F1 – GP de Singapura: Análise

O último GP de Fórmula 1 foi entusiasmante, no mínimo. A diferença entre Mercedes e os adversários ainda é imensa e em termos de estratégia, os germânicos são inteligentes, mas a Red Bull tem um excelente chassis e bons estrategistas dentro da formação, além de que já não têm nada a perder e podem apostar mais do que a Mercedes e até do que a Ferrari.

Mercedes

A Mercedes ainda está muito longe dos adversários, a performance do F1 W07 ainda é muito superior aos restantes chassis e Singapura foi a prova disso mesmo. Num traçado onde poderíamos ter outros pilotos a vencerem, como em 2015, a liderança de Nico Rosberg, que saiu de 1º e venceu o GP, nunca foi realmente ameaçada até às últimas 6 voltas e mesmo assim, Daniel Ricciardo teve de apertar bastante com o RB12. O alemão liderou a corrida durante 59 em 61 voltas e terminou com uma vantagem de 0.488s.
Mais atrás e arredado da luta pela vitória ficou Lewis Hamilton. Foi um fim de semana mau para o britânico. Nos treinos livres esteve sempre à procura do ritmo certo, no entanto ficou a impressão que nunca se encontrou e fez-me lembrar o GP da Europa deste ano, onde Lewis esteve sempre à parte do colega de equipa. Ainda assim, conseguiu (graças à boa estratégia da equipa) terminar à frente de Kimi Räikkönen, que o tinha ultrapassado em pista. Ou terá sido pela má decisão da Ferrari? Já lá vamos.

Fica uma última nota à Mercedes. Se alguém ainda tem dúvidas que os alemães merecem o título, pensem nisto: os engenheiros de corrida dos dois pilotos comunicaram imensas vezes que deveriam gerir os travões, levantando a possibilidade que os dois carros tinham problemas de sobreaquecimento dos travões e que podia ser uma questão que os impossibilitasse de lutar mais arduamente pelas posições. No final da corrida, a equipa informou os jornalistas que apenas pediu aos pilotos para gerirem os travões, assim como têm de fazer com os pneus ou o combustível… nada se passava de anormal com os travões dos Mercedes. Puro bluff!

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Red Bull

Sempre o dissemos: a Red Bull tem o melhor chassis da grelha e apenas o motor Renault, baptizado de TAG Heuer, fica aquém na luta pelo campeonato. Os pilotos foram superiores aos Ferrari na qualificação e apenas Max Verstappen desiludiu em corrida, mas também apanhou um Daniil Kvyat que se entusiasmou por ter o arqui-rival atrás de si. Quem esteve mais uma vez em destaque foi Daniel Ricciardo. O australiano está a dar-se bem com os novos desenvolvimentos do RB12 e prova que é ele o nº1 da equipa.
No final da prova, Christian Horner disse que apostaram tudo em Ricciardo e que irão fazê-lo mais vezes, já que a Red Bull não tem nada a perder. Ricciardo, em principio, já não chega a 2º do campeonato, tem 26 pontos de vantagem sobre Vettel e tem de ser o alemão a correr atrás do prejuízo.

Ferrari

Falharam novamente na estratégia, desta vez com Kimi. Não deviam ter mandado parar a segunda vez o finlandês e isso aconteceu porque a Mercedes fez parar Hamilton. A Ferrari deu um tiro no pé quando chamou Kimi na volta 46. O Iceman tinha mais que hipóteses de subir ao pódio, talvez a sua última hipótese este ano. Na paragem da volta 46, os mecânicos colocaram um jogo de pneus ultra-macios usados para as restantes 15 voltas do GP, numa altura em que tinha “calçado” no Ferrari pneus macios novo com apenas 13 voltas de história. Será preciso fazer muitas contas? Rosberg terminou a corrida com um jogo de pneus macios com 28 voltas!

Da parte de Sebastian Vettel, foi uma corrida menos má. Isto porque, se por um lado subiu desde a última posição até terminar em 5º, por outro lado Vettel perdeu, à semelhança do seu colega de equipa, talvez a última oportunidade de vencer uma corrida pela Ferrari este ano. Até final da época vai ser muito difícil ter outro circuito de feição ao SF16-H.

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McLaren

Muito à custa da excelente, e no entanto pouco notada, corrida de Fernando Alonso a McLaren conseguiu bater a Force India, Toro Rosso e Williams. Para além de Alonso, valeu também o acidente na largada entre Nico Hulkenberg e Carlos Sainz, dois dos potenciais adversários de Alonso durante a corrida. O espanhol continua a impressionar pela maneira que tem de fazer omeletes sem ovos. O homem não devia de estar na F1, devia de ser um Chef Internacional de cozinha com estrelas Michelin.
O colega de equipa, Jenson Button teve mais uma corrida para esquecer, já que partia até de um bom lugar na grelha, mas na primeira volta furou devido a toque e passou para último. A partir daí foi fazer uma corrida de trás para a frente, até que na volta 43 e quando ocupava a 15ª posição, teve de desistir da corrida com problemas de travões. No entanto, já no FP3 tínhamos ficado com a impressão que Button teria muitas dificuldades durante a corrida, isto porque perto do final da sessão, o piloto comunicou ao pitwall que tinha feito o melhor conjunto de voltas do fim de semana, com o melhor setup. A resposta do engenheiro foi que Button tinha feito o 16º tempo do treino… Balde de água fria!

