F1 – GP dos Estados Unidos: Análise

 

Os States voltaram a receber a F1 mostraram como se organiza um evento desta envergadura. Muita festa, concertos, muita animação… no que diz respeito a eventos desportivos os americanos sabem o que fazem. Dentro de pista a festa também foi animada do segundo lugar para baixo. Muitas lutas interessantes, muitas ultrapassagens e casos. Na liderança é que tudo foi mais calmo.

 

Mercedes: Hamilton mandão e Rosberg na gestão

A pole de Hamilton não era garantia de sucesso na corrida, dada a quantidade de vezes que o britânico teve largadas más em 2016. Graças a esses deslizes perdeu muitos pontos e Suzuka foi o perfeito exemplo do que tem acontecido esta época. Hamilton culpa as falhas mecânicas pelo seu insucesso mas não foi só isso que o afectou. Para este fim de semana o piloto treinou até à exaustão as largadas, tanto durante a semana como nos treinos. Resultado? Uma largada boa que lhe permitiu manter-se na frente e gerir a partir daí. Fica no ar a dúvida se a equipa ou piloto não poderiam ter feito mais para resolver a questão mais cedo. O problema era por demais evidente já a meio da época mas só agora a 4 corridas do fim se conseguiu uma solução. Uma vez na frente Hamilton é imparável e geriu a corrida sem qualquer problema. Já Rosberg via o 3º lugar como o mal menor mas o Virtual Safety Car para remoção do carro de Verstappen caiu-lhe do céu e roubou o 2º posto a Ricciardo sem se esforçar muito. Claramente em gestão, o alemão vai usar a abordagem “à Prost” para esta recta final de campeonato. Pontuar o suficiente e não arriscar muito.  Tá no bolso e só um Hamilton estratosférico e uma boa dose de azar poderá evitar a vitória final do alemão.

Lewis Hamilton: Nota 9

Nico Rosberg: Nota 8

Mercedes: Nota 9

 

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Red Bull: Ricciardo sorri e faz sorrir

Fora de pista é o animador de serviço: usou o sotaque texano durante as entrevistas, voltou a cortar a barba daquela maneira que nem numa aposta se recomenda, sorriu e fez sorrir todos. Dentro de pista a história é outra… faz sorrir mas pela sua qualidade e pela sua atitude competitiva. O Ricciardo sem capacete é uma pessoa mas com capacete e outra. É feroz, não tem medo de ninguém e quer sempre mais. Teve o segundo lugar em vista mas a Rosberg teve mais sorte e o VSC permitiu-lhe ir às boxes sem perder muito tempo, algo que o australiano não pôde fazer. Ainda assim 3º lugar é bom para Ricciardo, que consolidou o 3º lugar no campeonato e se assume novamente como uma séria ameaça para a Mercedes em 2017, caso a Red Bull tenha um carro para isso. Max Verstappen foi novamente o piloto mais votado para melhor do dia, o que mostra a palhaçada que a votação se tornou. Não esteve mal até ao momento em que entrou nas boxes sem avisar ninguém. Max disse que lhe pareceu ter ouvido a instrução para entrar nas boxes mas ninguém lhe deu essa ordem e os mecânicos foram apanhados desprevenidos. Mesmo assim fizeram um excelente trabalho ao despachar o piloto o mais rápido possivel, mas pouco depois a caixa de velocidades do piloto partiu e a corrida ficou por ali. Já tinha feito um par de ultrapassagens vistosas mas não era o seu dia. O piloto atacou muito mas não teve oportunidade de mostrar em pista se a sua atitude defensiva se mantêm, agora que as regras proíbem mudanças de direcção na zona de travagem. Max disse que vai manter tudo na mesma mas os comissários estarão de olho.

