Estrada – Cimeira do Diesel: Muita parra e pouca uva

Realizou-se na Alemanha durante a semana passada  a dita “Cimeira do Diesel” que originou um acordo “apenas” entre o governo alemão e os construtores automóveis locais ou outros com fábricas na Alemanha para reduzir as emissões NOx dos carros a diesel.

O governo alemão e os seus construtores chegaram a um acordo que irá resultar na recolha voluntária de mais de cinco milhões de automóveis ligeiros, mas só na Alemanha. Relembramos que em todos os países da Europa e dos outros continentes, existem milhares de milhões de automóveis com o software alterado para passar nos testes de emissões, o já famoso “Dieselgate”. Quanto a esses, ainda não se sabe nem como, nem quando se vai resolver a situação.

Essa recolha acordada pelas duas partes será então de automóveis a gasóleo (Euro 5 e até alguns Euro 6), onde as marcas alterarão a gestão do motor (software) de modo a reduzir o nível de emissões NOx. Para os que têm automóveis mais antigos (pré-Euro 5), apenas terão um programa de incentivos para trocar de carro por um automóvel novo. Para os carros do grupo VW (VW, Seat, Skoda, Audi, Porsche), fala-se num incentivo que dependendo do modelo escolhido pode ir até aos 10.000€.

Dos outros construtores automóveis presentes na cimeira, apenas a Ford Alemanha, a BMW Alemanha, a Daimler Alemanha e a Toyota Alemanha, decidiram oferecer incentivos para troca de carro em vez de alterar o software das unidades atingidas com este problema, pois o prejuízo é assim menor do que se fossem compor todos os carros.

Assim sendo a Ford Alemanha dará incentivos entre os 2.000 e os 8.000€  para a troca de automóveis diesel anteriores a 2006 (Euro 1, 2, e 3). Entretanto a marca da oval azul irá reunir para discutir se alargará esta medida a outros países ou se será só para a Alemanha.

A BMW Alemanha oferece até 2.000€ na troca de um carro diesel por um carro elétrico. No grupo da Daimler Alemanha, a Mercedes-Benz oferece até 2.000€ na troca de um antigo diesel por um novo carro diesel ou por um híbrido plug-in e até 1.000€ na troca por um Smart elétrico. Já a Toyota Alemanha, dará incentivos até aos 4.000€ a quem quiser trocar o seu carro a gasóleo, de qualquer marca por um dos seus híbridos.

O propósito desta reunião de emergência foi o de evitar a proibição de circulação de carros a gasóleo dos centros urbanos de diversas cidades alemãs. Essa proibição estava para ser anunciada brevemente por algumas cidades de modo a conseguir melhorar a qualidade do ar.

O ministro dos transportes alemão, Alexander Dobrindt não gostou da posição crítica dos construtores automóveis estrangeiros e por quase todos não terem apresentado medidas concretas: “Fui bastante claro durante a cimeira, de que o comportamento exibido pelos construtores estrangeiros é totalmente inaceitável. Quem quiser continuar a reter a sua quota do mercado alemão tem de estar preparado para aceitar a responsabilidade pelas cidades, a saúde pública e ar mais limpo, e estes construtores não estão ainda a responsabilizar-se por tal.”

Do outro lado desta cimeira, os diversos grupos ambientais e dos defensores da saúde pública não deixaram de criticar este acordo. São da opinião que a solução tem de passar não só pela mudança de software como também pela mudança de hardware para uma redução aceitável das emissões NOx. Estes grupos ambientais põem também em causa a promessa dos construtores, de que ao alterarem o dito software do carro, o motor não será afetado a nível de performances, consumos e durabilidade.

Os grupos ambientalistas disseram ainda que esta cimeira e estas primeiras medidas, vieram muito tarde e sabem a pouco, visto que o escândalo do “Dieselgate” já começou há dois anos atrás. Por isso vão continuar a fazer pressão junto das cidades através de ações legais em tribunal, para impedir a circulação de automóveis a gasóleo nos centros urbanos.

Do lado dos construtores automóveis, apenas a Ford representada por Wolfgang Kopplin, Chefe de Marketing e Vendas da Ford Alemanha, aceita que as faladas restrições automóveis nos centros urbanos, sejam aplicadas e que os carros a gasóleo sejam banidos das cidades.

“Nenhuma medida – incluindo restrições a veículos em certos pontos quentes de emissões – deve ser colocada de parte.”

Em jeito de conclusão, esta cimeira de emergência pouco ou nada mudou neste problema global das falsas emissões dos automóveis a gasóleo. Como poderam ler apenas os carros a gasóleo na Alemanha serão “arranjados” ou trocados por novos, ficando todos os outros milhões de carros com os softwares manipulados espalhados por esses países fora, sem nenhuma solução definitiva à vista para já ….

Todos os dias vão aparecendo notícias de investigações a novas marcas não faladas até agora neste escândalo, e parece que quem manda não quer saber de nada e os responsáveis por isto até agora não tiveram quase nenhuma consequência. Os analistas referem que esta cimeira apenas serviu para mandar “areia para os olhos” do público e dos políticos e para as marcas automóveis ganharem tempo e fôlego (como se um combate de boxe se tratasse) para poderem escapar às responsabilidades mais um pouco e para evitar que, para já, os seus carros fossem proibidos de entrar nos centros urbanos das cidades alemãs e europeias ….

 

Fonte: Autonews / Razão Automóvel /Auto Hoje

Flat Out. Boas Curvas

Fábio Guedes

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