TCR Portugal- João Sousa: “Os TCR2 são a melhor porta de entrada para o TCR”

João Sousa e a Garagem Veiga Competição apostaram forte no TCR2. A aquisição de um Leon SuperCopa colocou a equipa a correr com a classe principal da velocidade nacional. Um caminho que foi recheado de desafios e muitas vezes feito sozinho, mas que não tirou o foco da equipa nos objectivos traçados. Quisemos saber qual o balanço final de 2017 por parte do piloto de Vila Real e tentar perceber que caminho será seguido no futuro.

 

Que avaliação fazes da tua prestação em 2017?

Fiz uma boa evolução em 2017, tendo passado dos Legends para um TCR2, que são máquinas completamente distintas. Creio que os TCR2 são uma excelente plataforma de entrada para os TCR. Continuo a achar que foi uma aposta acertada da minha parte, apesar de ter corrido muitas vezes sozinho e de algumas pessoas retirarem o nosso mérito por isso. Claro que gostaria de ter mais adversários em pista e como piloto, obviamente que prefiro campeonatos que promovam mais competição, mas infelizmente não aconteceu. Levamos o nosso plano até ao fim e o balanço é positivo, tanto pela evolução que fizemos do carro como pelos pilotos que conseguimos lançar, como foi o caso da Rita Graça e do André Lavadinho. Até a nível pessoal, como tive de me adaptar a uma realidade diferente foi óptimo ao nível de evolução, por isso só posso fazer um balanço positivo de 2017.

Além do teu futuro como piloto, tens muito presento o futuro da tua equipa. Este projecto tem como base a vontade de evoluíres como piloto ou da equipa evoluir como estrutura de competição?

Quando começamos este projeto com o Leon Super Copa, o objetivo era de evoluir o carro para que pudesse estar a disposição de outros pilotos. Tenho sempre em mente o futuro da Garagem Veiga Competição, que já existe há muitos anos. Tanto eu como o meu pai temos esta paixão pelo automobilismo e a evolução da nossa equipa é algo que está constantemente presente. Temos tido bons resultados nas várias categorias em que estamos inseridos. Para que tudo corra bem tem sido fundamental a grande experiência do meu pai a nível mecânico e eu estou encarregue não só da preparação assim como do  trabalho com o piloto. É um compromisso que tem funcionado muito bem e que queremos continuar.

 

Vês-te mais como piloto ou como chefe de equipa? Achas que esta evolução das pistas para a garagem é a ideal para ti?

Acho que é o passo que tenho de dar. Estar ao volante de um carro de competição é sempre um enorme prazer, seja em que modalidade for. Mas admito que a minha prioridade neste momento é a equipa, pois é algo que também me dá muito gozo e que sei que pode ter um bom futuro. Estamos numa altura em que podemos aproveitar a experiência do meu pai e a minha para atingir bons resultados e cimentar a nossa posição. 2017, por exemplo, foi um ano muito positivo para nós, com o 3º lugar na Categoria 4 do CNM, um vice-campeonato nos Super 1600 no ralicross, 2º lugar na Taça Nacional de Ralicross, a única corrida que fizemos na categoria 1600 do ralicross foi muito positiva com um 2º posto final. No TCR2 conseguimos os 3 primeiros lugares a nível nacional e no Ibérico, nos Legends também tivemos boas prestações. Temos tido resultados que nos animam muito, embora nem sempre tenham tido o alcance desejável, mas temos motivos para estar orgulhosos do que fizemos.

 

Tens sido dos poucos a levar a sério a aposta no TCR2. Acreditas que é o caminho certo para subir ao campeonato principal? O que falta para que haja mais interessados?

Tendo em conta a exigência dos TCR, os TCR2 são a melhor porta de entrada, não menosprezando obviamente os Clássicos ou os Legends. O custo para fazer uma época no TCR2 é inferior relativamente aos TCR, e os interessados podem correr numa máquina competitiva e muito mais próxima dos TCR.  O feedback que temos tido é excelente e foi-nos dito que iria ser feito um esforço para atrair mais TCR2 este ano. Já foram tomadas algumas medidas para que isso aconteça mas acho que falta mais alguma divulgação. É necessário que se distingam muito bem as duas categorias, senão corre-se o risco de as pessoas acharem que o carro anda menos porque o piloto é fraco ou o carro está mal preparado. Basta ver que este ano a faixa que usávamos no vidro da frente era igual aos dos TCR. Para quem conhece é fácil distinguir mas para o comum dos fãs isso não acontece. É preciso que se separem muito bem as águas para que assim os pilotos tenham interesse e as pessoas também pois, no fundo, estão a acontecer duas corridas diferentes e não apenas uma.  O TCR deve ser cada vez mais divulgado mas nunca esquecendo as categorias de entrada, que podem ser uma parte importante dos campeonatos nacionais.

Foto: Ricardo Fontelas/Chicane Motores

Sentiste-te apoiado para continuares este projecto?

Senti algum apoio mas a maior parte do trabalho na divulgação do projecto foi feita por nós. Sabíamos que podia haver pessoas que não iria entender a diferença entre os carros e por isso trabalhamos dentro das nossas possibilidades para que fosse entendida a diferença entre as duas categorias. Mas mantivemos sempre a motivação de fazer sempre mais e melhor e isso é o mais importante.

 

Quais são os teus planos e os da Garagem Veiga Competição para 2018?

