Precisa-se: Piloto brasileiro de F1

Podia ser um anuncio nas paredes dos circuitos que recebem a F1. Porquê? O Brasil é um dos países onde a Fórmula 1 tem muita expressão, para isso basta ver, por exemplo, o número de sites, páginas ou grupos de Facebook, perfis de Twitter ou páginas do Google+ brasileiros deste desporto automobilístico. Qual a grande razão deste interesse? Os excelentes pilotos que saem do território e que vingam ao mais alto nível. E o que vai acontecer em 2018? Em princípio, não haverá nenhum piloto brasileiro na F1, pela primeira vez em 48 anos de competição.

Sim, 48 anos! Desde 1970 que o Brasil é representado na F1, com 3 campeões mundiais, mais precisamente um bicampeão e dois tricampeões. Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna dispensam apresentação onde quer que se pronuncie os seus nomes. Só não existe mais um campeão mundial do país, porque Felipe Massa (que por acaso é o único piloto que detém o recorde oficioso de fins de carreiras na F1, sem realmente se retirar!) perdeu o título para Lewis Hamilton em 2008 por um ponto… que ninguém fale de Timo Glock a um fã brasileiro!

A experiência brasileira na classe rainha já vem de 1951, o segundo ano do Campeonato de Fórmula 1. Francisco Sacco Landi foi o piloto pioneiro, mas na sua primeira experiência no campeonato do mundo só completou 1 volta no GP de Itália, tendo pilotado um Ferrari antes de o trocar por um Maserati. De 1952 a 53, Landi competiu pela equipa que criou, a Escuderia Bandeirantes. Com outro brasileiro (Gino Bianco) ao volante de um dos quatro Maserati da primeira equipa brasileira, Landi marcou assim o início de uma das nações mais poderosa na F1, que segundo as nossas estatísticas de 2013, era a 3ª com mais campeonatos.

O Brasil ocupa o 3º lugar na lista de países com mais vitórias na F1, com 101, atrás da Alemanha (173) e da Grã-Bretanha (266). É também o 3º país com mais poles (126) e o 4º com mais pódios (293). O Brasil tem 8 títulos mundiais.

 

Landi foi o pioneiro, mas não nas vitórias. A primeira aconteceu com Emerson Fittipaldi em 1970 nos EUA. O famoso “Rato” foi o único brasileiro a vencer GP’s até à chegada de Carlos Pace e Nelson Piquet. A partir dos anos 70, o país cimentou a sua posição no campeonato, com o primeiro GP no território brasileiro, à custa dos grandes pilotos que iam conquistando vitórias e fãs, sendo esse o problema do futuro imediato na competição.

É óbvio que são mais os fãs brasileiros de agora do que os da década de 70, mas sem pilotos no pelotão e com o GP do Brasil ainda em equação sem certezas de que aconteça, o que será do Brasil no campeonato? Pode o GP do Brasil estar em causa?

Se olharmos para um outro exemplo recente, o da Itália, veremos que para já, os milhões de fãs brasileiros não devem temer pela continuidade do seu GP. Os pilotos italianos fizeram parte do pelotão em todas as épocas da F1 desde 1950 (exceptuando o ano de 1969), até 2011. Só este ano é que um jovem piloto transalpino regressou ao pelotão para duas corridas. Giovinazzi substituiu Pascal Wehrlein em dois GP’s, numa “pausa” no fornecimento de pilotos que parece estar prestes a terminar. Esteve o GP de Itália em risco? Talvez, mas mais por parvoíce do que por outra coisa! Os tifosi dão uma alma tremenda em Monza, mas também a Ferrari faz muita força para que exista F1 em Itália… coisa que os brasileiros não têm! Há o exemplo dos franceses, que também foram muito fortes na F1, com equipas e pilotos de sucesso, tendo no entanto passado por uma fase em que a F1 simplesmente passou ao lado do país. Com o novo investimento da Renault, mas essencialmente pelo surgimento de novos talentos como Ocon e Gasly  o futuro parece promissor e para o ano teremos novamente um GP por terras gaulesas.

Continuamos a afirmar, que o GP do Brasil não deve (nem pode) estar em causa nos próximos anos, mas convém que se continue a divulgar a F1 no país irmão e que, ainda mais importante, se exporte rapidamente pilotos para a F1 ou até que se crie uma equipa. O argumento da equipa de F1 brasileira é mais difícil de vingar, já que os custos para manter uma estrutura no campeonato é muito, mas mesmo muito, cara. O “mais fácil”, se isso existe na F1, é trazer a paixão do povo brasileiro para dentro de um monolugar.

Existem alguns pilotos que são falados para serem os próximos a entrar na F1, mas ainda têm de passar por um processo de amadurecimento e de uma missão de charme para cativar as equipas interessadas. Sérgio Sette Câmara, Pietro Fittipaldi (até mesmo o neto do ex-campeão, Enzo Fittipaldi), Matheus Leist, Pedro Piquet e até o regresso de Felipe Nasr (que não nos parece possa vir a acontecer visto ter apostado , e bem, no IMSA), são os pilotos mais apontados pelos media brasileiros para um regresso da nação ao cockpit de um carro de F1. O Brasil deu pilotos com muito talento, muito caráter e pensar na F1 sem pilotos brasileiro é… no mínimo estranho.

Será difícil ter em menos de 2 anos um piloto brasileiro de regresso à F1 e desde já, esperamos estar enganados. A única certeza que temos, é que realmente faz falta um piloto de qualidade na F1 que fale português! Gostaríamos que fosse português, mas isso é ainda mais difícil, por isso esperamos que o Brasil não esteja muito tempo de fora do pelotão da F1, para podermos assistir à transmissão brasileira da corrida… não queremos perder uma pérola como “O único problema dessa recta é que termina numa curva!”!

 

 

Pedro Mendes

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