WTCC – 5 motivos para ver o WTCC em 2017

O campeonato do mundo de turismos está à porta e é já no próximo fim de semana que a competição a sério se inicia.  Muitos têm apontado o decréscimo do número de participantes e a saída de dois construtores oficiais como os efeitos mais visíveis de um campeonato a decrescer de interesse, mas se olharmos com atenção veremos que há mais motivos para ver o WTCC do que mudar para outro programa.

 

1# Honda finalmente campeã?

Os mais atentos irão apontar o dedo e dizer que a Honda já foi campeã em 2013. Mas nessa altura contava apenas com a concorrência da Lada que nesse tempo… não era concorrência para ninguém. Depois da entrada da Citroen, os nipónicos ficaram de olhos em bico com o andamento dos franceses e nunca arranjaram solução para os igualar. Este ano são a única marca oficial em pista, a par da Volvo, o que facilita a tarefa nas contas do campeonato. Mas o que queremos mesmo é ver um piloto Honda Campeão. E essa deverá ser também a vontade de Norbert Michelisz e principalmente de Tiago Monteiro, um dos mais experientes do grid. A luta com os Citroen privados vai ser dura e a Volvo vai com certeza mostrar mais, mas todos são obrigados a admitir que Monteiro e Michelisz são os favoritos ao titulo. Serão capazes de concretizar esse sonho?

2# O que vale a Volvo neste segundo ano

O primeiro milho é para os pardais, diz o ditado popular, tentando justificar quando as coisas não correm bem à primeira. No caso da Volvo nem é caso para tanto pois o carro mostrou muito potencial e até venceu uma vez, mas neste segundo ano os suecos não brincaram. Continuaram o desenvolvimento do carro, foram buscar dois excelentes pilotos e um tal de Yvan Muller como conselheiro (tanto que rodou em Monza no teste em vez de Catsburg). A Volvo começou a meio gás mas agora coloca o acelerador no fundo e aposta forte. Será que consegue chegar ao nível da Honda e ameaçar os nipónicos? Será que os consegue suplantar e brilhar no seu segundo ano?

 

3# Privados na luta pelo título absoluto?

Sempre foi uma das características do WTCC… as equipas privadas e os seus pilotos frequentemente se intrometiam na luta pelo título absoluto, o que dava outro colorido à competição (algo que se perdeu com esta regulamentação TC1). Este ano, com os C-Elysée da Citroen livres e sem a estrutura francesa no campeonato, poderemos voltar a ter esse cenário e o nome que ganha destaque é de Rob Huff. Agora numa máquina francesa, o britânico (que é agora o piloto com mais vitórias no campeonato no activo) é claramente um dos grandes favoritos e já deixou isso claro. Mas Bennani mostrou uma evolução grande em 2016 e Chilton já mostrou que tem estofo para rodar na frente. Será que conseguem dar luta aos oficiais e quem sabe lutar pelo ceptro de campeão? E a recém criada RC Motorsport conseguirá tirar todo o potencial dos Lada Vesta? Conseguirá a Zengo regressar às primeiras posições da tabela?

 

 

4# Novos nomes no grid

A juventude é também um factor a ter em conta neste grid. Temos muita malta nova a dar os primeiros passos no campeonato ou a tentar afirmar-se no mundo do desporto motorizado. Aurelien PanisYann Ehrlacher são os rookies de 2017 e terão de mostrar o seu talento face a pilotos com mais experiência. John Filippi é já um nome conhecido deste campeonato mas este ano tem em mãos uma máquina mais capaz. Em conversa pessoal no ano passado em Vila Real, o piloto admitiu-nos que teve hipótese de pilotar um carro mais competitivo no ano passado mas preferiu esperar e ganhar mais experiência num carro menos capaz e assim ganhar estofo para o futuro. Este ano tem hipótese de mostrar isso. Nestor Girolami tem finalmente a oportunidade que o seu talento merece e fará o ano inteiro com a Volvo. O piloto terá de confirmar as excelentes indicações que deixou nas 3 provas em que participou, mas estamos certos que não desiludirá. E há também Esteban Guerrieri que para já fará apenas 5 corridas mas que continua em negociações para fazer a época inteira, algo que poderá acontecer e Rio Michigami que terá de tentar andar ao mesmo ritmo dos seus colegas de equipa da Honda. São para já nomes que precisam de mostrar o rendimento que se espera deles e que serão também parte importante do espectáculo. E quem sabe se mais surpresas não surgem ao longo do ano?