Daniel Ricciardo: Nota 9

Max Verstappen: Sem nota

Red Bull: Nota 8

 

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Ferrari: Acabou a época para a Ferrari

O descalabro continua e começa a tomar proporções alarmantes. A indisfarçável falta de andamento é um problema grave, tendo em conta que foram ultrapassados pela Red Bull, equipa que teve muitas dificuldades em 2015 e inicio de 2016. Vettel está sob pressão e o suposto braço de ferro com Arrivabene não augura nada de bom. O italiano errou ao afirmar que Vettel precisava fazer por merecer a honra de pilotar um Ferrari, exigindo mais ao piloto. Uma jogada de poder que correu muito mal e poderá ter assinado a sentença do ainda chefe da equipa.  Vettel fez a corrida que pôde sem meios para mais e quando tinha o 4º lugar assegurado veio à boxe a 3 voltas do fim para meter pneus novos apenas para fazer a melhor volta da prova. É triste pensar que a Ferrari tem de recorrer a este tipo de subterfúgios para “enganar” os fãs. Qualquer pessoa sabe que fazer a volta mais rápida não significa que o carro foi o mais rápido. E a desistência de Raikkonen é ainda mais estranha. Um Pit Stop que deu pro torto, um piloto que consegue regressar à via das boxes mas nenhum mecânico vai ter com ele para ver se o carro tem condições para regressar à corrida ficando toda a gente a discutir. A Ferrari deve pensar em definitivo apenas em 2017, esquecer este ano e reorganizar tudo. E para isso tem de fazer uma pergunta simples: Arrivabene fica ou sai? E se sair quem o substitui? É preciso definir as coisas rapidamente… já ontem era tarde.

Sebastian Vettel: Nota 8

Kimi Raikkonen: sem nota

Ferrari: Nota 5

 

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McLaren: Desta vez tivemos a versão Dr Jekyll

Se no Japão todos coraram de vergonha com os resultados obtidos pela McLaren, desta vez há motivos para rasgados sorrisos. Ambos os carros mostraram-se minimamente competitivos, ambos os pilotos tiveram excelentes prestações e ambas as estratégias funcionaram lindamente… quase. Button não teve tanta sorte quanto Alonso na paragem das boxes e não aproveitou o VSC da melhor forma. Para o espanhol foi um docinho aquela paragem… Ficou com uma estratégia mais agressiva para o final da corridas e conseguiu graças a isso acabar no top5. Para tal teve de se pegar com Massa, numa ultrapassagem tirada a ferros. O brasileiro queixou-se do toque mas quanto a nós foi apenas um incidente de corrida e foi ele a iniciar a manobra com o erro na travagem. De seguida Alonso foi atrás do compatriota Sainz que se defendeu valentemente mas com os pneus já no “arame” não tinha tracção para aguentar o McLaren. Alonso festejou e estava visivelmente satisfeito com a corrida e Button também tinha motivos para isso.. Depois de um qualificação fraca recuperou até ao 9º lugar o que significou uma subida de 10 posições. Fica a questão… qual é a verdadeira McLaren? A de Suzuka ou a de Austin… provavelmente um pouco das duas. Qual o futuro da equipa? Ron Dennis tem a porta de saída aberta e fala-se na entrada de Ross Brawn para a chefia da equipa. Muito ainda para definir na McLaren.

Fernando Alonso: Nota 9

Jenson Button: Nota 9

McLaren: Nota 8

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Toro Rosso: Sainz  foi a estrela da tarde

O espanhol foi um dos melhores em pista, senão o melhor, ao contrário do que a votação do site da F1 diz. Levar um Toro Rosso com um motor fraco ao 6º lugar, quando no início do fim de semana o espanhol afirmou que nunca conseguiriam chegar aos pontos é prova que tem unhas para mais. Boa estratégia e acima de tudo muito bom a gerir os pneus, o que lhe permitiu ficar sempre na frente de Massa, que jogou o jogo da paciência à espera que os pneus do espanhol fossem à vida, algo que nunca aconteceu verdadeiramente. Quanto teve de se defender de Alonso tentou como pôde mas já não tinha material para mais. Mas provou que é um talento a ter em conta no futuro e que a Toro Rosso começa a ser demasiado pequena. Já Kvyat voltou a baixar de rendimento e ia passando despercebido da corrida não fosse a borrada de ter atirado Perez para fora de pista na primeira volta. Um fim de semana mau para o russo que ficou a saber que tem a vaga da Toro Rosso garantida para 2017, para desalento de Gasly que pensava que o lugar era seu.

