Estrada – O super desportivo da Ford está de volta

Como repararam pelo o título, este artigo será sobre o novo Ford GT. O super desportivo da marca americana, que regressa para atormentar os outros super desportivos à venda no mercado, e regressa completamente renovado de “fio a pavio”. A Ford não deixou “pedra sobre pedra” e realizou a maior mudança de sempre no GT, construindo um carro totalmente novo de raiz.

Logo para começar a revolução, a Ford trocou o antigo motor V8, por um novo V6 EcoBoost, mas não se assustem já, pois o novo GT, continua rápido e musculado como antigamente, só que agora acompanha as tendências do momento referentes a motores e emissões de gases, estando um pouco mais “domado” e mais ao estilo da Europa. Este novo V6 é um 3.5L de cilindrada Biturbo com Injeção direta e indireta, que produz uns gigantes 655 cv de potência às 6.250 rpm e um binário de 745 Nm às 5.900 rpm (mais 155 cv que a anterior versão). Têm uma caixa automática de dupla embraiagem de 7 velocidades, atinge quase 350 km/h de velocidade máxima e faz os habituais 0-100km/h em apenas 3s. De certo que fará esquecer e bem o antigo V8.

Passando à carroçaria, este novo Ford GT têm agora uma carroçaria toda feita em fibra de carbono, pesando 1385 kg e conta com muitas horas de desenvolvimento em túnel de vento. O tablier é todo ele também uma só peça de fibra de carbono, melhorando assim a rigidez do carro. Esta nova monocoque toda ela feita em fibra de carbono de última geração, permite assim que o cockpit funcione como uma célula de segurança e de proteção em caso de acidentes, e foi aprovada pela FIA. Ou seja, é igualzinha à do Ford GT das corridas de Endurance.

Como nos carros de corrida, as baquets desportivas feitas em fibra de carbono são fixas à estrutura do carro, e é a coluna da direção e os pedais que se mexem para o condutor ajustar a sua posição de condução.

No volante “estilo Ferrari”, onde estão inseridos quase todos os botões do carro, menos o controlo das luzes e do rádio, existe um botão específico para se escolher os 5 modos de condução que este novo GT têm. Além dos modos Normal, Wet, Sport, Track, têm ainda o modo V-Max, criado para as autoestradas alemãs onde não há limite de velocidade.

A nova suspensão é do tipo “push-rod” como existe nos carros do desporto motorizado. Têm um sistema hidráulico que controla a altura ao solo e inclui dois tipos de taragens de molas para cada modo selecionado. Permitindo alterar assim a altura do GT entre os 120 mm e os 70 mm em segundos (o GT de competição têm uma altura de 65 mm). Para poder sair de garagens ou passar lombas e estradas com mais buracos de forma mais descansada, existe um botão no volante que permite subir a frente do GT até aos 170 mm de altura.

Por todo o chassis ser feito de fibra de carbono e não existir quase nada de material insonorizante (o GT de estrada têm o mesmo chassis que o GT de competição), ao sair do circuito para as estradas do dia-a-dia, irá ouvir todas as pedrinhas existentes na estrada a baterem debaixo do carro e nas cavas das rodas.

Este novo Ford GT têm uma aerodinâmica ativa, o que permite ser muito mais rígido onde os seus rivais de segmento de mercado não conseguem. A enorme asa traseira funciona como a do Bugatti Chiron, ajudando nas travagens, nas acelerações e nas curvas em apoio. Muda, em milésimos de segundo, a sua posição para assim o GT nunca perder a aderência e a compostura. Segundo os engenheiros da Ford Performance, o novo Ford GT circula tão estável a 30 km/h como a 300 km/h.

A Ford produz este seu novo GT na fábrica de Ontário, no Canadá. A marca americana tinha planeado produzir apenas 500 unidades deste seu novo super desportivo, mas depois de mais de 6800 pessoas terem preenchido o formulário de interesse na compra, a marca da oval azul mudou os seus planos e irá produzir à volta de 1.000 unidades durante os próximos 4 anos (250 carros por ano).

Se começou agora a pensar em comprar o seu, digo-lhe já que vai muito tarde, pois a produção de 2017 e de 2018 já toda têm dono, e as inscrições já fecharam. Além do mais, comprar este novo Ford GT é um processo muito complexo, pois mesmo tendo o dinheiro necessário, não poderá comprá-lo, pois é a Ford Performance que decide se você é digno ou não de possuir este super desportivo…

Se ficou surpreendido com isto, eu explico-lhe melhor. Todos as 6800 pessoas interessadas no GT, tiveram que preencher um formulário com os seus dados e todas elas serão chamadas à sede da Ford, para passar por uma “entrevista”, onde das dezenas de perguntas feitas, estão as seguintes: “Quais os carros que tem na sua garagem?”; “Quais os desportivos que já teve?”; “Têm muita exposição mediática?”; “Explique o porquê de se achar digno de comprar o Ford GT?”. Depois dessa entrevista é que a Ford escolhe a quem vai vender os seus GT, mandando para casa uma caixa com amostras de cores e tecidos para você ir pensando como quer o seu exemplar.

A nível de preços a coisa não é nada meiga, e como se costuma dizer “se perguntas o preço, é porque não podes comprar”. Um Ford GT nos Estados Unidos irá custar uns módicos 450.000 dólares (411.500€). Já para a Europa irá custar uns largos 600.000€ e para Portugal, se alguém for um dos sortudos escolhido pela Ford, terá de desembolsar 670.000€, pois como é costume no nosso país, os impostos estragam sempre as contas finais.

Se já está a pensar “Dass…. que é caro como o caraças!!!”, digo-lhe ainda que por este preço astronómico, recebe de equipamento apenas o sistema de info-entretimento Ford SYNC 3, dois porta copos retráteis em alumínio, discos carbocerâmicos e uma mala com apenas 11 litros de capacidade (não se aconselha a viajar com muita roupa!!). Se quiser que o seu GT tenha as famosas duas riscas na pintura, terá de desembolsar ainda mais 8.400€.

Para este tipo de preço bem superior a Ferrari, Lamborghini ou McLaren, esperava-se mais requinte, mais materiais de qualidade, interiores em pele, uma boa insonorização em estrada, muitas opções de personalização, mas a Ford Performance não quer que o seu novo Ford GT seja um super desportivo igual aos outros, quer ser o mais diferente deles todos, quer que seja o mais perto possível de conduzir um carro de competição, e nisso a marca americana acertou em cheio.

Enquanto um Ferrari ou um Lamborghini são carros de estrada que conseguem fazer voltas rápidas em circuitos, este Ford GT é como se fosse um carro de competição com apenas algumas modificações para poder circular legalmente em estradas públicas. E isso torna-o quase numa peça exclusiva, com muitos poucos rivais à altura.

Volto a relembrar que o chassis, o monocoque, a suspensão e o motor são praticamente iguais ao Ford GT que compete no FIA WEC e no IMSA. Se vocês andassem de olhos vendados num Ford GT de estrada e depois num Ford GT dos campeonatos de Endurance, vocês iam achar que eram os dois o mesmo carro. Esta rara “peça” automóvel e muito difícil de comprar, pode ser conduzido por todos, tanto em estrada como num circuito, mas irão notar que este GT irá sentir-se melhor no circuito do que na estrada. E para se extrair todo o potencial que este carro temm, convém ser alguém muito conhecedor e com alguns dotes de condução desportiva.

 

Fonte: Top Gear / Auto Hoje / Ford Performance

Flat Out. Boas Curvas

Fábio Guedes

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