Fábio Mota: “Quero evoluir cada vez mais a nível europeu”

 

Fábio Mota é da casa. O piloto de Vila Nova de Gaia esteve à conversa connosco e explicou-nos um pouco melhor o seu projeto para 2018, que passa pelo 308 Racing Cup. Um novo desafio para o piloto, que pretende continuar a evoluir a nível europeu. Mota falou-nos um pouco da época 2017, que foi recheada de altos e baixos.

 

O TCR Europe não era o objectivo para 2018 depois do ETCC ou não te entusiasmou?

Era um dos projectos iniciais que tinha em mente para este ano. Entretanto, houve algumas mexidas no calendário, a época passou de 6 para 7 provas e se essa corrida acrescentada à última da hora fosse em Portugal, Vila Real por exemplo, eu conseguia justificar mais esse custo junto dos patrocinadores. Não sendo em Portugal, não consegui angariar o necessário para estar no TCR Europe.

Vai ser uma competição muito forte, com um aumento dos custos, com equipas que vêm do antigo TCR International, o que torna mais difícil montar um projeto desta envergadura. Tive que ser mais realista e optar por uma competição também internacional, competitiva, que me desse a oportunidade de aprender e crescer mais como piloto. Por isso, a minha escolha recaiu sobre o Peugeot 308 Racing Cup, com performances muito idênticas ao TCR. Existe ainda um forte apoio da marca e o vencedor do troféu receberá um carro com especificações TCR no ano seguinte.

 

Já experimentaste a máquina. Gostaste do comportamento do 308?

Sim. Já tinha tido a experiência de testar o Peugeot em 2016, quando a marca fez a apresentação em Magny-Cours. Fui eu e mais alguns pilotos do ETCC a experimentar o carro e gostei já naquela altura. As sensações foram muito boas, já que o 308 tem um chassis muito equilibrado, uma travagem muito forte, um nível de aderência muito bom mesmo com pneus usados, com caixa Sadev que já conheço, que oferece uma performance muito boa. Fiquei logo de olho no carro e se calhar, se não tivesse testado o Peugeot naquela altura, agora não teria colocado o troféu como próximo objectivo na minha carreira. É um troféu forte.

 

Ajudou o facto de ser um campeonato europeu?

Sim. São 4 corridas em França, mas visitamos Espanha e a Bélgica e lentamente, torna-se um troféu na mesma medida que o Seat Leon Eurocup, que foi uma referência nos troféus europeus monomarca.

Mas voltando atrás, qual foi é o balanço que fazes de 2017?

Foi um ano, inicialmente atribulado, por causa de alguma falta de preparação da equipa, que resultou da fusão de duas estruturas. Essa falta de preparação fez-se notar na primeira corrida em Monza. Na Hungria já mostramos algumas melhorias nos treinos e na qualificação tivemos problemas com os limites de pista, que nos colocou numa posição difícil na grelha, quando tínhamos conseguido o terceiro lugar.
Norschleife foi o melhor evento do ano para nós, onde fiz dois pódios e a volta mais rápida, com 1.2 seg de diferença para o segundo mais rápido, que nos deixou muito contentes. Em Vila Real, houve uma falta de planeamento da nossa parte e falhamos nas pesagens após os cronometrados, condicionando a primeira corrida. A segunda corrida foi encurtada por um acidente de um adversário e  não foi possível fazer nada. Terminamos a época em crescendo, com luta pelo pódio na corrida 1 de Zolder e na segunda tive um incidente com um adversário, coisas normais nos Turismos. Most foi uma descoberta para mim. Fomos passo a passo aprendendo a pista e o melhor set up. mesmo com alguns problemas mecânicos iniciais e tivemos andamento para os 5 primeiros, que era positivo tendo em conta que na sexta quase não fizemos os treinos livres.

Foi uma ano com alguns percalços e que podíamos ter terminado nos 3 primeiros. Fazendo uma restrospectiva, creio que mostramos potencial para mais mas fomos condicionados em certos momentos. Faz parte do desporto motorizado e agora é olhar para a frente. 

 

Foi um ano que aprendeste muito?