Carlos Sainz: Nota 9

Daniil Kvyat: Nota 4

Toro Rosso: Nota8

 

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Williams: oportunidade desperdiçada

A Williams começou o fim de semana a perder em relação à Force India que se apresentou mais forte. A corrida começou mal para Bottas que levou um toque forte de Hulkenberg… para o alemão a corrida terminou mas o finlandês continuou em prova sem no entanto conseguir subir ao top 10. Massa por seu lado esteve mais forte e fez uma boa corrida. Errou na ultrapassagem de Alonso e embora se tenha queixado não tem muitos motivos para isso. Assim a Williams apenas recuperou um ponto em relação à Force. Bottas continua num momento de forma menos positivo, algo que tem sido constante este ano. Não temos visto o Bottas de 2014 / 2015 que faz muita falta a esta Williams. É certo que o carro não ficou nas melhores condições depois da pancada da curva 1 mas faltou algum nervo a Bottas.

Felipe Massa: Nota 7

Vatteri Bottas: Nota 5

Williams: Nota6

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Force India: Do mal o menos

Ver Hulkenberg desistir na primeira volta e Perez ser atirado podia ter sentenciado o fim de semana da equipa, mas a Williams também teve problemas e Perez foi capaz de recuperar até aos pontos. No final a equipa manteve o lugar no campeonato e respirou de alivio. Tinha tudo para ser um bom fim de semana mas as corridas são assim e Hulkenberg que se apresentou muito forte durante os treinos e qualificação não pode capitalizar esse andamento. Pérez que estava um pouco em baixo fez o que lhe competia e levou mais 4 pontos para a equipa.

Sérgio Pérez: Nota 8

Nico Hulkenberg: sem nota

Force India: Nota 7

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Haas: De regresso aos pontos

Desde o primeiro terço da época que a Haas não pontuava. Não podia ter escolhido melhor o palco para o regresso. A jogar em casa a equipa fez o que devia e colocou Grosjean nos pontos. Já Gutierrez foi obrigado a abandonar devido a uma falha… adivinhem onde?? Travões pois claro. O problema recorrente que continua a dar dores de cabeça aos engenheiros da equipa. A Haas estranhamente mostrou-se pouco satisfeita com o desempenho de Gutierrez vindo a publico que a equipa esperava mais dele. Cheira a despedida por parte do mexicano e das duas uma, ou Vergne tem uma hipótese na equipa americana, com os cumprimentos da Ferrari, ou haverá mais mexidas no grid para 2017.

Romain Grosjean: Nota 7

Esteban Gutierrez: sem nota

Haas: Nota 6

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Renault: Magnussen em grande na parte final

O dinamarquês até estava a ser mais lento que Palmer no início da corrida mas a estratégia de Kevin era mais agressiva na parte final. E o piloto agarrou essa oportunidade para dar nas vistas. Esteve à porta dos pontos mas não foi a tempo de o conseguir. Já Palmer começou melhor mas foi ultrapassado no final pelo colega de equipa. Fala-se que Magnussen poderá ficar na equipa com Hulkenberg o que é um excelente line-up e que Palmer está em conversações com a Force India. Uma coisa é certa, a Renault lidou muito mal com a situação dos pilotos.

Kevin Magnussen: Nota 7

Jolyon Palmer: Nota 7

Renault: Nota 6

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Sauber: O costume

Sem capacidade para ir atrás dos pontos, sobrou a luta interna que mais uma vez foi vencida por Ericsson. Fala-se de Nasr para a Force India também mas o brasileiro tem sido das grandes desilusões deste ano pelo que podia fazer e não está a por na pista.

Marcus Ericsson: Nota 6

Felipe Nasr: Nota 6

Sauber: Nota 5

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Manor: Wehrlein melhor

Depois de ter sido Ocon o vencedor do duelo, desta vez foi o alemão a ficar na frente. Ambos têm sido associados a outras equipas e o seu talento é apreciado por muitos mas de momento ainda não há nada definido.

Pascal Wehrlein: Nota 7

Esteban Ocon: Nota 7

Manor: Nota 6

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Próxima paragem: Próximo fim de semana para o GP do México.

 

Fábio Mendes

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