A Garagem Veiga Competição irá estar presente no Ralicross, iremos continuar com o projecto do Tiago Montes que irá para a pista este ano. Em relação ao campeonato nacional de Velocidade nada está definido ainda. Está tudo em aberto, mas não será estranho se forem outras pessoas ao volante do Leon em 2018. O carro está lançado, a equipa está pronta e tem experiência acumulada, por isso temos tudo o que é preciso para ser bem sucedidos. No meu caso pessoal, irei continuar a correr mas ainda não sei em que competições e em que moldes. Não escondo que gostava de competir no TCR e medir forças com os excelentes pilotos que lá estão. Não é algo que dependa só de mim, e há sempre que ter em conta os patrocinadores. Para já não está nada definido, já esteve para acontecer mas infelizmente não se concretizou, por isso vamos ver o que o futuro reserva.

 

Que avaliação fazes do campeonato nacional de 2017?

Aconteceu o que tem acontecido nos últimos anos. No inicio há sempre muito interessados mas à medida que a época avança, há pilotos que por vários motivos vão saindo. Em relação ao TCR Ibérico, vimos que do outro lado da fronteira não houve interesse e o campeonato não foi o que todos esperavam. Foi uma pena, embora o nosso campeonato tenha sido muito interessante com grandes pilotos e boas lutas. Faltaram mais alguns carros.

Foto: Nuno Organista

Achas que temos capacidade para ter mais carros em pista?

É complicado fazer uma grelha bem composta porque enquanto não se olhar para os TCS e os TCC com outros olhos não vamos atrair pilotos. Não sou defensor de grelhas separadas mas sim de uma grelha conjunta, mas com as várias categorias bem diferenciadas e divulgadas, para assim termos muito mais emoção em pista. Mesmo nos Legends há projectos que ao nível do esforço financeiro são tão ou mais caros que o TCC e com os incentivos certos poderiam ver com melhores olhos uma mudança para um TCR2. Eu por exemplo estive lá, foi um campeonato que me deu muito gozo, onde gostei de correr, mas achei que precisava de dar um passo para evoluir.

 

Como foi dividir o carro pela primeira vez, ainda para mais com dois estreantes? Como avalias as prestações de ambos?

Tentei ajudar no que pude, tendo a noção que eu próprio não sei tudo e também aprendo todos os dias. Mas foi uma experiência muito boa e tanto a Rita como o André chegaram a tempos muito bons e mostraram qualidade. A Rita é uma excelente piloto, há muitos anos que a conheço e já foi até minha adversária. Tem muita qualidade e espero que continue, com a garra que sempre mostrou.  O André é também meu amigo há muito tempo e andava há algum tempo com vontade de experimentar. Como a Rita não iria estar presente na última prova, surgiu a oportunidade e ele decidiu-se. Sabia que ele tinha talento e conseguiu prová-lo em pista. Há a possibilidade de ele voltar a fazer o TCR2 em 2018 mas neste momento está tudo em aberto.

 

Como correu a adaptação ao novo carro por parte da equipa?

A equipa adaptou-se muito bem à nova realidade. O carro é muito diferente do que estávamos habituados mas é um carro de corridas como outro qualquer. Temos apenas de entender as diferenças, pois na base o funcionamento é igual. A nível de afinações claro que é muito mais exigente e daí ser necessário muito trabalho para o evoluir. É um carro muito fiável e pudemos comprovar isso este ano. Como aspecto menos positivo a caixa de velocidades necessita de alguma adaptação. É uma DSG e por isso nas reduções é preciso ter um pouco mais de calma. Em relação ao consumo de pneus tivemos resultados muito bons e um desgaste muito uniforme, embora os pneus usados este ano se deteriorassem com muita facilidade. Se forem usados outros pneus como já foi falado creio que conseguimos maior durabilidade e até melhores performances.

Como piloto de Vila Real , como vês a evolução do Circuito ao longo dos últimos anos? Preferes o formato de 2 fins de semana ou apenas de um?

É optimo Vila Real receber competições internacionais, como deverá ser o caso do WTCR. Claro que para as competições nacionais é mais complicado pois há tempos para cumprir e podemos ficar com o tempo em pista drásticamente reduzido mas é excelente ver esta cidade receber grandes competições. Temos qualidade, os pilotos gostam e devemos continuar. Para nós, obviamente que os dois fins de semana era uma boa opção pois conseguimos ter mais destaque e além de podermos receber mais campeonatos.

 

O que gostarias de alcançar para o teu futuro?

Gostava de chegar à categoria principal e fazer algumas provas pela europa. Gostava que a minha chegada ao TCR fosse com a minha equipa e aí sim era o cenário ideal mas vamos ver o que acontecerá no futuro.

 

 

Quem nos segue, sabe que não é a primeira vez que elogiamos a ideia da Garagem Veiga Competição em apostar forte nos TCR2. Num país que infelizmente não tem ainda capacidade para ter uma grelha exclusivamente de TCR, faz todo o sentido apostar numa categoria mais barata.  Foi preciso também alguma coragem para continuar todo o ano correndo sozinho, o que poderia ser visto de forma menos positiva por alguns. O trabalho de casa está feito, e quem quiser apostar neste carro tem a garantia de ter uma máquina com um ano de competição. Há ainda muitas indefinições, o que é normal nesta fase mas era muito bom ver alguns TCR2 em pista. João Sousa e a sua equipa já deram o mote e é esperar que outros vejam com bons olhos. É necessária uma boa divulgação e esperamos que os promotores estejam atentos a esta situação.

Chicane Motores.

 

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