F1 – O pior lugar para queimar “gorduras”

“O meu carro tem um motor fantástico, não bebe uma pinga de óleo”. Esta frase não será nunca ouvida da boca de um piloto de F1. É que afinal aquelas máquinas bebem óleo como um camelo depois de uma temporada no deserto. Ou melhor, bebiam, que a brincadeira está para acabar e a FIA vai colocar os motores num “programa de reabilitação forçada” com novas regras para 2018.

 

Primeiro vamos esquecer a parte que os motores de agora não prestam porque é preciso poupar combustível. Nos primeiros passos desta tecnologia isso podia acontecer mas nesta fase já não. Isso de poupar combustível sempre existiu e explica-se de forma simples… quanto mais pesado o carro menos ele anda. Quanto mais leve melhor. É segundo este equilíbrio ténue que os cérebros da F1 escolhem que quantidade de combustível é colocado o que por vezes obriga os pilotos a pouparem para chegar ao fim. São várias as vezes que as equipas esperam por um Safety Car e se tal não acontecer as contas ficam complicadas para chegar ao fim.

O que está aqui em causa é o fluxo de combustível que é agora de 100kg/h. É este um dos factores limitantes do uso de combustível, para obrigar os engenheiros a retirar mais energia de cada combustão. É por causa de este limite de fluxo que os motores não passam das 12500 rpm… mais que isso o fluxo necessário estaria muito acima do permitido.

O que os engenheiros da Mercedes e Ferrari fizeram foi adicionar um extra ao combustível que entra na câmara de combustão… óleo. Usando um óleo muito fino (e há quem diga que aditivado), este consegue encontrar o caminho para a câmara. Isso vai fazer que a nova mistura de ar/combustível/óleo seja mais potente e menos susceptível à detonação (fenómeno que ocorre quando a explosão na câmara se dá antes da faísca da vela, o que faz muito mal à saúde do motor). Existem várias teorias, umas dizem que o óleo entra pelos anéis que selam o pistão, outros dizem que entra via turbo, já misturado com o ar que entra na câmara, outros dizem que serve apenas para refrigerar a câmara para poder ser usado uma mistura de ar/ combustível mais rica, sem aumentar o risco de detonação.

Isto pode parecer tudo magia negra mas na pratica o que isto dá é mais potência ao motor. Diz-se que equivale a 0.1 seg. por volta mas há quem diga que é mais… muito mais. 

Isso está prestes a acabar pois o limite de queima de óleo está agora no 0.9l/100km (2.7L por corrida) e vai baixar para os 0.6l e vão ser proibidas válvulas que facilitem a entrada de óleo misturado com o ar. Isto vai jogar a favor da Renault que não usa este sistema (ou não sabe usar) e vai complicar a vida da Mercedes e Ferrari. Os sistemas de recuperação de energia (MGU-H e MGU-K) estão praticamente optimizados e é difícil retirar mais rendimento deles. Assim os engenheiros têm de encontrar novas formas de aumentar a força dos moinhos. Quanto à Honda… se calhar têm outros problemas mais importantes de resolver antes de se virarem para isto. É também por isto que gostamos da F1.

Fábio Mendes

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