F1 – A troca de motores foi uma boa jogada por parte da McLaren?

É a grande pergunta que se coloca… será que a troca de motores Honda por motores Renault é o caminho certo para a McLaren regressar às vitórias? Para alguns é um passo ao lado para outros é a decisão correta e para nós… é certa até certo ponto.

 

Quando Ron Dennis assinou com a Honda o seu objectivo era claro… vencer campeonatos. E para isso, sabia que não podia depender de um fornecedor de motores que também estivesse nessa corrida. A lógica é simples e diz que a Mercedes nunca iria dar as condições ideais a um concorrente directo para vencer o título pelo qual também luta e quem diz Mercedes diz qualquer outro fornecedor. A Honda entrando como parceiro, seria fornecedor exclusivo com a missão única de levar a McLaren às vitórias.

Na teoria fazia muito sentido mas na prática correu tudo mal. Os japoneses não estavam preparados para a complexidade dos novos motores e partiam com 3 anos de atraso para os concorrentes directos. E pior que isso, não foram capazes de encontrar soluções para minimizar esse facto. O primeiro desenho do motor tinha falhas graves que foram sendo remediadas mas dificilmente trariam performance suficiente para lutar por títulos. A Honda decidiu em 2017 introduzir um motor redesenhado e com potencial para se equiparar aos melhores mas o que foi apresentado foi uma anedota e o mau estar que já era grande cresceu para níveis insuportáveis.

Neste momento a F1 tem uma McLaren a anos luz do que pode fazer e que é motivo de gozo pelos fãs da modalidade. Dizem que não existe má publicidade mas a verdade é que a McLaren passava bem sem este tipo de situação. Os culpados? A Honda. Os japoneses começaram com uma mentalidade errada, de que não precisavam de ajuda mas aos poucos foram obrigados a recorrer a conhecimento exterior e foi falado que a Ilmor estava a prestar assistência nos últimos tempos. Mas o grande tiro no pé tem sido as expectativas criadas. A Honda afirmou com todas as letras que teria um motor capaz de se equiparar ao da Mercedes, mas nos primeiros dias de testes até o reservatório de óleo teve de ser remendado. A Honda nunca mostrou capacidade para sair desta situação e a McLaren foi obrigada a agir.

Agiu porque precisa de convencer Alonso a ficar. Porque precisa de motivar os engenheiros de Woking que fizeram um chassis tão bom quanto o da Mercedes, Ferrari e Red Bull e não estão a ver os frutos do seu trabalho. Porque precisa de sair da cauda do pelotão para receber os prémios da FOM e para convencer mais patrocinadores. Porque o nome McLaren não pode andar a ser motivo de chacota quando produz dos melhores carros do mundo. Assim parece uma decisão fácil de tomar… mas com certeza que não foi.

A McLaren também arrisca com esta mudança. É que a Renault não tem sido sinónimo de fiabilidade neste ano e basta ver os casos de Verstappen, Kvyat e Palmer para entender isso. A potência também não está ao nível da Mercedes e da Ferrari e como tal a probabilidade de a solução vir a ser errada é grande. Mas a esperança que deve reinar na mente dos responsáveis da Mclaren é que a equipa possa lutar já no imediato pelo 3º/2º lugar, conquistar alguns pódios e quem sabe umas vitórias, à moda de Ricciardo. Podem acusar a equipa de não pensar a médio prazo, mas não vale a pena, pois estes regulamentos acabam daqui por 2 anos. Claro que a Honda vai melhorar e quem sabe pode apresentar um motor de topo, mas a relação está tão desgastada que dificilmente algo de bom sairia se o casamento continuasse. Mas a hipótese da Honda melhorar é real e a McLaren pode perder o parceiro ideal que para além de motores, paga metade dos salários aos pilotos, numa ajuda que chega aos 100 milhões por ano. Ao separar-se da Honda, a equipa de Woking perde um fornecedor e o maior patrocinador.

Ainda assim, parece-nos que a McLaren fez bem em desistir da Honda, pois poderá nos próximos dois anos conquistar resultados mais condizentes com a sua valia e com o seu historial. Mas e depois de 2020? É que aí, com novos regulamentos, os fornecedores de motores poderão ver a hierarquia alterada e a Renault quer voltar a vencer campeonatos… o que pode levar a McLaren de volta à situação que tinha com a Mercedes.

Qual a melhor solução? A McLaren fazer os seus próprios motores depois de 2020. Já fazem motores para os seus modelos de estrada e tem tecnologia que pode ser aplicada em motores híbridos. Fazer o seu próprio motor seria arriscado, mas tem todo o potencial para correr bem e a equipa deixar de ficar refém de fornecedores exteriores, além de cimentar ainda mais o nome da marca no mundo do automobilismo. Se quiser recorrer aos serviços de um fornecedor de motores irá sempre pairar no ar a hipótese da história se repetir e tal só fará sentido com um fornecedor que não tenha outro interesse sem ser o de colocar a McLaren a vencer. Por isso a solução da criação de um motor McLaren parece a solução indicada, tanto para o futuro da equipa como para o futuro da marca e aí sim, esta mudança temporária para a Renault fará sentido. Até lá, terão de lidar com a hipótese de a Honda, com o orgulho ferido, fazer mais e melhor e apresentar um motor competitivo e que, ao que tudo indica, poderá equipar os Red Bull. E se a dupla Red Bull/Honda for vencedora, terá sido a pior decisão das últimas décadas da equipa. A parceria com a Renault parece ser apenas um pequeno parágrafo na história da McLaren que terá de ponderar muito bem o próximo passo.

 

Fábio Mendes

 

Fábio Mendes

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