WTCC 2017: Ponto de situação

2017 tem sido um ano intenso no WTCC. Se no início do ano muitos duvidavam do futuro do campeonato FIA de Turismos, 4 rondas depois, temos um campeonato ao rubro!

As notícias no final de 2016 não foram animadoras para o WTCC. A Citröen já tinha anunciado a sua saída do campeonato, ainda antes do final da temporada, para se concentrar noutros projectos. Uma baixa de vulto, pois os franceses dominaram a competição durante 3 anos seguidos e eram uma das marcas oficiais que dava relevo ao campeonato. Mas a situação piorou quando a Lada afirmou que iria também retirar-se do WTCC. Em poucos meses, o mundial de turismos ficava com menos 2 marcas oficiais, um sinal claro que algo estava mal. No entanto, o espectáculo tinha de continuar e as equipas começaram a preparar a nova época o que, surpreendentemente, trouxe boas surpresas, que iriam mexer de forma positiva com o campeonato.

A Honda manteve 3 carros mas mudou um piloto… A saída de Rob Huff permitiu a entrada de Ryo Michigami, que se estreou no ano passado na ronda japonesa do WTCC. Mas Huff não ficou sem assento e mudou-se para a Münnich, que apostou forte nesta nova época, com a escolha de um Citröen C-Elysée como nova máquina. A combinação do melhor carro do “grid” com um dos melhores pilotos do campeonato deixava os fãs animados.

E quando se temia um “grid” demasiado pequeno para a dimensão do campeonato, eis que a “RC Motorsport” pegou nos Lada Vesta , conseguindo colocar numa primeira fase um carro em pista, passando para dois logo na segunda ronda do campeonato, com a entrada de Kevin Gleason para acompanhar Yann Ehrlacher, sobrinho de Yvan Muller.

 

 

 

 

Por falar em Muller, o francês passou a ser consultor e piloto de testes da Volvo que, depois de um ano de aprendizagem, apostava em três carros e renovava a sua equipa com a entrada de Néstor Girolami e Nicky Catsburg, para acompanhar Björk que transitou da época passada. Uma tripla que tinha como objectivo claro lutar pelo título.

John Filippi trocava o Chevrolet da “Campos Racing” pelo Citröen da “Sébastian Loeb Racing” (Demoustier saiu da equipa e não deixou saudades) e para a vaga que ficou livre na equipa espanhola surgia Esteban Guerrieri, embora não fazendo a época completa.

O resto do “grid” mantinha-se inalterado mas as mudanças acima referidas eram animadoras pois o número de carros em pista não diminuiu muito e acima de tudo, parecia que este ano a luta pelo título seria renhida, com a Honda e a Volvo a lutarem entre si, e os privados tinham agora oportunidade de brilharem mais.

O arranque do campeonato aconteceu em Marrocos e ficou claro que a luta pelo título seria entre Honda e Volvo. Tiago Monteiro conseguiu uma pole categórica para a Corrida Principal e notou-se uma evolução clara, tantos dos Civic como dos S60, que se apresentavam mais competitivos e capazes de superar os Citröen. A primeira vitória do ano foi para… Esteban Guerrieri que começou da melhor forma o ano com uma vitória inesperada. Ehrlacher tinha conquistado a pole para a Corrida de Abertura mas foi penalizado por não ter parado nas pesagens, ficando assim Tom Coronel com a pole. No entanto os travões do Cruze não aguentaram a exigência e o calor do traçado marroquino e o holandês foi obrigado a desistir, entregando assim a vitória ao argentino. Na corrida principal Monteiro não deu hipóteses e venceu, saindo líder da primeira ronda do ano.

 

A segunda ronda teve como palco o templo da velocidade. O circuito de Monza voltou a receber uma prova do mundial de turismos e aqui a vantagem era dos Volvos e dos Citröen, que mostraram mais velocidade de ponta nos ensaios de pré-época. A pole ficou entregue a Björk, que confirmou o favoritismo das máquinas suecas mas os Honda tiveram prestações interessantes, com Monteiro a conseguir ficar em 2º na qualificação, muito próximo do registo de Björk, não perdendo muito tempo nas rectas.

Na Corrida de Abertura, Chilton aproveitou da melhor forma um desentendimento entre Bennani, que liderava, e Michelisz, ficando ambos fora de combate, com o britânico a lucrar com os azares alheios, enquanto atrás de si Huff e Monteiro conseguiam um lugar no pódio, com Björk na 4ª posição.

Na Corrida Principal, Björk perdeu a liderança na largada para Monteiro mas a velocidade do Volvo permitiu que o sueco regressasse ao primeiro posto da prova, que nunca mais perdeu. Huff completou o top 3 e no final, Monteiro saia com a liderança consolidada, tendo Björk como seu perseguidor mais próximo.

