F1 – Red Bull e as mudanças a curto e a longo prazo

A Red Bull está a ter um arranque de época misto… O carro apareceu despido de apetrechos aerodinâmicos, o que ia contra a tendência da grande maioria. O chassis não era, nem é ainda, um dos melhores do grid e precisa de evoluir, tal como o motor, as duas principais dificuldades da equipa.

 

O motor Renault deu um salto qualitativo mas falta-lhe um elemento essencial…Os sistemas de recuperação de energia planeados para 2017 pelos franceses não apresentaram os níveis de fiabilidade desejados e as equipas que usam motores Renault tiveram de recorrer a sistemas adaptados do ano passado. Para o Canadá é esperado que esses problemas sejam resolvidos e que surja um grande update para o motor.

No entanto o chassis também é culpado pela falta de ritmo da Red Bull nesta primeira fase da época. Newey dizia nos testes que a vontade da equipa era entender se a base do carro era a ideal e como se comportava em pista e depois sim, colocar os extras necessários. O RB13 revelou ser uma “dama de difícil trato”,  difícil de afinar e com tendência a criar dificuldades inesperadas aos pilotos, além de se dar mal com o “ar sujo” que sai dos carros da frente.

Para Barcelona é esperado um novo pacote que pelo que se diz, será quase uma versão B deste chassis. A equipa não está nada satisfeita com o rendimento que tem retirado da máquina e pretende assim, repensar alguns pormenores. Mas fica no ar a ideia (pelo menos para mim) que a Red Bull tinha ainda algumas dúvidas em relação ao seu chassis e por isso optou por um desenho mais limpo para depois então fazer os ajustes necessários. Se calhar não esperavam que a base do chassis não rendesse, no entanto fica no ar a ideia que a equipa sabia que até Barcelona o objectivo seria sobreviver e então sim, mostrar mais. 

A Red Bull já fez este truque várias vezes e com bons resultados. A primeira fase das épocas da equipa não costumam ser muito fortes mas depois dos updates vemos a verdadeira Red Bull.  E parece que será o que vai acontecer outra vez este ano. Se o chassis der o que os responsáveis esperam e se a Renault fornecer um motor capaz como prometeu… a luta por vitórias será ainda mais interessante.

Por falar em motores…Quando misturamos Red Bull e motores na mesma frase raramente se espera que o restante da frase seja pacifico. Helmut Marko já avisou que se não entrarem construtores de motores independentes em 2021 desiste da F1. A última reunião da FIA estabeleceu como meta encontrar um motor tecnologicamente relevante mas mais barato, mais simples, mais ruidoso e mais potente. Como isso vai ser conseguido ainda não se sabe, mas a vontade da Red Bull é ser fornecida por um construtor independente (como acontece com a McLaren e a Honda).  O que a Red Bull quer é um motor independente, competitivo e abaixo da fasquia dos 10 milhões.

A posição da Red Bull faz sentido e é a mesma da McLaren. Para ser campeão não se pode ter o motor da mesma marca de uma equipa que também vai lutar pelo título (se a luta pelo titulo for entre Renault e Red Bull, por exemplo, as melhorias que podem fazer a diferença serão sempre entregues à equipa de fábrica primeiro e só depois à equipa que compra motores, o que se pode traduzir em diferenças de performance). E que ninguém duvide que a Renault vai tentar lutar pelo titulo e vai investir forte. Se a Renault se encontrar numa posição de força na F1 e em posição de vencer o campeonato, a Red Bull pode ficar prejudicada. O pensamento é o mesmo da McLaren quando optou por motores Honda… dificilmente a McLaren seria campeã com motores Mercedes contra a própria Mercedes. O único problema foi que a Honda trabalhou muito mal.

Será que a FIA e a FOM conseguem atrair algum construtor que forneça apenas motores que agradem os compradores? Será que esta ameaça da Red Bull deve ser levada a sério? (todos sabiam que a ameaça em 2015/2016 não era para ser levada a sério mas ainda assim teve o efeito desejado). A Red Bull mostra assim inteligência e joga em antecipação tentando obter as bases necessárias para se manter como uma equipa de top. O que é certo é que a F1 lucrava muito com mais um ou dois fornecedores de motores para equipas privadas que pudessem assim ter motores capazes de lutar com os Ferrari, Mercedes e Renault.

 

Fábio Mendes

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