia seguir.”

Este tipo de grupo já existiu no passado mas não existiam as mesmas ferramentas que existem agora, nomeadamente as simulações CFD. Não é certo que fazer um carro com as características pretendidas é possível mas a ideia é estudar a fundo esse tema e tirar conclusões.

 

 

Por falar em génios, a Mercedes encontrou uma ideia para facilitar a tarefa dos pilotos nas largadas. Este ano os pilotos têm a vida dificultada com a embraiagem que terá uma resposta linear (como acontece com as embraiagens dos nossos carros) ao contrário do ano passado em que o piloto tinha uma margem de segurança. O que acontecia era que os pilotos podia largar a patilha de embraiagem digamos 20% e dos 20 aos 80% o comportamento da embraiagem era quase o mesmo e estava no ponto óptimo para a arrancada. Este ano os pilotos deixam de ter essa benesse e a patilha de embraiagem funcionará como a de um carro normal aumentando significativamente a possibilidade de falhas nas largadas. 

Para além disso a posição das patilhas de embraiagem é regulamentada de forma a que as equipas não possam arranjar forma de colocar pontos de referência que ajudem os pilotos. Sem querer entrar em demasiados pormenores em relação aos tamanhos regulamentados, a Mercedes arranjou uma solução para contornar esse problema… criou uma configuração que permite uma patilha mais larga que permite alocar 2 dedos e assim permite ao piloto ter maior sensibilidade, controlando melhor a embraiagem. Pequenas ideias que podem fazer a diferença.

 

Por fim a falta de génio… O responsável da Honda veio a público dizer que já existem soluções para os problemas encontrados em Barcelona e que ao contrário do que foi veiculado, não foram vários problemas mas sim apenas um especifico cuja solução está encontrada. A marca pretende ainda redefinir os mapas dos motor para permitir melhor entrega de potência a tempo de Melbourne assim como mais potência o que está a ser trabalhado. Será que conseguem entregar estas soluções a tempo?

 

fontes: pitpass.com; autosport.com; thecheckeredflag.co.uk

 

 

Fábio Mendes

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