F1 – O talento de Ayrton Senna

Ayrton Senna é um dos maiores nomes da F1, provavelmente o maior. A discussão continuará para sempre e muitos terão diferentes opiniões… Para alguns Juan Manuel Fangio será sempre o melhor, para outros Michael Schumacher, para outros Jim Clark ou Gilles Villeneuve, ou até Alain Prost. Mas a admiração por Senna é comum à grande maioria dos fãs de automobilismo.

Mas hoje, vamos tentar entender o que tornou Senna grande… para nós o maior de todos.

Ayrton Senna:
41 vitórias (25.47 %)
65 pole positions (40.37 %)
19 voltas mais rápidas (11.80 %)
80 podiums (49.69 %)
Os números são esclarecedores… em 161 GP’s , Senna venceu 41 vezes, mas mais impressionante ainda é a percentagem de poles que conseguiu ao longo da sua carreira… apenas Fangio conseguiu fazer melhor.
Ayrton Senna era de facto o mais rápido da sua geração e provavelmente um dos mais rápidos de sempre. Mas qual era o segredo da sua velocidade? O que permitia a Senna conseguir bater a concorrência quando era preciso ser mais rápido? Senna tinha uma técnica de condução muito especifica.
Ayrton foi dos primeiros a perceber a importância dos detalhes na F1 e não deixava nada ao acaso. A começar pela parte fundamental de um carro de F1… os travões. Segundo a Brembo, que trabalhou com Senna na altura, o brasileiro era dos poucos, senão o único, a testar pessoalmente novas peças para os travões. Ao nível técnico, o brasileiro preferia usar cilindros mais pequenos que os outros pilotos de forma  a privilegiar a eficiência e a performance do conjunto.
Outro dos truques de Senna, esse mais conhecido, era a forma como usava o acelerador a meio da curva. Ao contrário de outros pilotos, Senna pisava repetidamente o acelerador a meio da curva o que lhe permitia manter as rotações do turbo e assim evitar perda de potência à saída e assim ganhava também algum tempo. Enquanto martelava o acelerador, Senna conseguia a velocidade a meio da curva, o que na prática se traduzia num décimo de segundo de vantagem. Senna também tinha uma fórmula sua no que dizia respeito a passagens de caixa em curva, defendendo que não se devia reduzir logo no início da travagem, mas sim passado o primeiro terço da zona de travagem.
Telemetria acompanhada de imagens de em Suzuka
Outro dos grandes trunfos de Senna era a forma como sentia o carro. Ayrton era capaz de sentir as reacções do carro provavelmente como nenhum outro piloto, conseguindo assim perceber onde estava a aderência. Martin Brundle, um dos grande admiradores de Senna, continua até hoje a dizer que Senna tinha um “um dom dado por Deus que lhe permitia entender onde a aderência estava”, conseguindo assim as tão famosas voltas à chuva. Isso foi conseguido com muito treino à chuva nos karts, onde aperfeiçoou a sua arte. A sua sensibilidade era tão grande, que num documentário em 1993 que o canal seguiu a McLaren durante uma época há uma cena que demonstra bem a sua capacidade. Senna queixou-se de um barulho estranho no motor e insistiu que havia um problema, enquanto os engenheiros duvidavam seriamente disso. No entanto o chefe de equipa confiou na palavra do piloto e trocou o motor (na altura podiam-se usar quantos motores se quisessem). Resultado? Uma cambota defeituosa foi encontrada… Senna tinha razão.

 

Excerto do documentário onde Senna afirma que o seu motor tem um defeito.

Juntando um conhecimento extremo sobre os travões, a forma de aceleração a meio da curva e a extrema sensibilidade em relação ao carro resultavam numa vantagem tremenda.
Diferença da técnica de Jonathan Palmer e Senna explicada com telemetria
Mas provavelmente a característica que mais o diferenciava era a sua capacidade mental e o seu foco. Senna vivia para a F1 e a sua vontade de vencer, levava-o a absorver todo o conhecimento e acima de tudo a níveis de concentração extremos. Para isso o seu treino era fundamental, tanto na vertente física, um aspecto em que penou no inicio da sua subida para a F1, mas essencialmente na vertente psicológica. A capacidade mental de Senna  era fundamental… era isso que lhe permitia sentir o carro e perceber a aderência, que lhe permitia antecipar cada curva e assim saber exactamente onde colocar o carro.
A concentração era tal que em 84 culpou a deslocação de uma barreira por ter feito um pião… Pat Symonds não acreditou muito na conversa mas na verdade um toque na barreira levou a que esta se deslocasse uns milímetros para dentro da pista confirmando o que Senna tinha dito.
Quando na famosa qualificação de Monaco em 1988 em que foi mais rápido que Prost 1.427 segundos, Senna afirmou que não pilotou o carro conscientemente, mas sim quase que por instinto… que para ele o circuito era um túnel e que tudo o resto à sua volta desapareceu. É dificil conseguir imaginar sequer o nível de concentração necessário para tal.  O segredo do seu sucesso estava na sua mente… e na forma intensa como vivia o desporto, a sede de vitórias desmesurada. Por isso na sua guerra com Prost foi fundamental ele triunfar… Prost era o melhor na altura e ele quis simplesmente mostrar que conseguia ser ainda melhor… e levou isso ao extremo. Ainda hoje podemos ver casos de pilotos que usam essa táctica para se motivar e tentar desestabilizar o adversário (o caso Hamilton vs Rosberg é o  mais fresco).
Nuno Cobra, preparador físico e mental de Senna foi uma peça importante no seu sucesso
 Senna acreditava cegamente nas suas capacidades, que era capaz de vencer… que tinha de vencer. E foi isso que fez dele um piloto único. Usou a sua inteligência para entender a F1, tanto politicamente como na parte técnica, soube admitir as próprias fraquezas para começar treinar e encontrar a força física para enfrentar uma corrida e com isso, encontrou a força mental para potenciar ainda mais o seu talento. Usou a sua força mental em conjugação com a sua Fé para encontrar o foco, a motivação e a certeza que iria vencer… e venceu.
Técnica de condução de Senna
 Talvez por isso Senna se tenha tornado mítico… não apenas pelo seu talento ao volante, pois outros nomes como Gilles Villeneuve eram magos a pilotar, mas não se tornaram num fenómeno mundial como Senna. A sua capacidade de ir aos limites e ultrapassa-los mostrou a todos que com trabalho, perseverança, dedicação e foco e uma confiança inabalável nas nossas capacidades conseguimos atingir objectivos grandiosos.
Senna no GP do Mónaco em 1984
http://www.youtube.com/watch?v=ERgjg67d4kg

“Fui feito para vencer” – Ayrton Senna

Fontes:
http://jalopnik.com
motorsport.com
ayrtonsenna.com.br
statsf1.com
believeperform.com
punditarena.com

 

Fábio Mendes

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