Ordens de equipa. Sim ou não?

Esta é, possivelmente, uma das questões que mais dividem os fãs e até os pilotos. Há casos de sucesso e há casos em que as ordens de equipa deram para o torto, nas mais variadas competições do desporto motorizado.

Os episódios mais recentes são, como escrevemos antes, um misto de decisões bem ponderadas com cenas menos felizes e grandes azias. Se por exemplo, Felipe Massa é um exemplo de um piloto que aceitou, mais ou menos, bem as ordens da Ferrari quando a equipa lhe disse pelo rádio que Fernando Alonso era mais rápido que o brasileiro (não disfarçando no entanto a normal azia), já Sebastian Vettel é o exemplo do que separa a opinião do piloto e a dos membros da equipa. Lembram-se do episódio do Multi21?

Um caso que ainda não aconteceu, mas que poderá vir a acontecer ainda este ano e que nos diz mais respeito, é no WTCC. Tiago Monteiro é o piloto da Honda em melhor posição para vencer o campeonato, mas tem em Norbert Michelisz um adversário que também ainda luta por esse objectivo, com dois dos pilotos da Volvo Polestar muito atentos e prontos para desafiar a liderança do português em todas as corridas. Nicky Catsburg já passou pelo primeiro posto da classificação geral, mas perdeu-o no Domingo, enquanto Thed Björk esteve muito forte durante o fim de semana e está na luta.

foto: Ricardo Fontelas/Chicane Motores

Pudemos perceber, em conversa privada com Michelisz e Björk que ainda não falaram de ordens de equipa no seio tanto da Honda como da Volvo. Mas se tal acontecer, o que farão os pilotos?

O piloto húngaro, companheiro de equipa de Monteiro, disse-nos que ainda não há ordens de equipa dentro da Honda, mesmo tendo admitido no final da ronda no seu país, que as hipóteses de conquistar o campeonato de pilotos ser muito difícil, embora o cenário agora seja diferente. A existirem ordens de equipa na Honda, Michelisz pensa que ocorrerão mais adiante na época e “se o cenário de ter ordens de equipa acontecer, não terei qualquer problema, porque já trabalho com a Honda há 4 anos e sei bem do esforço que a equipa tem feito para evoluir. Se tiver de colocar os interesses da equipa em primeiro lugar, fá-lo-ei sem discutir.”, afirmou o piloto.

Na Volvo, Thed Björk quando questionado sobre o mesmo tema, respondeu-nos que ainda é cedo para esse cenário, mas que não tem problemas em aceitar. “Se não conseguir vencer o campeonato, quero que o Nicky vença. Este é o meu objectivo, quero mesmo vencer o campeonato, com a minha equipa e com os meus colegas de equipa e estou feliz por ter ambos como companheiros porque me ajudam a melhorar constantemente.”

Foto: Ricardo Fontelas/Chicane Motores

E quando deve uma equipa ordenar a um dos seus pilotos para deixar passar o outro? Na F1 há equipas que as usam frequentemente, mas outras levantam algumas reservas. Por exemplo, a Mercedes deixou Nico Rosberg e Lewis Hamilton lutarem entre si, mas não gostaram do ritmo mais lento de Hamilton na última corrida de 2016, quando tentava atrasar o alemão para que fosse pressionado pelo 3º classificado, entre outros momentos menos felizes (Spa e Red Bull Ring saltam à memória).

Ainda nas últimas duas corridas a Force India teve um problema com as ordens que vinham do pitwall. No Canadá ordenaram a Checo Perez para deixar passar Esteban Ocon. Perez pediu para os deixarem lutar pela posição e tanto a equipa como Ocon, não levantaram mais objecções. No entanto, em Baku os dois tiveram um toque na curva 2, levantando a questão se a equipa não deveria ter precavido esta situação. Perez teve de abandonar e Ocon terminou em 6º, numa corrida em que o pódio era possível. Deveriam ter dado ordens a um ou a outro piloto?

É difícil para qualquer piloto ouvir através do rádio para deixar passar o outro piloto da equipa, até porque o primeiro adversário de qualquer piloto, é o seu companheiro de equipa. Também é difícil para a equipa ordenar tal comando. Pode perder-se a confiança de um dos pilotos, ao mesmo tempo que se deixa transparecer que existe um número 1 e um número 2 dentro da formação acabando com a harmonia na equipa.

Os dois pilotos do WTCC que ouvimos, dizem que não terão qualquer problema em aceitar a ordem numa altura em que já não possam lutar pelo título. Pois, e se a equipa se vir com dois dos seus pilotos a lutarem pelo campeonato, mas que ainda não tenham o título por equipas assegurado? O que devem fazer?

É fácil para qualquer um afirmar que aceitará a ordem quando o panorama actual ainda não é esse, mas os engenheiros e os team manager devem ter sempre essa ideia na cabeça, mesmo que essa opção não seja a melhor.

 

Pedro Mendes

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