TCR – O que aprendemos com Monza?

É o que todos os fãs de corridas automóveis querem: bons pilotos, muitas ultrapassagens, toques e suspense até ao fim da prova. Esta é a fórmula de sucesso do TCR International Series. Monza não foi diferente do que esta série nos habituou, mas Roberto Colciago, especialmente este piloto, deu espectáculo. No final, as contas do campeonato estão ainda mais confusas, mas é isso que nós queremos.

TCR International Series Monza 12 - 14 May 2017

Roberto Super Colciago

Foi fantástico durante todo o fim de semana! Rápido nos treinos e na qualificação, venceu a corrida 1 desde a excelente largada, deixando para trás o pole sitter Fréderic Vervisch, até ao cruzar a meta pela última vez. Mas nas nossas contas, ficou a prestação do italiano na corrida 2. Saiu de 9º num arranque fenomenal e termina coladinho à traseira do Audi RS3 de Stefano Comini, o vencedor dessa corrida. Melhor só vencendo… o que quase acontecia.

Atenção que Colciago tem os mesmo anos como piloto que eu tenho de idade (como disse o Guterres, é só fazer as contas) e percebe disto a “pacotes”, mas não significa que tenha que vencer sempre. E o facto de correr em Monza, um circuito que conhece muito bem, ajudou a esta extraordinária prestação. Contem com ele e com a M1RA para o resto da época, porque me parece que Colciago vai estar na luta até ao fim.

Colciago foi penalizado em 5 lugares na próxima grelha de partida, por contacto com outro piloto na corrida 2.

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Comini Style

Se se derem ao trabalho (nós demos…Nerds!) de analisarem os dados do TCR durante o fim de semana, vão-se aperceber que Stefano Comini foi quase sempre, o piloto com a velocidade mais alta no Autódromo de Monza. Isso só por si, não significa que Comini seja o mais rápido, coisa que não aconteceu, mas significa que o Audi RS3 nas mãos do suíço é uma arma de destruição maciça para os adversários. O carro é muito potente e com Comini no volante, arriscam-se na Comtoyou a festejarem vitórias em muitas outras corridas.

Enquanto os homens da Craft Bamboo pedem à Seat mais potência, e em Monza faltava sempre alguns cavalos aos 3 pilotos dos Seat vermelhos, Comini não se pode queixar do mesmo. Para além disso, defendeu aguerridamente a sua liderança e nem mesmo Colciago o conseguiu arrancar do primeiro posto, para a sua segunda vitória da época.

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Uns são colegas de equipa, outros nem por isso

Em Spa ficamos surpreendidos pela positiva, com o gesto de Rob Huff (que não esteve presente em Monza e no seu lugar apareceu Japp van Lagen) para com Jean-Karl Vernay. O britânico não é conhecido pelo jogo de equipa, mas em Spa deixou a porta escancarada para Vernay vencer e somar pontos preciosos no campeonato.

Em Monza, ficamos surpreendidos com Fréderic Vervisch… mas pela negativa. Durante a qualificação, enquanto os homens da Craft Bamboo seguiam juntos para se ajudarem mutuamente com o cone de aspiração, o belga saiu para a pista e não ajudou Stefano Comini nesse aspecto, aliás até conseguiu a pole, mas quem luta pelo campeonato é o suíço e não Vervisch. Não seria lógico um colega esperar pelo outro?

Comini se calhar nem precisava, mas a verdade é que só garantiu a 10ª posição da grelha para a corrida 1 (terminou em 9) e o 3º posto da grelha para a corrida 2, que venceu depois de um bom arranque. Vervisch saiu da pole para a corrida 1 e não capitalizou, tendo terminado apenas em 6º.

Se calhar é uma falsa questão, mas continuamos a pensar que era mais fácil o belga ter esperado por Comini e ter “defendido” o seu colega de equipa.

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Sempre a andar!

Excepção feitas às penalizações a Ferenc Ficza (por cortar a curva 1 e 2 e ganhar vantagem sobre adversários), a Jaap van Lagen (por troca de motor) e a Roberto Colciago (por contacto com outro piloto), os Stewards do TCR são muito abertos a toques e à utilização de mais alguns centímetros das escapatórias. Isso beneficia o espectáculo, porque ajuda nas lutas entre pilotos, não fosse o TCR ser uma série de carros de turismo.

Existe uma percepção por parte dos “juízes” que é preciso dar mais liberdade aos pilotos para haver mais lutas e para o pelotão estar mais compacto (na corrida 2, os 9 primeiros ficaram separados por 4 segundos), originando mais possibilidades de ultrapassagens.

Para alguns, mesmo dentro do campeonato, como é o caso da WestCoast Racing, este é um problema. Para além dos protestos, a WestCoast ameaçou mesmo a avaliação do seu programa de TCR devido à inacção dos comissários em Monza.

James Nixon, o team manager da WestCoast, afirmou que não sabe se a equipa está disposta a apoiar esta filosofia de corridas.

Costuma-se dizer que “quem não se sente, não é filho de boa gente”. O que defendemos, como fãs do desporto, é uma série que seja emotiva e numa era muito “higiénica” do desporto automóvel, o TCR traz o espírito dos turismos de volta.

 

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Pedro Mendes

 

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