Clarkson vs Harris: o novo grande confronto da TV

Com a primeira temporada do “novo” Top Gear já vista (e bastante esquecida) e com o novo Grand Tour à porta, começa uma nova era na TV e nos programas sobre carros. O monopólio do Top Gear vai acabar (um eufemismo pois na verdade vai ser completamente desfeito) e o que esperamos do Grand Tour é tudo o que se espera de um programa onde Clarkson não tenha limites… algo bombástico!

O primeiro trailer do GT deixou-nos como uma criança na manhã do 24 de Dezembro… cheios de expectativas mais ainda aborrecidos por termos de esperar tanto. O video mostrou super-carros. super-imagens, tanques, explosões, humor. Só o trailer foi mais agradável de ver que metade da última serie do Top Gear.

O reformulado programa da BBC não teve o efeito desejado e o homem escolhido para substituir Clarkson não estava altura da pesada herança… Chris Evans tentou implementar o seu cunho pessoal mas as comparações com Clarkson foram inevitáveis e o apresentador acusou em demasia a pressão. Houve momentos de qualidade mas no geral tivemos uma indefinição grande: Se em partes notávamos que era Top Gear  “À la Clarkson” chapado, noutras víamos uma tentativa de afastamento nada conseguida. O resultado final foi uma mão cheia de nada… Resumindo numa palavra: Meh.

No entanto havia esperança de que o TG pudesse voltar a ter momentos de muita qualidade e essa esperança tinha o nome de Chris Harris. The Monkey, como também é conhecido ( um paralelismo com Clarkson a quem os seus companheiros chamam de orangotango) é uma cara conhecida para quem gosta de passar horas na net a ver carros. É ele que pode salvar o TG de um marasmo pouco aconselhável para uma marca que já fez movimentar muitos milhões. Chris Harris começou a ser uma personagem secundária no novo TG, apresentando com Rory Reid o Extra-Gear, uma versão mais minimalista e muito melhor que o programa principal. As críticas levaram a BBC a repensar o programa e a solução estava no banco. Harris começou a ter mais protagonismo e o programa começou a ter mais qualidade. Na verdade até Matt LeBlanc (que não esteve mal) deveria ser dispensado e os comandos serem entregues a Harris e Reid. E é por isso que escolhemos Harris para a cara do TG… porque neste momento apenas faz sentido ser ele a cara pelo novo rumo do programa da BBC e porque apenas ele (e Reid) tem capacidade para o fazer.

 

Clarkson e Harris têm estilos muito diferente. E é nessa diferença que o confronto entre programas pode se tornar muito apetecível. Com Clarkson temos afirmações que nos fazem chorar a rir e ao mesmo tempo pensar “este gajo não disse isto!”, temos muito arsenal de guerra, temos muito pneu queimado e temos avaliações simples e… nem sempre claras. Muitas vezes chegamos ao fim de um segmento em que se ensaia um carro e aquilo que nos primeiros 5 minutos parecia o melhor carro do mundo, aparece cheio de defeitos no restante tempo. O resultado final pode ser que o carro é como “uma posta de salmão servida na barriga de uma sereia com um chimpazé a bater-te na cabeça”… claro que a conclusão final é: “e isso é bom ou mau?”. As análises de Clarkson limitam-se aos números de potência, binário, quantidade de fumo que se pode fazer num drift e a sua opinião pessoal que depois vai variando ao longo do tempo.

 

Harris é muito diferente… Não tem tanto show off e percebe muito de carros. Tanto que costuma pilotar nas 24h de Nurburgring e até já fez as 24h de Spa. É piloto e percebe da arte mas tem alturas que é demasiado técnico e o que tem Clarkson a menos, ele tem a mais indo às vezes a pormenores que fazem humedecer a roupa interior aos geeks mas que para o comum dos apreciadores leva a questionar que realmente não percebem a ponta de um ouriço de carros, ou que a mecânica é algum tipo de feitiçaria. No entanto é muito mais conciso nas suas análises e tendencialmente a sua opinião mantém-se ao longo do tempo e chegamos ao fim da análise do carro com dados factuais sobre o que o carro é ou não capaz.

 

Qual o melhor estilo? Ambos! Cada um à sua maneira mostra a beleza e a capacidade de um carro. Se quiserem algo mais divertido, ou se só quiserem ver pneus a fumegar e piadas escandalosas… Clarkson é o imperador. Se quiserem conhecer mais tecnicamente um carro e as suas capacidades Harris é a solução. Quem gosta realmente de carros e da parte técnica escolherá Harris sem pensar muito… os puristas serão os maiores clientes. Para quem gosta de show off, gargalhadas em que a base são carros mesmo que por vezes fiquem em segundo plano, Clarkson é de longe a melhor escolha. E Clarkson tem uma enorme vantagem: tem 2 companheiros que dão a magia ao programa. A química entre eles é fenomenal e no fundo todos nos imaginamos a fazer o mesmo que eles, com aqueles dois amigos com quem iríamos até ao fim do mundo só para beber uma cerveja. Nisso Harris não tem hipótese pois para já não tem o perfil para fazer o mesmo nem a sua forma de apresentar parece permitir isso.

 

É por isso que esta nova era é entusiasmante pois temos o rei do entretenimento com carros, sem regras e com uma carteira do tamanho do Nilo, e temos um dos melhores jornalistas da imprensa automóvel num dos maiores programas do mundo e com infinitas possibilidades. Qual preferimos? Vemos os dois com o mesmo gosto mas se tivermos de escolher um… Harris é excelente mas Clarkson é o rei! Somos uns miúdos é verdade e o companheirismo com Hammond e May são ainda inigualável em qualquer parte da TV do mundo.

Fábio Mendes

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