WTCC – Corrida da Alemanha: Antevisão

A 4ª jornada do mundial de turismos FIA tem lugar este fim de semana num palco de excepção… Apelidado por alguns como a melhor pista do mundo, por muito como a mais difícil e desafiante, o WTCC regressa a um dos templos do automobilismo…Nordschleife.

O “Inferno Verde”, como lhe chamou Jackie Stewart, é para os amantes do desporto motorizado, especial. Uma pista única, com um layout espantoso e com uma história ímpar.

Em 1925 iniciaram-se a obras de construção de uma pista dedicada a corridas, pois as corridas em estradas públicas começavam a ser impraticáveis. A ideia era fazer uma pista que recriasse o espírito da mítica Targa Florio, uma das corridas mais importantes de sempre. Em 1927 foi então concluída a obra e feitas as primeiras corridas com Toni Ulmen a ser o primeiro vencedor nas motos, com uma 350cc Velocette e no dia a seguir Rudolf Caracciola a vencer com um Mercedes Compressor de 5000cc.

A pista foi recebendo os grandes eventos do desporto motorizado de forma quase ininterrupta até a IIª Grande Guerra. Em 1947 a pista voltou a receber eventos do desporto motorizado e em 51 acolheu pela primeira vez uma corrida de F1. Em 53 foi organizado os 1000Km de Nurburgring.

A evolução dos carros de corrida e o aumento da velocidade começou a tornar a pista demasiado perigosa e em 1967 foram introduzidas algumas alterações para obrigar a diminuição da velocidade dos carros. Mas em 1970, aquando do acidente de Piers Courage, os pilotos decidiram boicotar a corrida alemã, tal como fizeram em Spa, caso não fossem adoptadas medidas de segurança. As alterações não podiam ser feitas em tão pouco tempo e a corrida foi transferida para Hockenheim.

As obras necessárias foram feitas, com a diminuição de algumas elevações e a introdução de barreiras protectoras e a F1 voltou de 1971 a 1976, ano em que Niki Lauda teve um grave acidente onde quase perdeu a vida. O acidente mostrou que o tamanho da pista não permitia o socorro dos pilotos a tempo, além de necessitar de muitos mais meios e dificultar as transmissões televisivas.

Em 1984 ficavam concluídas as obras da nova pista que passou a ser chamada de Nurburgring GP. Para inaugurar o circuito foi feita uma tal corrida com uns Mercedes 190E com vários nomes sonantes da F1: Elio de Angelis, Jack Brabham (campeão em  1959, 1960, 1966), Phil Hill (1961), Denis Hulme (1967), James Hunt (1976), Alan Jones (1980), Jacques Laffite, Niki Lauda (1975, 1977), Stirling Moss, Alain Prost, Carlos Reutemann, Keke Rosberg (1982), Jody Scheckter (1979), Ayrton Senna, John Surtees (1964) e John Watson. Foi nesta corrida que Senna deu nas vistas e venceu. Atrás de si ficava Niki Lauda, que largou do final da grelha por não ter feito a qualificação e apenas não conseguiu passar o brasileiro.

 

O WTCC visita o temido traçado alemão desde 2015 e o resultado tem sido um misto de emoções, surpresas e desilusões… o cocktail habitual da pista germânica.

Pontos de  Interesse:

Honda – Monteiro líder e com vontade de assim permanecer

Monteiro tem ainda contas por resolver com o traçado alemão. No ano passado um furo retirou-lhe a vitória na última volta e pregou-lhe provavelmente um dos maiores sustos da sua carreira. O agora líder do campeonato, com 38 pontos de vantagem, quer manter a série positiva e tem agora em Nordschleife a oportunidade de confirmar aquilo que mostrou no ano passado. Michelisz tem tido um início de época menos positivo e ocupa apenas a 8ª posição do campeonato. Irá a partir de agora, servir de escudeiro de Monteiro… Mas claramente o húngaro tem tido muito azar neste início e tem capacidade para mais. Michigami tem tido uma estreia bem discreta e tem apenas um ponto em seu nome. Um ano claro de aprendizagem numa realidade completamente diferente do que estava habituado.