Sim, mas também ficou provado que se não fizer um esforço orçamental, não se consegue melhores resultado. Sem meios para testar e treinar, os erros tendem a aparecer e temos que andar mais no limite. E isso condicionou o meu segundo ano no ETCC. Mas cumpri o campeonato todo e faz parte da minha forma de estar. Prefiro ter de usar menos pneus por fim de semana por exemplo do que sair a meio do campeonato. E os resultados mostram também uma evolução e isso não pode ser esquecido. Podia ter sido melhor mas ainda tenho tempo para provar o meu verdadeiro valor. 

Fábio Mota 2017
Foto: Francois Flamand / DPPI

E qual é o teu objectivo para o Peugeot 308 Racing Cup?

Quero andar muito forte e quero andar a ombrear com os pilotos franceses de Turismos, que sempre foram muito fortes nesta categoria. Quero aprender com eles, mas sobretudo, supera-los e mostrar que Portugal também pode ser bem representado nas corridas de Turismos. Já o somos nos GT’s , nos Protótipos e nos Turismos com o Tiago Monteiro, mas quero evoluir cada vez mais a nível europeu o mesmo e tornar-me uma referência.

 

Foi importante a escolha da JSB Competition?

Muito. Acredito muito na equipa, que venceu o troféu no ano passado, conto com a experiência deles e que alguns erros que aconteceram no ano passado no ETCC não aconteçam . A JSB Competition também é muito ligada à marca e tudo isso me dá muita confiança para este ano e para o meu futuro, mesmo no TCR. Tenho treinado muito no Karting, para quando me sentar no carro estar bem.

 

Então, o Peugeot 308 Racing Cup é um projecto a médio prazo?

Exactamente. A ideia é entrar no mercado francês, que é algo desconhecido para mim, mas que sei que é um país muito forte nos Turismos, para além de ser um troféu com reconhecimento da FIA e do facto de ir à Bélgica e a Espanha, o que prova que a marca está também a fazer um investimento para alguns anos. Quero ganhar reputação nesse mercado e alguma consolidação financeira, para tentar outro tipo de projecto e se puder ser com a Peugeot melhor. Se conseguir dois anos a bom nível nesta competição talvez se abram portas interessantes para o futuro.

E das pistas do calendário, quais são as que tens mais curiosidade em competir?

São 6 circuitos e só não conheço 2: Nogaro e Dijon. Tenho curiosidade em competir em Dijon, até porque já foi uma pista da Fórmula 1 – há um vídeo muito bom com a luta entre Arnaux e Villeneuve nesse circuito – e parece ser um circuito muito interessante,  com alguns desníveis e deve dar corridas muito boas.

Nogaro, lembro-me de ver corridas do FIA GT lá, e parece ser um circuito não muito grande, mas técnico, o que deve ser desafiante para condução. No entanto, Spa-Francorchamps é o circuito que mais aguardo. Só competi lá uma vez, no primeiro ano de automóveis e parece um circuito à antiga, com partes onde se valoriza a coragem e audácia do piloto. Vou ter de fazer um esforço de memória para relembrar as especificidades da pista mas é um circuito fantástico quer para os fãs como para os pilotos. Vai ser muito interessante ver 25 carros idênticos a lutar pela primeira curva. Vai ser bom para pilotos e para os fãs que vão poder ver as corridas em live streaming no site da Peugeot Sport, quer no site da federação francesa.

 

Tinhas interesse em competir no Peugeot 308 Racing Cup e no TCR Portugal ao mesmo tempo?

Ter interesse, teria. De momento não tenho orçamento. O TCR Portugal fica muito dispendioso mais ainda para um único piloto e não consigo estar nas duas competições ao mesmo tempo. Penso que era importante que os responsáveis pelos campeonatos nacionais conseguissem baixar os custos da competição para permitir que os pilotos possam fazer a época a solo. Foi algo que foi conseguido no PTCC e creio que estão a ser desenvolvidos esforços para isso e considero ser o rumo certo, até para permitir que alguns pilotos que competem fora, possam também estar presentes no nacional assim como para permitir que pilotos que estejam em categorias de iniciação possam também dar o salto.  

 
A decisão de Fábio Mota é sensata e inteligente. O piloto soube escolher bem o projeto para este ano. Sabemos bem das dificuldades que os pilotos nacionais encontram para montarem projetos, quer a nível nacional como internacional e Mota mostrou visão ao apostar num troféu muito competitivo, já com olhos postos no futuro. Do nosso lado vamos seguir as prestações do piloto e torcer para que tudo corra pelo melhor. E quanto a surpresas para o futuro… vamos estar atentos.

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