Vai ser (novamente) para o ano que vemos a McLaren lá no topo?

Force India

Perder o piloto que melhor posição ocupava na grelha de partida logo no inicio da corrida, foi um mau começo para os senhores da Índia. Hulkenberg até fez um bom arranque e o acidente foi uma infelicidade, tanto para ele como para Sainz, que não pôde fazer melhor que o 14º lugar.
Por seu lado, Sérgio Pérez teve um dia muito bom. Nas palavras do mexicano, a sua melhor performance na F1. Checo apenas parou uma vez e teve, como é óbvio, de se imiscuir em algumas lutas pela posição para gerir os pneus. Terminou na 8ª posição, que ironicamente foi a posição de partida de Hulkenberg, à frente da Williams, garantindo que a equipa passasse para 4º lugar na classificação dos construtores, com mais um ponto que os britânicos.

Toro Rosso

Um dos vencedores em Singapura foi Daniil Kvyat, sem dúvidas. Colocou o menino holandês  no lugar, mas lá teve de terminar em 9º lugar, ainda assim, à frente de Sainz. Aquelas voltas à frente de Verstappen vão ficar na memória dos espectadores e ficou no ar a sensação que a sua equipa não o deixou tapar mais o holandês, porque de certeza que essa era a sua vontade. Assim gostamos Kvyat. Porque não foste mais vezes assim quando estavas na Red Bull? A verdade é que, o russo continua na Toro Rosso e Verstappen na Red Bull. Um tem os dias contados na F1 e outro um futuro risonho…
Sainz não pôde fazer mais. O toque com Hulkenberg traçou o destino do espanhol, que tem muito para dar no Grande Circo.

Haas

Que frustração! Foi a 5ª vez este ano que Gutierrez terminou um GP na 11ª posição. A última vez que pontuou na F1 foi em 2013 e tinha em Singapura uma bela oportunidade de fazer igual ao que o seu colega de equipa já fez no início do ano. A equipa americana sente agora mais dificuldades do que no arranque da época, mas é normal já que o desenvolvimento do carro foi mínimo.
Romain Grosjean nem sequer começou a corrida, tendo estado sempre muito animado na box da equipa. Já nos treinos saiu-se com a afirmação de que o VF-16 é o pior carro que já conduziu (alguém se lembra dos tempos em que ele dizia que o mesmo chassis foi um dos melhores em que se sentou? Nós sim!)

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Williams

Tem sido uma seca para a equipa. Felipe Massa já só pensa no fim da época e Valtteri Bottas parece ser o único que ainda pode trazer alguns pontinhos para a luta pelo 4º lugar entre os construtores. Na corrida nocturna de Singapura, Bottas teve um problema com o seu cinto de segurança e como a equipa não conseguiu deslindar o problema a tempo, teve de o trazer para a box e retira-lo da corrida.
Massa terminou no 12º lugar. Já antecipavamos que iria ser um fim de semana difícil mas esta Williams faz lembrar a Williams dos tempos de Maldonado em que bateu no fundo. É pouco!

Renault

Singapura pode ter marcado a época de Kevin Magnussen. Conseguiu apenas 1 ponto, mas possivelmente acabou com as expectativas de Jolyon Palmer em continuar na equipa em 2017. O inglês ficou novamente atrás do colega e, se a equipa estiver interessada em manter um piloto deste ano e trazer alguém para o outro assento, Palmer deverá saltar fora.
Foi uma corrida interessante de Magnussen. Já se sabia que era ele a estrela da companhia mas tem feito por merecer o estatuto de nº1, ao contrario do colega de equipa que tem acumulado erros. É Palmer um mau piloto? Pelo contrário, e até merecia uma nova hipotese… mas como em tudo na vida o timing é fundamental e Palmer não está a mostrar o que pode fazer. E isso paga-se caro.

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Sauber e Manor

Esteban Ocon foi o último a cruzar a meta e o único que ficou duas voltas atrás do líder, o que pode começar a causar pressão no jovem. Ninguém tem paciência na F1 e os resultados que Ocon tem vindo a fazer podem trazer mais aspectos negativos do que positivos para o gaulês. Pascal Wehrlein esteve igual a ele próprio, excepto nos treinos onde teve uma saída de pista nada normal no alemão. De resto, não conseguiu ficar à frente de Nasr, mas bateu Ericsson.

Na Sauber, foi o regresso à normalidade, com Felipe Nasr a bater os dois Manor e o seu colega de equipa. Foi um resultado positivo para o brasileiro, mas não sabemos se ainda vai a tempo de virar o jogo dentro da equipa. Para Ericsson foi uma prova difícil, já que perdeu para os seus 3 adversários.

 

A F1 regressa nos dias 30 de Setembro, 1 e 2 de Outubro na Malásia, no circuito de Sepang.

Pedro Mendes

 

 

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