 

Tiago Monteiro:
“Não poderia ter pedido um começo melhor para a temporada. As melhorias feitas durante o inverno resultaram em todos os circuitos que visitamos e temos um carro mais rápido e que reage melhor com os lastros. Nurburgring tem uma série de desafios únicos com muitas curvas de alta velocidade, grandes curvas e uma longa recta para terminar a volta. É  preciso ter um carro forte em todas os aspectos.”

Volvo – Catsburg na perseguição ao primeiro lugar, com Björk por perto.

A Volvo tem cumprido neste início de época e tem 2 pilotos bem colocados para dar luta a Monteiro pelo título. Björk e Catsburg têm sido regulares e estão relativamente perto do português. Girolami tem tido o azar do seu lado, com duas desistências que lhe custaram caro e que o remetem para uma posição secundária, para já. Os homens da equipa sueca já sabem que a Honda vai virar as atenções para Monteiro e por isso querem capitalizar da melhor forma a ligeira vantagem que o traçado alemão lhes confere. Para Björk e Catsburg será um regresso, mas para Girolami será uma estreia, o que vai dificultar mais a vida ao argentino que trabalhou muito no simulador para preparar esta prova. A Volvo é uma das grandes favoritas para esta prova.

Privados – Citroën com uma palavra a dizer

Chilton mostrou no ano passado que os C-Elysée da Loeb Racing são capazes de lutar por pódios. E este ano espera-se mais do mesmo, com os homens da SLR e Rob Huff a serem nomes a ter em conta. Chilton é para já o homem que mais pontos acumulou nos privados mas Bennani está a manter a toada regular do ano passado e Huff quer recuperar terreno, num traçado que conhece bem. Coronel é também um dos especialistas desta pista e também quererá vingar o azar do ano passado.

 

Lastros:

Volvo S60 TC1 – 1,180kg – +80kg
Citroën C-Elysée WTCC – 1,180kg – +80kg
Honda Civic WTCC – 1,170kg – +70kg
Chevrolet RML Cruze TC1 – 1,130kg – +30kg
Lada Vesta WTCC – 1,100kg – +0kg

 

Treinos

Na primeira sessão de treinos, foi Huff o mais rápido em pista conseguindo superar Michelisz, Catsburg, Bennani e Chilton, com Monteiro a aparecer apenas na 6ª posição.

Na segunda sessão os papeis trocaram-se, com Michelisz a conseguir o melhor tempo e Huff a ficar em 2º. Chilton, Catsburg e Coronel fecharam o top 5, com Monteiro a ficar apenas em 7º. Mas o destaque foi para o acidente de Ehrlacher com bateu forte contra as protecções da pista, devido a uma falha na direcção do seu Lada Vesta.

Os destaques até agora vão para Huff e Michelisz (os mais rápidos em pista) e para os pneus da Yokohama. O fornecedor de pneumáticos já descartou as culpas dos furos que voltaram a atacar os pilotos (tal como no ano passado) e afirmou que as equipas estão a rodar a pressões abaixo das recomendadas. Huff foi uma das vozes mais assertivas, dizendo que os pneus são de facto uma preocupação e que o fornecedor devia ter um set de pneus especifico para esta pista. E quanto às pressões baixas, o britânico defendeu que se usarem as pressões definidas pela Yokohama, no final da volta estarão com pressão a mais e os pneus deixam de funcionar. Mais uma vez o fornecedor de pneus a deixar ficar mal o WTCC na pista onde ninguém quer ter problemas de pneus.

Dados da pista:

Comprimento: 25.378 Km

Distância da corrida de abertura e corrida principal: 76.134 (3 voltas)

Recorde de pista: José María López (Citroën C-Elysée) 8m35.541s (177.21kph), 27/05/16

Volta mais rápida em corrida: José María López (Citroën C-Elysée), 8m40.688s (175.40kph), 16/05/15

 

Horários:

Sexta – 11:45 – Qualificação

Sábado – 10:15 / 11:15: corrida 1
Sábado – 11:15 / 12:15: corrida 2

 

Traçado:

 

Onboard:

 

No ano passado foi assim:

 

 

Fábio Mendes

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