WTCC – Vila Real: Análise

O momento que muitos esperavam e pelo qual muitos se esforçaram para que acontecesse, já passou. Mehdi Bennani e Norbert Michelisz foram os vencedores do dia de ontem, mas muitos mais saíram de Vila Real com o sentimentos de dever cumprido, outros nem por isso. Foi um fim de semana difícil para todos os envolvidos, com acidentes estranhos, a introdução da Joker Lap e o calor forte no Sábado mas com a ameaça de chuva para Domingo, que poderia estragar a corrida e levaria à anulação da Joker Lap. Tal não se confirmou e no final, mesmo sem Tiago Monteiro vencer, a cerimónia do pódio foi emocionante.

Norbert Michelisz foi muito forte

Houve um piloto que desde início se mostrou muito forte. Foi Nobert Michelisz, que nos confidenciou ainda antes de ir para a pista, que estava motivado e que não haveria ordens de equipa para deixar passar o português. Os treinos livres correm-lhe bem e o húngaro já tinha mostrado nos anos anteriores que se dava bem com o traçado transmontano. Monteiro também andou sempre no topo da tabela de tempos, mas Michelisz parecia estar um pouco melhor que o português.

Outros pilotos mereceram também a nossa atenção, como Huff, Bennani e Bjork. No entanto, o húngaro deixava transparecer uma maior à vontade dentro do Honda Civic. A boa prestação na Alemanha ajudava Michelisz a manter-se concentrado e na qualificação o #5 foi muito forte. Apenas na Q2 Monteiro foi mais rápido, mas ainda assim, Michelisz ficou a apenas 0,17s do companheiro de equipa. Menos de metade do tempo que nas restantes partes da qualificação deixava os adversários para trás, mesmo com um problema de saúde durante o dia de Sábado.

Foto: Ricardo Fontelas/Chicane Motores

Na corrida de Abertura jogou pelo seguro, numa das melhores corridas do ano no WTCC. Terminou em 7º, mas levou o carro intacto até ao fim e na corrida Principal, ganhou o duelo com Bjork que parecia ser a sombra do húngaro em pista. Na conferência de imprensa disse ter discordado com o engenheiro na altura de passar pela Joker Lap, mas nunca foi verdadeiramente ameaçado e venceu a corrida.

Saiu de Vila Real como o piloto com o maior número de pontos possíveis nesta ronda, subindo ao 4º lugar do campeonato.

Tiago Monteiro recuperou a liderança

Os Volvo até estiveram bem em Vila Real, mas este não era um traçado para os suecos e por isso mesmo os dois pódios de Bjork devem ter sabido a vitórias. Tiago Monteiro tinha a ajuda do público para conseguir sair de Vila Real novamente líder, mas no Sábado a Q3 não lhe correu bem e deitou por terra a oportunidade de conseguir chegar, pelo menos, ao segundo posto da grelha, que lhe daria a possibilidade de conseguir lutar pela vitória na corrida Principal.

Como isto se trata de desporto motorizado e não de uma ciência exacta, onde o que conta muito é a peça que se coloca entre o volante e o banco, Tiago Monteiro deu um espectáculo na corrida de Abertura. Partia de 7º, mas nos primeiros metros depois da largada, colocava-se na luta pela vitória da corrida. Jogou bem na Joker Lap e se tivesse mais umas voltinhas, colava-se à traseira do Citroën de Bennani, que venceu.

Foto: Ricardo Fontelas/Chicane Motores

Na corrida Principal, aproveitou a má largada de Huff e fez o que pôde. Mais um pódio, mais uma festa em Vila Real e o regresso à liderança do campeonato numa altura fulcral da época. É possível que torne a passar por alguns apuros nas provas que faltam, mas saiu do seu país com o ânimo em alta. É este ano!

Tivemos pena de Tom Coronel

Um dos mais animados pilotos do pelotão do WTCC e um dos mais acarinhados pelo público de Vila Real, teve um acidente perigoso que o deixou sem carro para o resto do fim de semana. Já agora, um dos bombeiros que estava na ambulância no momento do embate, ficou com um problemas nas costelas, mas do que soubemos está tudo bem.

O acidente deu-se numa zona onde a escapatória é curta, mas para aqueles que apedrejaram logo a organização porque aquela área devia estar melhor protegida, o Chicane soube que aquela zona estava assim, por pedido do director de prova e para que o socorro pudesse sair mais rapidamente para a pista, caso houvesse um acidente grave. É irónico que o embate se tenha dado fora da pista, mas o desporto motorizado é e será sempre perigoso, por muitas cautelas que se tomem.

O que importa é que ficamos sem Tom Coronel. Fez falta, mas mostrou-se muito bem disposto e sempre interveniente… Coronel sabe estar e é importante para o WTCC, dentro e fora de pista.

Foto: Ricardo Fontelas/Chicane Motores

O homem da casa, Manuel Pedro Fernandes

Temos, obviamente, que referir a prestação de Manuel Pedro Fernandes, o “wildcard” em Vila Real. Foi um fim de semana difícil para o vilarealense, mas com certeza uma alegria. Falamos nos instantes imediatos à qualificação com Manuel Pedro e pudemos assistir ao extravasar da emoções do piloto. Sentia-se frustrado por ter ficado a apenas 0.7s da Q2 e pelo facto de ter perdido tempo por erros próprios (que se deviam ao facto de ter tido pouco tempo com Lada, como ele próprio referiu) e onde poderia ter facilmente ido buscar 1s ao seu tempo na melhor volta. E sentia-se feliz, porque sabia que tinha andamento para mais e tinha já completado parte do seu sonho.

Em corrida, Manuel Pedro teve um toque na corrida de Abertura nas protecções da pista, mas nada que o afectasse. Na corrida Principal, foi 15º com problemas no carro nas últimas voltas. O que resultado não era o mais importante, como tivemos oportunidade de perguntar ao piloto na entrevista gravada dias antes da prova. O importante foi Manuel Pedro Fernandes ter colocado o seu nome ainda mais alto na história do Circuito de Vila Real.

Foto: Ricardo Fontelas / Chicane Motores

A oportunidade perdida por Michigami

Ryo Michigami foi infeliz em Vila Real. Poderia ter conquistado a sua primeira vitória no WTCC na capital transmontana, mas a corrida de Abertura correu-lhe muito mal. Nunca mostrou o andamento do restantes carros atrás de si e quando Bennani passou pelo japonês, este foi um tampão para os pilotos chegarem ao marroquino. Bennani fugiu e venceu quase sem ser incomodado, por causa de Michigami. Monteiro perdeu tempo, tal como os outros pilotos e quando passou para 2º, já não teve tempo de se chegar a Bennani.

Foto: Ricardo Fontelas/Chicane Motores

A vitória de Bennani foi em parte dada por Michigami, quando era possível o japonês sair com uma posição mais confortável dentro da Honda, na sua primeira pole position do ano e da sua carreira no WTCC.

 

Pedro Mendes

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