F1 – As broncas de Spa

O GP da Bélgica costuma ser um dos pontos altos do ano, por se tratar de uma pista fenomenal e por normalmente, acontecer sempre algo que vai trazer um pouco mais de picante ao campeonato. Quem não se lembra do toque de Rosberg em Hamilton ou o rebentamento do pneu de Vettel? Este ano os actores foram outros… Os homens da Force India e Fernando Alonso.

 

Começando pelo espanhol, o início da segunda metade da época será fundamental para manter Alonso na McLaren. A Honda está a trabalhar no duro para dar um motor capaz de convencer o #14, mas o início da época foi novamente penoso embora a marca nipónica tenha evoluído e mostrado que está a tentar tudo para chegar onde quer e onde a McLaren exige. A Honda está a usar as fichas todas e até já recorreu a ajuda externa da Ilmor, algo que é raro para os japoneses.

No entanto, o fim de semana não correu bem. Na qualificação Alonso perdeu potência no ultimo terço da volta por ter “enganado” o software da unidade motriz, fazendo uma curva a fundo onde supostamente isso não aconteceria, levando a que o sistema eléctrico não desse a potência que era necessária (o que mostra também o quão bravo é o piloto).

Como se isso não bastasse, a corrida não trouxe novidades, com o espanhol a lutar nas primeiras voltas pela melhor posição, depois de uma largada fenomenal, mas sem argumentos (potência) para segurar os adversários. Deve ter sido a gota de água para Fernando que, supostamente, desistiu sem nenhum problema no motor. A Honda confirmou que não encontrou nenhum problema na unidade motriz, o que pode significar que Alonso desistiu porque… estava farto.

Alonso parece ter esgotado a paciência mas não tem muitas soluções. Não tem vaga nas equipas de topo e a única hipótese que parece estar a materializar-se é o interesse da Williams. O espanhol parece estar a estudar essa opção enquanto pressiona a McLaren a largar a Honda e escolher os motores Renault para renovar o vinculo.

Na nossa opinião sair da McLaren é um erro. O chassis da equipa de Woking tem qualidade para lutar por vitórias (dito pelo próprio Alonso) e se sair para a Williams, vai para uma equipa que desde 2015 tem tido dificuldade em fazer um chassis competitivo, mais ainda este ano, embora equipado com o melhor motor. Há no entanto o trunfo Paddy Lowe, que pode pesar na decisão.

Se ficar na McLaren, Alonso ficará numa das maiores equipas, com um potencial técnico e humano tremendo mas que não tem ainda um motor à altura (algo que não é garantido que mude se a Renault entrar em cena). Sair para outra equipa de meio da tabela seria um passo ao lado e um tiro no escuro.  A decisão terá de ser tomada nas próximas semanas. Será que Alonso fica? A única certeza é que a relação está… muito azeda e a decisão de ambas as partes pode não ser a esperada. O que parece certo é que Alonso não quer a Honda e está a forçar a decisão da equipa, a Renault não quer a McLaren (já lhe basta a Red Bull), a Honda tem de mostrar melhorias já na próxima corrida e a McLaren tem um embrulho complicado para desfazer.

 

Force India e um problema de Ego

Já se sabe que um piloto é um animal raro, com um visão diferente das coisas e com uma confiança nas suas capacidades acima de toda a prova. É raro ver um piloto admitir que o adversário é melhor que ele. A Force India tem agora dois excelentes pilotos, mas cuja relação atingiu um nível de animosidade pouco recomendável.

A Force teve 3 anos de Perez/Hulkenberg, o que se traduziu em excelentes resultados e uma convivência serena. Os pilotos fizeram questão de nunca se atrapalhar e isso ajudou na harmonia da equipa. Com a saída de Hulkenberg e a entrada de Ocon tudo mudou. O francês é jovem e vem cheio de vontade de mostrar o que vale, o que tem conseguido com sucesso. Mas Perez tem sido o nº1 até agora e começa a ver a sua posição posta em causa, algo que não terá agradado. Além disso, o episódio de Baku terá iniciado uma guerra interna, que teve o seu ponto alto em Spa. Desde o GP do Azerbaijão que ambos têm trocado mimos em pista, mas o que aconteceu na Bélgica foi perigoso.

Perez apertou com Ocon sem necessidade e só por sorte não aconteceu algo mais grave. Se em Baku Ocon foi o responsável, em Spa Perez borrou a pintura e mostrou uma faceta que já se pensava esquecida.

O problema neste caso nem é o despique entre os pilotos (disso gostamos nós)… é a equipa. Não escondemos que temos uma admiração especial pela Force e que se terminarem a época em 4º lugar, poderá ser um feito importante para a consolidação da equipa no top5 e uma alavanca para algo mais. Fazem falta equipas que sobem a pulso, com orçamentos reduzidos compensando com inteligência e a Force tem conseguido isso. Em Baku e em Spa perderam pontos que os deixaria numa situação confortável e provavelmente já a pensar em 2018, com uma boa margem para gerir.

Perez errou e não deveria ter apertado com Ocon, colocando ambos em risco. Ao piloto mais maduro pede-se mais ponderação e acima de tudo que tivesse em conta os objectivos da equipa que o recebeu quando saiu da McLaren sem honra nem glória. Não queríamos que ele abrisse a porta, mas que se defendesse de outra forma. Ocon, que também tem culpa no cartório na tensão que se sente, já veio a público dizer que o mexicano quase o matava (!), numa tentativa clara de aproveitamento da situação (é jovem mas não é burro). Mas ambos têm de ter em conta os objectivos da equipa, dado que não estão a lutar pelo título. Fazer o melhor possivel sempre, mas pensar que se fizerem mais asneiras como esta, é o futuro da equipa e por consequência o próprio futuro que estará a ser prejudicado, pois para 2018 as vagas parecem estar preenchidas e ambos terão mais um ano de convivência.

 

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A decisão de usar ordens de equipa entristece os fãs mas entende-se. O prejuízo já não compensa o espectáculo e assim ficaremos privados de ver estes dois excelentes pilotos a trocar argumentos em pista. Resta saber como serão geridas as ordens de equipa daqui em diante e se estas não vão complicar mais uma relação que não deverá ter grande futuro.

 

 

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Fábio Mendes

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