 

#Joker Lap

O WTCC tem feito esforços muito positivos para introduzir novos conceitos no automobilismo e depois do MAC3 que se tornou num conceito interessante, este ano pretende introduzir uma novidade, inspirada no WRX. A Joker Lap é um troço de pista extra que é percorrido apenas uma vez pelos pilotos. No caso do WRX, a Joker Lap aumenta em média 2 segundos o tempo por volta o que mistura as contas, exige uma estratégia muito cuidada e beneficia o espectáculo. O promotor do WTCC quer com isto dar mais entusiasmo às pistas citadinas onde é claramente mais complicado de ultrapassar. Marraquexe era supostamente a primeira experiência do género mas a reformulação do traçado para uma pista semi-permanente impediu que isso acontecesse. Como o circuito de Macau não permite que essa ideia seja aplicada, será em Vila Real que veremos a Joker Lap introduzida. Para já os pormenores ainda não estão definidos e a FIA tem a ultima palavra, mas a vontade é usar a recta da meta e a secção que apenas é usada nas largadas, mas para já nada está confirmado. No entanto é mais uma solução que poderá dar mais dinamismo às corridas e quem sabe fazer moda noutras modalidades.

Foto: Chicane Motores

 

Conclusões?

Essas serão tiradas no final do campeonato mas, embora com apenas 16 carros, este ano parece ser um dos que mais interesse suscita. O gird é curto mas tem qualidade… muita qualidade. Nomes como Huff, Monteiro, Michelisz, Huff, Catsburg, Coronel, Bjork, Girolami garantem talento em pista e os mais novos têm muito potencial e claro vontade de o mostrar. Mas esperamos uma luta renhida até ao final, ao contrário do que foi acontecendo nos últimos 3 anos por culpa de um tal de Lopez.

Em relação aos testes oficiais não se pode tirar conclusões. Huff está super confiante e o andamento dos C-Elysée foi dominador, mas os Volvos vão evoluir bem e esconderam o jogo (não colocaram os transponders  no 2º dia e assim não ficaram registados os tempos) e a Honda seguiu um programa de desenvolvimento que não tinha em conta a performance geral. Segundo Monteiro, cada Honda testou uma solução diferente e assim o resultado final das evoluções não pôde ser confirmado. Além disso, Monza é uma pista muito especifica que claramente não beneficia os Civic, ao contrário dos Cruze por exemplo que tem maior velocidade de ponta, sem falar dos Citroen e dos Volvo. O calendário do WTCC tem uma variedade de pistas muito saudável que permite a cada carro mostrar os pontos fortes e fracos ao longo do ano.

 

 

O WTCC pode estar numa fase menos positiva mas ainda apresentar argumentos de peso para convencer os fãs a ir às pistas e ver as corridas pela TV.

Calendário:

Round Circuito Data
1, 2 Marrakech 7 – 9 April
3, 4 Autodromo di Monza 28 – 30 April
5, 6 Hungaroring 12 – 14 May
7, 8 Nürburgring Nordschleife 25 – 27 May
9, 10 Vila Real 23 – 25 June
11, 12 Autodromo Termas de Rio Hondo 4 – 6 August
13, 14 Shanghai International Circuit 13 – 15 October
15, 16 Twin Ring Motegi 27 – 29 October
17, 18 Circuito da Guia 17 – 19 November
19, 20 Losail International Circuit 30 Nov – 1 Dec

 

 

fontes: touringcartimes.com; touringcars.net

Fábio Mendes

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