 

 

O 3º fim de semana do mundial de turismos, na Hungria, começou da pior forma para a Honda, com Monteiro e Michelisz a ficarem de fora dos 5 primeiros na qualificação, enquanto Huff arrecadava a pole para a Corrida Principal. Mas o cenário mudou de figura na Corrida de Abertura, em que Monteiro foi vencedor, depois de um arranque fulminante que lhe permitiu depois gerir a corrida da melhor forma. A Corrida Principal foi ganha por Bennani que, ao contrário da ronda anterior, soube evitar as confusões e voltou assim a vencer na pista húngara, com Catsburg e Chilton a acompanharem o piloto da Loeb Racing. Monteiro foi 5º e Björk foi 7º. O português da Honda era mais líder e confirmava a candidatura ao título.

 

A 4ª jornada do WTCC correu-se no Inferno Verde de Nordschleife, uma pista que no ano passado tinha sido ingrata para Monteiro. Este ano as coisas pareciam bem encaminhadas para a marca nipónica, com Michelisz a conseguir a pole para a corrida principal, Monteiro a ficar em 4º e com o Honda a mostrar potencial para ser a máquina ideal para o fim-de-semana.

Na Corrida de Abertura deu-se um golpe de teatro que marcará esta época. Monteiro voltou a sofrer um furo, que desta vez não o atirou para fora de pista mas que aconteceu praticamente no início do traçado de 22km, o que obrigou o português a voltar para as boxes muito devagar para não danificar ainda mais o seu Civic. Não foi o primeiro furo do fim-de-semana, em que outros pilotos apresentaram o mesmo problema nos treinos, assim como em corrida, como foi o caso de Girolami. O português estava muito agastado com a situação, pois os danos no carro eram tantos que o obrigavam a sair das boxes para a corrida principal. Monteiro foi peremptório nas suas declarações ao apontar o dedo a Yokohama, dado que este incidente o prejudicava sobremaneira na luta pelo título e era uma repetição do que tinha acontecido em edições anteriores. Para a história fica a vitória de Björk com Huff e Bennani a fechar o top 3.

Na Corrida Principal tivemos um Tiago Monteiro muito aguerrido a tentar subir o máximo de posições possível, mas em Nordschleife o ETCC corre com o WTCC, o que significava que o português teria de passar pelos 11 carros do ETCC e só então tentar chegar aos pontos, tarefa hercúlea que se tornou impossível de concretizar. Michelisz também não foi capaz de aproveitar o facto de sair da pole e foi Catsburg que arrecadou a liderança, que nunca mais largou até ver a bandeira de xadrez, seguido de Michelisz e Huff.

 

No final, as contas eram simples de fazer… a regularidade de Catsburg permitia-lhe assumir a liderança do campeonato, com Monteiro a perder a vantagem que tinha, ficando em segundo, a dois pontos do primeiro e com 6 pontos de vantagem para o terceiro classificado, Björk.

Recapitulando, temos um campeonato equilibradíssimo em que a Volvo está muito forte, com Catsburg agora líder e Björk na 3ª posição e Monteiro, como“ponta de lança” da Honda. O português tem estado numa forma notável e a motivação de chegar ao título é grande. O contratempo na ronda alemã foi demasiado penalizador para o #18 mas ainda há muito campeonato pela frente e a Volvo terá de gerir muito bem a situação dos seus dois pilotos enquanto que na Honda o foco está completamente em Monteiro.

Destaque para as prestações de Ehrlacher, o estreante que mais tem dado nas vistas, com exibições muito interessantes; Tom Chilton, que este ano tem aproveitado os erros dos adversários e é agora líder do campeonato dos independentes e Guerrieri, que inicialmente não tinha planeado vir a Vila Real mas, fruto das boas exibições, vai ganhando apoios e por conseguinte poderá vir experimentar as emoções do traçado transmontano.

Do outro lado da balança, com prestações abaixo do esperado temos os estreantes da Zengo, que não têm mostrado o nível de Ehrlacher; Girolami que embora seja excelente piloto, tem tido o azar do seu lado; Michigami que é claramente o elo mais fraco da Honda.

Na ronda de Vila Real, Monteiro tentará o ataque à liderança, numa pista onde Catsburg não tem sido feliz e onde os Volvo tiveram muitas dificuldades no ano transato. No troféu dos independentes, Chilton é líder com 4 pontos de vantagem para Huff e 5 para Bennani. Quem disse que o WTCC não teria motivos de interesse?

 

Fábio Mendes

Chicane Motores / Purple Profile – New Media Agency

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